segunda-feira, 16 de maio de 2016

O jornalismo tem futuro?



Foto retirada daqui


Há meia dúzia de anos escrevi um artigo para a revista "DIRIGIR"  onde vaticinava que a comunicação social generalista tinha os dias contados e o futuro do jornalismo( e dos jornalistas) estaria  reservado a  publicações especializadas, com artigos técnicos e credíveis. Fundamentava a minha opinião, no facto de os canais de televisão dedicados à informação, pela necessidade de estarem sempre em cima do acontecimento, tornarem as notícias tão efémeras, que perdem o interesse.
Ao leitor do futuro - também ele mais especializado e criterioso nas suas opções- já não interessa tanto saber   se morreram 500 refugiados num naufrágio, se as eleições em Inglaterra foram ganhas por um muçulmano ou por um judeu, se a cimeira sobre o clima foi um sucesso ou um fracasso,  se foi descoberto  um tratamento para o cancro, ou se o acordo entre Europa e EUA está a suscitar tensões políticas.
O leitor do futuro quer saber o  que é possível fazer para evitar a morte dos refugiados, qual a implicação dos acordos sobre o clima no quotidiano, mas também  na sua área de actividade específica, quais os efeitos colaterais e imediatos do tratamento que foi descoberto,  a forma como o acordo UE/EUA  irá influir na sua vida pessoal e profissional, ou os efeitos dos transgénico na saúde.
Quer respostas credíveis e  práticas para as suas perguntas e sabe que elas só podem ser dadas por especialistas, não por jornalistas.
O jornalista do futuro, por seu lado, se estiver fortemente comprometido com a sua profissão, terá de fazer um grande investimento no jornalismo de investigação. Terá de deixar as redacções onde passa o tempo a fazer copy paste de notícias da Internet e "fazer-se à estrada" para investigar um determinado tema e depois o dar a conhecer aos leitores. Não sob a forma de notícia, mas como resultado de uma pesquisa séria. O jornalismo generalista tem os dias contados, desde que apareceu a CNN e nos foi permitido ver uma guerra em directo, mas o jornalista e o jornalismo continuam a ter futuro, se ambos quiserem ser fiéis aos seus princípios.

4 comentários:

  1. Escrevi tantos comentários na sua crónica Globalização é... que fiquei sem folgo para responder à sua pergunta.

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  2. Caríssimo Carlos, nem a propósito este artigo do JN:
    http://www.jn.pt/sociedade/interior/portugueses-acreditam-mais-nos-meios-de-comunicacao-tradicionais-e-menos-nos-motores-de-busca-2431915.html

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    1. Obrigado pela pista, Observador. Não tinha lido, mas não me surpreende. De qualquer modo, mantenho o que escrevi há uns anos. Por cá somos sempre os últimos a perceber tudo, não podia ser diferente quando se fala de comunicação. Principalmente, quando as pax pensam que o CM é um jornal que dá notícias e " descobre as carecas". A falta de sentido crítico é arrepiante e contribui em larga escala para que sejamos um dos países europeus com taxa mais elevada de analfabetismo funcional.

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  3. aqui em Portugal os canais andam cada vez mais a reboque do que faz a CMtv...

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