segunda-feira, 14 de março de 2016

Crónica para um sr.Feliz


As minhas memórias de Nicolau Breyner estão mais relacionadas com o homem, do que com o actor. Quando o conheci, ainda ele não era sr Feliz, nem reconhecido pelo grande público. Foi-me apresentado pela Beatriz Costa num bar  do meu irmão, onde  a Beatriz ia normalmente às segundas feiras ou, mais esporadicamente, depois dos espectáculos de revista para tomar um copo e comer qualquer coisa, porque ficava muito perto do Hotel Tivoli onde ela vivia.
Nicolau passou a ser também frequentador assíduo do bar e pude constatar que, além de ser uma pessoa muito bem disposta, era de uma grande generosidade.
Foram muitas as noites em que ele, inadvertidamente, fez prolongar a hora de encerramento muito para além do permitido e razoável,  o que por vezes resultou em multas que abalavam as finanças do bar.
Mais do que as histórias que contava, era a maneira como as tratava que nos prendia  às cadeiras e aos copos.
Estava eu a cumprir serviço militar em Tomar, quando surgiu a dupla  sr. Feliz/sr Contente em " Nicolau no País das Maravilhas". Devo confessar que apesar de o programa me agradar,  a minha reacção inicial à dupla não foi nada positiva. Anos depois, rendi-me à versatilidade do Nicolau   actor de cinema. Foi o cinema, onde desempenhou  papéis absolutamente notáveis, que me deu a conhecer o Nicolau actor, uma mescla de humorista e dramaturgo que marcou várias gerações.
O que nunca deixei de apreciar foi a alegria de viver, a boa disposição que irradiava e as qualidades humanas de Nicolau Breyner, injustamente apelidado de reacionário e fascista por revolucionários de pacotilha.
Na hora da sua partida, é esse Nicolau generoso, optimista,  criativo, apaixonado pela vida e confiante no próximo, que hoje recordo com mágoa. Fazem falta neste país pessoas que amem a vida, sejam felizes e  tenham capacidade de fazer felizes os que o rodeiam, puxando pela sua auto estima.



6 comentários:

  1. Pelo que tenho ouvido todos pensam nele com carinho e descrevem-no como alegre e muito boa pessoa.
    Viveu intensamente e vai ser lembrado exactamente como gostaria: como um homem bom.
    bjs

    ResponderEliminar
  2. Também era meu amigo, tal como o Raul.
    Fuquei triste Carlos , que ano :-(

    ResponderEliminar
  3. Concordo quanto posso com o último parágrafo do seu texto. Nicolau vai fazer-me falta. Encantava-me sentir-lhe o pulsar.

    ResponderEliminar
  4. Por momento julguei que estivesse a falar do Herman
    mas depressa percebi que não era assim... seria o cúmulo da má sorte ver partir dois de uma só virada. O senhor Feliz, por enquanto, ainda está entre nós...
    Quanto ao Nico, são outros os valores que lhe consagro (até como exemplo)

    ResponderEliminar
  5. Viveu intensa e apaixonadamente, agora partiu.
    Ficamos um bocadinho mais pobres sem ele.
    Mas ficamos com doces memórias dele.

    ResponderEliminar
  6. Gostaria imenso de ter compartilhado esse teu prazer de privar com ele pessoalmente.

    Esses rótulos são sempre tolos, amigo.

    Que esteja em paz !

    ResponderEliminar