sexta-feira, 1 de abril de 2016

Angola é nossa?

Ninguém duvida que o governo de  Angola tem um conceito muito peculiar de democracia.
Qualquer democrata sente que as  penas de prisão aplicadas aos jovens angolanos, acusados de tentativa de derrube do regime, porque estavam a ler um livro "subversivo", são manifestamente exageradas e  visam "servir de exemplo".
Sendo Angola um país  lusófono, ao qual temos ligações ainda muito próximas, é natural que critiquemos estas condenações com uma carga emocional mais forte do que quando se trata de outros países africanos ou latino americanos.
Convém, no entanto, ter muito cuidado quando se fazem críticas à ditadura angolana, principalmente se essas críticas são oficiais.
Eu lembro-me que a exaltação saiu à rua, para celebrar a Primavera Árabe e o derrube das ditaduras e, hoje em dia, constatamos que os governos que se seguiram são ainda mais ditatoriais e sanguinários do que os que a Europa ajudou a derrubar, por iniciativa dos senhores Sarkozy e Cameron.
Mas nem é por aí que eu quero ir. Prefiro lembrar que  a Guiné Equatorial, governada por um facínora, onde a pena de morte ainda não foi abolida, foi admitida na CPLP por aclamação, sem que Passos Coelho ou Cavaco tivessem esboçado um gesto de rejeição. Onde andam os  protestos contra o regime ditatorial do senhor Obiang?
Por tudo isto, compreendo a posição do PCP sobre Angola. De mais difícil compreensão, é a justificação hipócrita do PSD  e do CDS para votarem contra a condenação do regime angolano.  Afirmou o líder parlamentar do PSD que seria uma ingerência na vida interna de Angola, que é um estado soberano, condenar as penas de prisão aplicadas aos jovens activistas.
Recordo que Passos Coelho e  Portas em particular, e  o PSD e o CDS na generalidade, não se coibiram de afirmar que era deplorável Sócrates negociar  com ditaduras como a venezuelana e, logo que se apanharam no governo, foram a correr para Caracas selar os acordos que tinham sido conseguidos pelo governo de Sócrates, não fosse Chavez desistir dos negócios.
Mais recentemente, o governo PSD/CDS também não se coibiu de condenar o regime ucraniano, por ser totalitário, para logo de seguida aplaudir o golpe fascista que derrubou Ianukovitch e colocou no poder um fantoche eleito numa praça por braço no ar.
Neste caso, a condenação da Rússia e a aprovação do embargo, não são ingerência. Pois não, tratou-se apenas de subserviência.

1 comentário:

  1. Os do PSD e do CDS continuam a dar provas de incoerência.
    O líder parlamentar do PSD é um tosco mentiroso.

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