segunda-feira, 16 de maio de 2016

Não adianta chorar

Andamos há mais de uma década a lamentar a ascensão dos partidos de extrema-direita na Europa mas, lá no fundo,  temos esperança que isso não passe de uma moda;
Vemos  fascistas a chegar ao poder  com o apoio do voto popular;
Vemos a direita brasileira a derrubar um governo legítimo, através de uma golpada própria de países do terceiro mundo e perguntamo-nos onde está o Brasil emergente e promissor dos BRIC?;
Tememos que Trump chegue à Casa Branca e  receamos perder o eterno aliado da Europa;
Em vez de nos lamentarmos pela viragem à direita que está a varrer o mundo, devíamos  perguntar-nos qual a razão de isso estar a acontecer. Onde é que a esquerda falhou, para que o povo não confie nela e se entregue nos braços da extrema direita como se fosse a sua salvação?
(Não me venham com a estafada justificação de que o povo é ignorante e analfabeto, porque essa já não cola.)

13 comentários:

  1. Compete ao povo português, considerando ou não os exemplos noutros países, dizer para onde quer ir.

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  2. A hipótese preferida de alguns teóricos à Esquerda é a de que os Partidos Social-Democratas de alguma maneira traíram aquele que era o seu eleitorado tradicional, a classe operária e média-baixa, ao abraçarem a globalização e o eleitorado urbano e com formação superior. Este, sentindo a diminuição de rendimentos, a degradação das condições de trabalho ou mesmo a perda dos postos de trabalho, pela competição das economias do Leste Europeu ou do Extremo-Oriente, caiu nos braços de quem lhe promete um regresso aos trinta gloriosos, com uma mistura de protecionismo, keynesianismo e regresso ao Estado Nacional. Não haveria muita diferença entre esta mensagem da Extrema-Direita e aquilo que o PCP, por exemplo, propõe. Mas isto ignora a centralidade da componente profundamente xenófoba do discurso da Extrema-Direita (de que os Comunistas Portugueses são insuspeitos). Em vez de colocarem a culpa na financeirização do Capitalismo, por exemplo, os eleitores de Extrema-Direita colocam a culpa nos mais fracos, migrantes, refugiados, pessoas de outras etnias, etc, como colocam a culpa nos recipientes de ajuda social, em vez dos banqueiros, por exemplo. Isto é sinal de estupidez? Acho que é sobretudo sinal de falta de humanismo e dessa tendência desprezível do ser humano em culpar quem é diferente e, sobretudo, quem é mais fraco. Na minha modesta opinião de pessimista, a racionalidade é sobre-valorizada. O Fascismo é um movimento popular de muitas faces, que valoriza a vontade face à razão e nem sequer liga muito à lógica dos argumentos que propõe (Trump constantemente mente e ignora os factos, por exemplo). O que há neste caso a fazer? Resistir e, se chegarmos a isso, poderá mesmo ser preciso fazê-lo de armas na mão, como no passado...

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  3. A Festa de Pentecostes 2016 está a chegar ao fim. A minha mente cansada recusa-se a reflectir sobre o tema, tema muitíssimo quente em todas as partes do mundo.

    Desejo-lhe uma semana sem armas na mão, Carlos, só a dar picadas de escorpião.

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    1. Afinal, refecti sobre a sua pergunta, Carlos, e...

      http://ematejoca.blogspot.de/2016/05/blog-post_16.html

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    2. Explique-nos por favor por que razão a Sra Mueller vota na 'Alternativa para a Alemanha'... Se se trata de um artigo de jornal ou de revista que nos queria recomendar, falta o link do mesmo...

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    3. Não se trata de nenhum artigo de jornal, nem quero recomendar nada a ninguém, Jaime Santos.

      Trata-se de um postal da minha coleção, (Carlos, eu também tenho uma coleção de postais), que mostra uma mulher do povo, a chamada "Liesel Müller", equivalente a "Maria Povinho".

      Afirmo, então, que ela vota AfD e pergunto qual é a razão.

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    4. Não consegui ver, Ematejoca mas, se tem uma coleção de postais, peço-lhe que esteja atenta ao próximo Postal Ilustrado, pois tem uma dedicatória especial para si.

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  4. É assustador, que não pegue moda ou não vá quererem imitações!

    Um beijinho Carlos e boa semana.

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  5. Prefiro a visão de jaime Santos. Parece-me que vê bem e bem mais que eu.

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    1. Relativamente ao futuro, estou tão cego como qualquer outra pessoa, felizmente. Mas prefiro não brincar com tais assuntos e considero, como Churchill, que há uma só linguagem que os Fascistas entendem, a do punho de ferro. Nesse sentido, a luva de seda estendida pela UE em direção à Hungria ou à Polónia, enquanto aplica o garrote à Grécia, que tem demonstrado um comportamento apesar de tudo admirável para com os refugiados, não augura mesmo nada de bom...

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    2. Chamo ainda a atenção para a crónica da Clara Ferreira Alves publicada creio que no fim-de-semana passado no Expresso. É verdade que as condições sociais explicam em parte a ascensão da Extrema-Direita, mas essa constatação ignora a responsabilidade dos indivíduos e a sua capacidade de fazer escolhas. É um pouco como quem diz que a criminalidade se deve somente à pobreza.

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  6. De que vale uma década
    ou outra, que se perca
    se os verdadeiros protagonistas da História
    são o Povo
    (por mais voltas que dêem os braços do polvo)

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  7. A insegurança, as desigualdades sociais, o desemprego ou a insegurança no emprego, são pasto fértil para o aparecimento e crescimento de populistas e ditadores, Carlos.

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