quinta-feira, 5 de maio de 2016

A adopção é um negócio? Yes, Minister!







O caso de uma emigrante portuguesa em Inglaterra, a quem foi retirada pelos serviços sociais de Sua Majestade uma criança com nove dias de vida, imediatamente entregue para adopção, trouxe-me de imediato à memória os tempos da ditadura argentina, em que mães eram raptadas pelos militares e separadas dos filhos à nascença, sendo posteriormente entregues a famílias abastadas com influência junto do poder.


Mas como foi em Inglaterra que o caso se passou e por estes  dias o caso Maddie ,  voltou a ser notícia, resisti à tentação da comparação e centro-me no que se passa em Inglaterra com a adopção.
Lembro que na altura muita gente opinou que os pais eram irresponsáveis e sentenciou como pena aplicável a tanta negligência a retirada dos restantes irmãos da tutela do casal Mc Cann.
Tive oportunidade de reagir- um pouco à bruta como é meu hábito-  contra os que decretavam tal sentença mas, anos volvidos e perante o caso da criança com 9 dias retirada pelos serviços sociais a uma emigrante portuguesa em Inglaterra, estou em vias de dar razão aos mais virulentos na análise do caso Maddie.  Se a lei, em Inglaterra, fosse aplicada de igual modo a imigrantes e súbditos  próximos dos primeiros ministros britânicos, os Mc Cann neste momento não teriam qualquer filho à sua guarda. Mas – todos sabemos- seja em Inglaterra, em Portugal ou na China, a lei é iníqua e mais pesada para quem trabalha e não tem relações privilegiadas com o poder.


É verdade que a mãe da criança portuguesa  entregue para adopção pelas autoridades  de Sua Majestade violou a lei inglesa ao recusar abrir a porta à polícia e ao médico. Igualmente verdade é  o pai já andar debaixo de olho das autoridades, por causa de uns produtos que vendia na Internet, mas…  retirar uma criança com 9 dias da tutela da mãe e entregá-la para adopção  é defender os interesses da criança?


Qualquer pessoa de bom senso sabe que não portanto, o importante é perceber a razão porque nos vendem essa ideia. A resposta parece demasiado simples, quando analisamos os números:


- Todos os anos, em Inglaterra, cerca de 700 mil crianças são retiradas aos pais e entregues para a adopção;


- Entre 15 a 25 por cento destas crianças são filhas de casais imigrantes;


- O governo britânico gasta anualmente cerca de  2 biliões de libras com instituições de adopção e famílias de acolhimento;


- As famílias de acolhimento recebem cerca de 600€ semanais, por cada criança que acolhem.


Creio não restarem dúvidas sobre o negócio  que está por detrás da adopção mas, atenção, porque dizem os especialistas que não é um negócio que se limite a terras de Sua Majestade. É um negócio em grande expansão que, inclusivamente, já terá chegado a Portugal.


E já que falo em Portugal, urge perguntar:


- A criança retirada à mãe portuguesa terá nacionalidade inglesa, portuguesa, ou ambas? Não poderão as autoridades portuguesas intervir para resgatar a criança? Mas, mesmo que isso seja possível, que males irreversíveis terão já sido causados à criança, quando houver uma decisão judicial?


Palpita-me que entre o negócio da adopção que floresce na democrática Inglaterra e as adopções forçadas durante a ditadura militar Argentina, as diferenças residem na moeda. Mas é extremamente preocupante que se invoque a democracia para legitimar um negócio imoral.

5 comentários:

  1. Já há mais de dez anos (comecei nos fóruns clix e sapo) que venho divulgando algo que, embora seja politicamente incorrecto, é, no entanto, óbvio:
    - Promover a Monoparentalidade - sem 'beliscar' a Parentalidade Tradicional (e vice-versa) - é EVOLUÇÃO NATURAL DAS SOCIEDADES TRADICIONALMENTE MONOGÂMICAS...
    {ver blogs http://tabusexo.blogspot.com/ e http://existeestedireito.blogspot.pt/}

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  2. O que aconteceu por estes dias em Inglaterra - e só para falar nesse caso - foi feito com base numa lei de 1989 e que até agora ninguém quis alterar.
    Mexer-se-ia com interesses instalados e isso não aconselhável, aos olhos de quem poderia fazer algo.

    Quanto à possibilidade de Portugal intervir ... poder pode mas não convém.
    Que raio de mentalidades são as que fomentam, permitem e executam este tipo de coisas?!

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  3. Triste é fazer-se negocio com este tipo de situações, mas mais triste é a violência contra as crianças que em muitas situações usada em prol do bem para as mesmas, no caso desta de 9 dias não dá para ela se aperceber, mas outras muitas sofrem.

    Não sei se é a blogosfera que não está a bater bem, ou se sou eu, ontem vi um post no "Crónicas on the rocks" hoje vou para comentar e não está lá, mas já aconteceu com um outro bloge! É estranho.

    Um beijinho

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  4. Hoje só se pensa em dinheiro. Os ingleses pouco se preocupam com os filhos é apenas uma questão de fachada e de interesses. Antigamente, quando alguém trabalhavam só por cama e dormida, os ingleses, mais bastados, entregavam os seus filhos ao cuidado das amas que viviam com eles e os criavam, nas águas-furtadas das célebres mansões inglesas. Os pais quase nem os viam. depois de crescidos iam para os internatos. Não sei porquê agora lembrei-me do grande filme "O Clube dos Poetas Mortos".
    Ah, já me esquecia, vim aqui só para dizer que o Supremo deu razão ao Amaral e retirou-lhe a obrigação de indemnizar o casal Mc Cann e que os ingleses gostam muito é de andar bêbados. Quando acabava a hora da proibição era vê-los a emborcarem até caírem de bêbados.

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  5. Misturar negócios com crianças provoca-me náuseas :(

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