terça-feira, 12 de abril de 2016

O erro de Obama



Em entrevista à Fox, durante o fim de semana,Obama admitiu ter cometido um erro na Líbia, por não ter planeado o “day after”.
Sinceramente, as declarações de Obama surpreendem-me. Não ouviu os seus conselheiros, ou foi mal aconselhado?
Agora não adianta chorar sobre o leite derramado mas, para que evite novo erro, aconselho-o a vir ao Rochedo antes de tomar decisões.
Talvez seja oportuno lembrar-lhe que no meio da refrega que culminou na morte de Kadhaffi ao mais belo estilo da barbárie, desapareceram cinco mil mísseis terra-ar e a Líbia é hoje um gigantesco supermercado de venda de armamento, onde terroristas da Al Qaeda do Magrebe Islâmico se abastecem livremente. E isso era tão previsível, que até eu o escrevia aqui em 9 de Maio de 2011
Parece-me também oportuno lembrar-lhe, presidente Obama que
 “Durante muitos anos a Europa não só tolerou as ditaduras de Ben Ali, Mubarak e Kadhaffi ( para não falar de muitas outras…) como as apoiou. E ganhou muito dinheiro com elas. Só em 2010, vendeu aos ditadores africanos quase 400 milhões de euros em armamento! O problema é que Kadhaffi sabia demais e tinha de ser morto".
Quais os principais interessados? Os países europeus, seus aliados, que o convenceram a entrar nessa aventura.
E qual era o interesse deles?
Dou-lhe apenas um exemplo,  senhor presidente:
"Kadhaffi financiou as campanhas eleitorais de alguns líderes da direita europeia que hoje estão no poder. Por isso Sarkozy foi tão entusiasta na defesa da intervenção da NATO na Líbia. Kadhaffi morreu às mãos dos líbios? Mentira! Morreu às ordens de líderes que ele ajudou a chegar ao poder e por isso se sente perpassar um suspiro de alívio no mundo ocidental, por quem tem as mãos manchadas de sangue".
Já agora, lembro-lhe o que escrevi em 7 de Abril do mesmo ano:
“Acreditar que o derrube de um ditador conduz inexoravelmente à democracia, não é apenas optimismo, é desconhecimento da História recente. Não se combate uma ditadura, sem ter a certeza de que está afastada a hipótese de lhe suceder outra ainda mais retrógrada e, quiçá, mais sanguinária. Muito menos se entregam armas a rebeldes que deixaram infiltrar nas suas hostes, elementos da Al-Qaeda”.
Bastava-lhe pensar no exemplo do Afeganistão, para perceber  que acreditar em democracias impostas à força de balas é uma estratégia condenada ao fracasso. E, se fosse um bocadinho mais perspicaz, teria  percebido que  não tinha garantias de que o petróleo existente na Líbia lhe fosse entregue de mão beijada, para repartir com os seus aliados europeus.
Como adivinhar qual  dos 114 grupos que integram os rebeldes líbios , conseguiria  impôr-se aos restantes ficando com o melhor quinhão? Hoje, sabe-se que caiu nas piores mãos, mas não há grande surpresa nisso, pois não, senhor Presidente?
Acredito que depois de ler isto, esteja a precisar de um pouco de conforto. Eu dou-lho. O senhor não é  o único culpado do que aconteceu na Líbia. Os seus aliados europeus também têm culpas no cartório. Passe por aqui lá mais para o final da tarde, que eu conto-lhe.

4 comentários:

  1. O que havia para dizer dos aliados europeus ...

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  2. Considerado o melhor livro do ano,"GUERRAS SUJAS"De Jeremy Scahill",nele se verifica que o Obama tem sido muito pior que o Bush,em tudo que mete ingerências estrangeiras e processos ignobeis que as acompanham.Leiam,que vão ficar muito edificados com o que por lá se conta e prova.

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    1. Quem me garante que Jeremy Scahill é sério no que escreve?

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  3. Não planear o day after fora também um erro cometido por George W. Bush ...

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