quarta-feira, 1 de junho de 2016

A Criança

Nos primeiros anos via-o com frequência. Pelo menos ao fim de semana quando me cruzava com ele e os pais no elevador, ou nos encontrávamos em passeios à beira mar. Lembro-me da fase em que deixou o carrinho de bebé, começou a dar os primeiros passos e lhe ouvia as lágrimas numa qualquer tentativa mal sucedida de caminhar que terminava com uma queda no cimento do paredão.
Entretanto os pais separaram-se, o meu ritmo de vida mudou, os passeios  transferiram-se da beira mar para o jardim e quase deixei de o ver.
Há dias, quando descia no elevador, ele entrou com a mãe. Ao vê-lo não consegui reprimir um gesto de surpresa. Comentei o seu crescimento.
- Já está na primeira classe - disse o orgulho de mãe.
-Nossa! Como o tempo voa. Parece que ainda o estou a ver a gatinhar- respondeu o enrascanço de um tio avô ( de ocasião).
A mãe esboçou um sorriso. A criança é que não se conteve e respondeu-me à letra, com os olhos sempre fixos na mãe:
- Os adultos têm a mania que só eles é que envelhecem. Nós também crescemos, não ficamos sempre bebés!
( Touché...)

11 comentários:

  1. rssssss...Crianças e suas boas respostas! Linda essa! abraços,chica

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  2. ~~~
    Amoroso, acha que ainda estamos a crescer!
    Não deixa de ter razão, mas só alguns.
    «O melhor do mundo...»
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  3. Ora cá está mais um pequeno espevitado... =) eles agora são cada vez mais inteligentes e perspicazes, mas dá-me a sensação que cada vez se estragam mais também...

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  4. Claro!!! Ora, ora, os adultos.... parecem parvos...

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  5. Essa criança é muito adulta na resposta; pode ser doença.

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  6. Talvez até nem se justifique este comentário a propósito
    deste episódio,
    mas ocorre-me que não devemos nos surpreender se um miúdo nos parece um adulto prematuro,
    a mim o que surpreende sempre são as manifestações dos adultos infantilizados

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  7. As crianças às vezes são surpreendentes.
    Abraço

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  8. As crianças às vezes são surpreendentes.
    Abraço

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  9. Sorte a dessa criança que ainda não lhe começaram a dar Ritalina. Se no meu tempo de criança houvesse essa mania ter-me-iam adormecido à nascença. tantas foram as vezes que parti a cabeça por nunca estar quieta que até me chamavam "maria rapaz". ainda por cima tive o azar de ser alta para a altura, em que era tudo subalimentado. nem saltos conseguia usar porque passava por cima dos outros. Até hoje a mais alto que usei foi um salto de cinco centímetros. Hoje até tenho pena das figuras ridículas que as pessoas fazem ao andar sobre andas. Será que elas não têm espelhos para ver a figura que fazem e a desarmonia que criam no conjunto do corpo?

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