quinta-feira, 21 de abril de 2016

Mais uma grande vitória da democracia



Primeiro ( ainda na última década do século XX) era a globalização que ia devolver a liberdade e a democracia a todos os povos do mundo e diminuir as desigualdades. Anos depois as desigualdades tinham  aumentado e  a democracia continuava enferma na maioria  dos países.


Foi então que os arautos da liberdade e da democracia se viraram para a primavera árabe.As ditaduras egípcia, tunisina, líbia, and so on tinham sido finalmente derrubadas, "graças à  vontade popular" e em seu lugar iriam nascer, frondosas, democracias libertadoras. Bastaram alguns meses para se perceber que apenas tinham mudado as moscas.


Os  regimes amigos do mercado, adoradores do deus dinheiro e tendo a ganância  como único "valor", foram inventando, aqui e ali, povos heróicos que saíam à rua para derrubar ditadores e construir viçosas democracias.
Disfarçado de democrata, o polvo dos mercados foi estendendo os tentáculos e cumprindo o seu objectivo: substituir ditadores que lhe são adversos, por ditadores dóceis que aceitem as regras do jogo da corrupção, sem pestanejar.
A mais recente "vitória" do povo ocorreu na Ucrânia. Apeado o ditador corrupto, a democracia instalou-se miraculosamente na praça Maidan, com um primeiro ministro a ser eleito por voto de braço no ar. Ao que parece, com o mesmo sucesso das democracias nascidas na Praça Tahrir e noutras praças espalhadas pelo mundo.

Na Ucrânia as coisas não estão a correr pelo melhor. Na semana passada, o primeiro ministro ucraniano foi obrigado a demitir-se na sequência do alegado envolvimento no Panama Papers. Mas já havia sinais de que a solidariedade europeia que derrubara o poder instalado na Ucrânia ( apelidado de corrupto e ditatorial, por ser pró russo) estava muito fragilizada. Dias antes, os holandeses tinham chumbado em referendo, um acordo comercial entre a Holanda e a Ucrânia. Na hora da verdade, os interesses de cada um vêm ao de cima e a solidariedade vai ruindo como um baralho de cartas.


Como era óbvio e eu já escrevia em 1991 na Tribuna de Macau, a globalização só tinha um objectivo: implantar o pensamento único. Esteve quase a cumprir os objectivos e nada nos garante que não os venha a cumprir.

6 comentários:

  1. Todos diferentes, Todos iguais... isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta!
    .
    -» Quando se fala no (LEGÍTIMO) Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones [nota: Inclusive as de 'baixo rendimento demográfico'... Inclusive as economicamente pouco rentáveis...] nazis-à-USA (nazis-económicos) - desde há séculos com a bênção de responsáveis da Igreja Católica - proclamam logo: «a sobrevivência de Identidades Autóctones provoca danos à economia...»
    [nota: os nazis-económicos (nazis-à-USA) provocaram holocaustos massivos em Identidades Autóctones]
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    P.S.
    Há um “genocídio” silencioso a acontecer na Amazónia

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    1. Um genocídio com 40 anos, que já Paulinho Paiakam denunciava nos anos 80.

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  2. ~~~
    Uma crónica que me agradou, CB.
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  3. Só os muito ingénuos acreditaram nas primaveras árabes. Como noutras...

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  4. Já há muitos anos Geroge Orwell fizera a mesma previsão, Carlos.

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