segunda-feira, 14 de março de 2016

"Somos um país de medricas"





Acabei de ler uma entrevista de  J.Rentes de Carvalho, cujo último livro, " O Meças" vendeu seis mil exemplares em apenas duas semanas.
Duas passagens da entrevista me chamaram especial atenção, porque eu expressei aqui no CR a mesma opinião e fui fustigado na caixa de comentários.
Como sei que alguns dos que me criticaram até são fãs de Rentes de Carvalho, aqui ficam as duas passagens:
 
Somos um povo sem palavras, por tantos séculos de miséria e analfabetismo?

 Somos, e por isso queremos ter coisas. De preferência coisas caras que preencham esse vazio, que deem um sentido aparente ao caos interior. Por exemplo, na Holanda não há carros de luxo. Quem tem carros de luxo são os traficantes de droga e as prostitutas e os parolos. As pessoas normais têm um utilitário. Aqui essa necessidade de mostrar, de exibir, esse parolismo começa logo nos políticos. Ser político à portuguesa implica logo ter um carro de luxo. É uma coisa triste mas que depois só me dá vontade de rir.

 Não sabemos conviver com a nossa maldade natural, a nossa perversidade, achamos sempre que somos os bons da fita?

Somos um país de medricas, de gente subserviente, assustada. Porque somos carinhosos e julgamos sempre que os outros sabem mais, têm mais. Um português abertamente arrogante é um sujeito que sai fora da norma. Talvez seja um medo psicanalítico do pai…
(...)

9 comentários:

  1. Estou absolutamente de acordo com a resposta à primeira questão. Já a segunda não sei se entendi muito bem, vou ler a entrevista e logo percebo. Acho! :)

    Beijocas

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  2. Sou uma portuguesa abertamente arrogante.
    É o típico emigrante, penso eu.

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  3. Brilhante o Rentes de Carvalho.

    Seis mil exemplares vendidos de "O Meças" em apenas duas semanas e, irritou muita gente imediatamente.

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  4. Já pus no meu mural e estou de acordo Carlos.
    Tenha uma boa semana

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  5. Eu por não ter, nem querer, um smartphone ou por não conhecer as estrelas da quinta ou casa das celebridades, por estar a cagar d´alto para as tendências, não ter, nem querer, carta de condução e facebook e muitas outras "anormalidades" dos dias de hoje sou constantemente ostracizado. E nem 40 anos tenho.

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  6. Medricas,o tanas... Os medrosos já foram embora,só cá fica quem sabe que,de uma maneira ou doutra,aguenta o repuxo! E todos viram que,nesta terra,não há piedade!

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  7. Acho mesmo que sim, somos medrosos, mascaramos o que pudermos para não nos expormos. Aos 86 anos, estando-se lúcido, diz-se apenas o que se sente como tal, não há a vontade de impressionar

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  8. Sigo o blogue dele.
    Incisivo, duro, não deixa passar uma.

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  9. li,recentemente, o Ernestina, gostei muito. acho que o J.R. de Carvalho percebe as pessoas, as gentes

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