quinta-feira, 31 de março de 2016

Obrigado, Alexander Prokhorenko!


A boa notícia da época pascal foi, sem dúvida, a reconquista de Palmira ao Daesh, cujo sucesso foi atribuído pela comunicação social ao exército sírio, apoiado pela Rússia.
A notícia foi recebida por cá com contido júbilo de alguns  e  indiferença quase absoluta da maioria. Confesso que, apesar de me encontrar entre os primeiros, não me empenhei em saber notícias sobre a forma como decorreu a reconquista. Hoje, leio na Visão que a reconquista de Palmira ficou, em boa parte,  a dever-se  a   um jovem oficial russo das forças especiais, que morreu como um herói.
Alexander Prokhorenko estava no terreno a enviar coordenadas da localização dos jihadistas, quando foi detectado e cercado. Percebendo que iria ser morto ou, na melhor das hipóteses, preso e torturado, mandou os seus camaradas de armas da força aérea atacarem a sua posição.
Não terei oportunidade de voltar a Palmira, mas nem por isso deixo de agradecer ao jovem Alexander, de apenas 25 anos, o seu gesto que libertou Palmira e a devolveu ao Património da Humanidade.
Bem merece ser elevado à categoria de herói. Não só nacional, mas mundial. Como o património de Palmira.
Não sei é se  apreciará muito a  alcunha de rambo soviético,  que lhe foi atribuída pela agência noticiosa Sputnik.

Omo lava mais branco, ou o 1º de Abril antecipado

A RTP decidiu antecipar o 1º de Abril ( Dia das Mentiras) e convidou Maria Luís Albuquerque para justificar a decisão de aceitar o convite da Arrow.
Entre muitas justificações, a ex-ministra das finanças afirmou que desconhecia a existência da empresa, antes de ser convidada. (Não sei se estão a perceber...)
O resto foi um chorrilho de frases feitas, com enfoque na legalidade da decisão ao aceitar o cargo.
Quanto a ÉTICA e incompatibilidades nem a ponta de um corno. Quando perguntada sobre o assunto, sistematicamente chutou para canto. Chegou ao cúmulo de dizer que quanto mais informações recolher como deputada, melhor apetrechada estará para dar os seus pareceres e tomar as decisões...
Ficou confirmado que a mulher não tem ética, nem vergonha, mas isso não é novidade nenhuma.
O problema é que não é a única...

BANIF: um case study?


Deixa lá ver se percebi bem o que foi afirmado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BANIF….
O banco Santander queria comprar o BANIF ao melhor preço possível.
Alguém com responsabilidades  no Santander comunica a um jornalista amigalhaço que o BANIF está falido e vai ser alvo de uma resolução. Um jornalista, director do Diário Económico, vai nessa noite à TVI ( por acaso dirigida por um outro jornalista especializado em questões económicas ex-director do Jornal de Negócios).
A notícia começa a correr em rodapé na TVI 24.Confrontado com ela, pelo próprio jornalista, o então presidente do BANIF, Jorge Tomé, nega peremptoriamente, garante tratar-se de uma notícia sem fundamento, caluniosa e muito grave, mas  o ex-director do Diário Económico opta por confiar na sua fonte e a notícia é dada com grande destaque no jornal da meia noite.
No dia seguinte há uma corrida aos depósitos.  Uma semana depois o BANIF é vendido ao desbarato.
Haverá uma relação causal entre a notícia e a venda do BANIF? O caso BANIF será um exemplo da promiscuidade existente entre jornalismo económico, negócios e política?
Não tenho resposta para estas perguntas mas, como não há ainda ninguém no banco dos réus,  tudo isto se deve reduzir a meras coincidências com a liberdade de informar.
No entanto, como há liberdades que me provocam alguma urticária, pergunto:
 Até quando teremos de pagar bancos falidos? 
Será que algum dia veremos algum dos responsáveis pela  falência dos bancos,  condenado?
 Quanto tempo mais temos de levar com  jornalistas que nos vendem notícias falsas como se fossem verdadeiras? 
E, finalmente, será que algum dia ficaremos a saber quais as ligações entre os jornalistas "de economia" e os interesses económicos, e os motivos que os levam a veicular notícias falsas?



quarta-feira, 30 de março de 2016

Ora aqui está uma excelente ideia!

À minha conta, já ia mandando umas três ou quatro para o hospital, ou ainda para mais longe.  Esta gente não se enxerga, tem um enorme desprezo pela vida, ou anda de tal forma alheada do mundo à sua volta, que  já entrou na Twilight Zone?

Não querem pagar impostos? Paguem multas!





Toda a gente protesta contra os impostos. Com razão. A elevada carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho é, todos os meses, um motivo de desmotivação e causa de baixa de produtividade, provocadas pelo desânimo que invade os trabalhadores quando constatam que uma parte substancial do seu salário ficou retido na fonte e se esvaiu em impostos. 
Atrevo-me, por isso, a sugerir ao actual governo que seja inovador e, para diminuir a carga fiscal dos portugueses, faça uma coisa tão simples como obriga-los a cumprir as leis fundamentais do civismo que deviam nortear qualquer sociedade.
Eu sei que um governo que  tome medidas visando o cumprimento das leis, será imediatamente acusado de andar na caça à multa, mas eu prefiro um governo que seja acusado de cumprir a lei, do que outro que  carrega nos impostos e não  motiva os cidadãos a respeitarem-se mutuamente.
Não vou aqui fazer um rol das inúmeras medidas que poderiam ser alvo de uma maior atenção por parte das autoridades policiais que, se cumprissem a sua obrigação de multar os prevaricadores, estariam a promover uma sociedade mais justa e mais civilizada. Permito-me, no entanto, sugerir que as autoridades passem a multar sem  contemplações os automobilistas que estacionam em segunda e terceira filas, em passadeiras, em cima de passeios ou locais em que restringem a visibilidade aos restantes automobilistas,  os que conduzem enquanto falam ao telemóvel, ou ainda os que desrespeitam as mais elementares regras do Código da Estada, seja não fazer pisca quando mudam de direcção, ou fazer uma ultrapassagem em cima de um risco contínuo. 
Eu sei que é mais fácil instalar radares e aplicar multas por excesso de velocidade, a um automobilista que às 5 da manhã circule no Campo Grande a 70kms/hora, mas seria muito mais eficaz, cívico e dissuasor de infracções, aplicar multas por estacionamento irregular e PERIGOSO, ou coimar quem faz descarregamentos, obstruindo faixas de rodagem, a horas não autorizadas.
Para que não digam que estou a perseguir os automobilistas, sugiro também que multem os cidadãos que passeiam os cães sem trelas em jardins e outros espaços públicos onde essa prática é proibida.E, já agora, aqueles animais que deveriam andar com açaime, ou os donos de cães que levam os animais a fazer as suas necessidades à rua, ou nas praias, mas não limpam os dejectos.
Seria também um grande serviço em prol da comunidade punir quem cospe no chão, ou atravessa a rua fora das passadeiras, colocando em perigo a sua vida e a tranquilidade dos condutores.
São meros exemplos de falta de civismo que poderiam e deveriam ser punidos. E não me digam que era preciso um polícia para cada português, para acabar com os maus hábitos que temos. Não. Basta que as autoridades não façam vista grossa às infracções e punam quem não cumpre. Dir-me-ão que uma sociedade assim seria policial e persecutória. Discordo. Como é que países que normalmente muito admiramos pela educação cívica dos seus povos chegaram a esse estado? Precisamente porque fizeram cumprir a lei. E não foi apenas resultado de uma acção educativa na escola. Isso foi importante, mas não teria resultado se as pessoa não fossem dissuadidas  com a aplicação de elevadas coimas.
Por cá, as campanhas nas escolas multiplicam-se, mas depois as crianças olham para o comportamento dos adultos e percebem que o que lhes ensinam na escola não é para praticar quando forem mais velhos. Enquanto a escola os educa num sentido ( correcto), o que eles aprendem na vida real é a impunidade do incumprimento.
E rapidamente aprendem que ser cumpridor, ter espírito cívico e respeitar o próximo são coisas de totós, porque quem vence na vida são os chico-espertos.

terça-feira, 29 de março de 2016

Resmas de gajas



Primeiro era por causa dos ataques de Colónia, depois era para agradar aos muçulmanos, agora é para  as mulheres se sentirem mais seguras. Um dia destes será só porque sim.
E as pessoas deixarão de se indignar, porque  o cérebro já não reage e ( moral da história) as novas tecnologias evoluem no sentido inverso da civilização

Salada de frutas


-E agora? Vai uma sobremesa?
-Traga-me a lista por favor...
O cardápio era ilustrado e chamou-me a atenção a salada de frutas tropical ( especialidade da casa),
Oferecendo-se  numa variedade quase esdrúxula,  de fazer salivar qualquer palato, a salada exibia-se em recipiente de vidro de formas florais, onde pontificavam a manga e a papaia, o kiwi e o ananás ( ou seria abacaxi?). Duas uvas e  dois morangos espreitavam a medo entre a tropicália sumarenta, assumindo-se como intrusos no bacanal fruteiro.
Salivando, apontei sem hesitar a foto que ilustrava a minha escolha, com a mesma lascívia de um adolescente perante a foto de uma voluptuosa actriz de cinema seminua. ( Refiro-me aos adolescentes do meu tempo, obviamente, porque nos dias que correm uma criança de 7 anos, em pesquisas pela internet, rapidamente se familiariza com as intimidades dos corpos de top models, actrizes ou simples cidadãs anónimas, que exibem as suas formas, na expectativa de um qualquer navegador internáutico as descobrir e tirar do anonimato).
Mas adiante...porque as protagonistas desta história, embora descascadas, são apenas frutas  que, depois de colhidas e cuidadosamente preparadas, têm por função  animar o palato de seres viventes   e, como destino final, estômagos mais ou menos elaborados.
Segundos depois, o empregado depositou à minha frente o recipiente de formas florais igual ao da foto, mas a lascívia deu lugar à decepção, quando comecei a desbravar a corola. Nela se acolhiam apenas gomos de laranja, rodelas de banana e pedaços de maçã  cortados sem critério. No meio daquela insipidez despontava meia rodela de kiwi e metade de um morango, ambos fazendo lembrar náufragos que deseperadamente lutavam para alcançar uma banca de fruta onde estivessem a salvo.
Chamei o empregado e perguntei:
- Esta é que é a salada de frutas tropical?
- Exactamente
-  Pode dizer-me o que tem esta salada a ver com a da fotografia?
- O senhor desculpe, mas a fotografia é apenas ilustrativa. Não quer dizer que a cozinha ponha os frutos que aí estão. Põem o que  há, todos os dias varia
- Ai não? Então pode levar a salada de frutas. Traga-me o café e a conta.
Imaginei o ruborescer das frutas, ofendidas pela rejeição e envergonhadas por regressarem à cozinha intactas. O que iria a cozinheira pensar  de umas frutas enjeitadas? O mais certo era serem atiradas para o caixote do lixo, ou  acabarem no estômago de um qualquer animal doméstico esfomeado.
O empregado trouxe-me o café e a conta.
Tirei da carteira uma nota de 20€, fotografei-a e chamei o empregado.
Mostrei-lhe o telemóvel e disse:
- Pode ficar com o troco
- Desculpe, não   estou a perceber.
- Não percebe? Isto é uma nota de 20€ para eu pagar a conta 
- Mas é uma fotografia...
Claro! Como a salada de frutas. É apenas ilustrativa...

Só uma palavrinha, sobre os negócios da morte

Só para dizer que o desastre que provocou a morte de 12 emigrantes tem todos os contornos de crime. Um crime que poderia ter sido evitado, porque  a forma como as pessoas são transportadas só escapa a quem não quer ver.
Quem  entra em Portugal pelas fronteiras de Quintanilha, Miranda do Douro ou Vilar Formoso, especialmente à sexta feira,  foi certamente confrontado com o espectáculo de carrinhas apinhadas de trabalhadores ziguezagueando  pela estrada em bailados a alta velocidade, As manobras perigosas multiplicam-se ( especialmente as ultrapassagens) os limites de velocidade não são respeitados, a lotação é largamente ultrapassada.
De vez em quando há um acidente, as pessoas lamentam, os familiares das vítimas choram, mas ninguém faz nada para acabar com esta roleta russa que é o negócio das viagens dos emigrantes transportados  ilegalmente.
 Era só isto que vos queria dizer antes de vos desejar boa noite.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Valha-me Santa Engrácia!

Quem dirige a Comissão para a Igualdade do Género ( seja lá o que isso for) deveria saber que Pedro Arroja é um imbecil cujas afirmações, por não merecerem qualquer crédito, devem ser simplesmente ignoradas.
Pôr uma acção em tribunal, por causa  destas afirmações  - seja por ingenuidade, militantismo ou desejo de protagonismo- só serve para Pedro Arroja se vitimizar e ter publicidade gratuita.
Além disso, é descoroçoante ver um organismo do Estado  gastar tempo e dinheiro com uma parvoíce destas. Quando é que lá na CIG ganham juízo e percebem que as palavras de Pedro Arroja se enquadram num conceito que me é muito caro e se chama "liberdade de expressão"?

domingo, 27 de março de 2016

Hora de jantar




O meu almoço de Páscoa foi óptimo.
E até filmei. Só que houve um probleminha qualquer e quando o fui colocar aqui, pifou.
Para comnpensar deixo-vos o filme do jantar, num restaurante moderno e superchique. Ora vejam o vídeo.


sexta-feira, 25 de março de 2016

Perdoai-lhes Senhor!


Basta um minuto para se perceber quem são os animais nesta cena. Aconselho a ouvirem com o som ligado, para ouvirem melhor a reacção da turba.

Eles não se enxergam!

Os putos laranja, licenciados em universidades de Verão, não contestaram a licenciatura de Relvas, apesar de estar provada a vigarice dos créditos e equivalências. Mas como vergonha é algo desconhecido naquela agremiação,  os putos da JSD queriam que a Universidade de Coimbra retirasse o título "honoris causa" a Lula.
O fundamento dos jotinhas é um mimo:
" ...é apanágio desta nossa casa [UC] a transmissão da verdade, das boas práticas administrativas, da competência, transparência, defesa dos interesses públicos e não instrumentalização do magistério público em benefício pessoal".
Olha-se para Passos, Relvas  ou Marilú, lê-se isto e a única reacção possível é uma gargalhada.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Tenha a solução sempre à mão




A farmácia do seu bairro já fechou e está sem pachorra para se meter no carro e aviar o medicamento numa farmácia de serviço?
O seu filho precisa de uma dose suplementar, mas o dealer  hoje já não volta?
A sua mulher quer tomar um café, mas os cafés das redondezas já estão todos encerrados a esta hora?
Não se preocupe! Foi descoberto o genérico mais polivalente do mercado, capaz de resolver todos os problemas lá de casa.  Uma posta de salmão pode satisfazer todos os seus desejos

quarta-feira, 23 de março de 2016

Fastfood

Catarina Portas está incomodada, porque vai abrir um Mc Donalds no Chiado.
Concedo que não é uma coisa que me agrade, mas o que mais me preocupa é que   muito pouco se faça em termos de educação alimentar de jovens e adultos.
A alimentação fastfood está a criar uma geração de obesos, a que estão associadas outras doenças  que, além de serem prejudiciais, custam uma enormidade ao SNS.

Não vale a pena fazer como a avestruz...

Enquanto houver bairros de imigrantes que são autênticos bunkers onde a polícia não entra;
Enquanto houver  refugiados e imigrantes, sejam eles de primeira ou segunda geração, expulsos do mercado de trabalho e socialmente marginalizados;
Enquanto houver imigrantes e refugiados que se recusam a respeitar os valores europeus;
Enquanto acreditarmos que o aumento das desigualdade não gera violência;
Enquanto  for vedada a entrada dos europeus  em espaços como as mesquitas, onde à sombra da religião se  instruem os "crentes" no ódio aos que os acolheram;
Enquanto o medo comandar as nossas vidas e abdicarmos dos nossos valores para não ofender os refugiados e imigrantes
Não poderemos falar de multiculturalismo, nem de tolerância no espaço europeu.

Guantanamera

A RTP mandou Márcia Rodrigues a Cuba, para fazer uma reportagem cujo objectivo era demonstrar que em Cuba há presos políticos, não há liberdade de expressão, as pessoas têm medo de falar e serem presas.
A RTP não precisava de ir tão longe... bastava mandar um jornalista à Turquia gravar os discursos de Erdogan e ouvir os comentários das pessoas. Ou então à Hungria ou à Polónia...
Ficava mais barato e sempre são países europeus. Dois dos quais até já pertencem à UE e o terceiro ( Turquia) está bem encaminhado para entrar na Europa dos trogloditas e ainda receber, de bónus, 6 mil milhões de euros anuais para ser campo de concentração ao serviço da Europa.

terça-feira, 22 de março de 2016

Nós por cá todos bem?




Na última semana as redes sociais foram  palco de inúmeras manifestações de preocupação sobre o Brasil, regozijo com a visita de Obama a Cuba e alguns (poucos) lá se insurgiram contra o indescritível acordo entre a UE e a Turquia.
Em minha opinião, era preferível ter mantido o Kadhaffi como porteiro da Europa. Era mais barato e, apesar de ser um ditador como Erdogan, estava um bocadinho mais longe da Europa e ainda financiava as campanhas presidenciais de alguns candidatos que lhe caíam no goto, como Sarkozy.
Mas se a Europa parece ter perdido toda a vergonha e considera normal pagar seis mil milhões de euros por ano a um ditador que considera a democracia e a liberdade uma palhaçada e os europeus  já não reagem com indignação, porque o mais importante parece ser livrarem-se dos refugiados, será que por cá isto está tão bem, que não temos nada a reclamar?
Pessoalmente, tenho algumas razões para me preocupar e manifestar o meu desagrado. Já aqui escrevi sobre o receio que tenho de o alargamento da ADSE ser o princípio do fim do SNS, ideia que dias depois vi partilhada por António Arnault.
Também no concernente à espanholização da banca, me vou preocupando com o que vou lendo sobre o assunto.
Já agora, permitam-me que manifeste o meu desagrado pela Viagem do Elefante, digo, do PR ao Vaticano, a fazer lembrar a embaixada de D. João, mas com a diferença que à época  éramos ricos e agora somos uns tesos do caraças, cheios de dívidas e sem um tostão para mandar cantar um cego.
Finalmente,  porque me encanita ter de pagar a modernização dos táxis tenho de me indignar com a decisão  do governo dar aos taxistas entre 17 e 20 milhões de euros para  calar os protestos contra a UBER modernização das viaturas. Não é que tenha nada contra os taxistas, mas chateia-me que o governo lhes dê estas verbas e, simultaneamente, alegue que não pode repor os passes 4-18 e sub 23, para todos os jovens, porque a medida custaria 20 milhões de euros.
Eu gostava de perceber melhor as prioridades deste governo. Por isso me indigno.
Adenda: E para que não digam que estou muito pessimista, deixo-vos aqui um sinal de esperança no futuro: Portugal está fora da zona de perigo orçamental

Explosões em Bruxelas

Foto TSF


Poucos dias depois de ter sido preso, em Bruxelas, um dos mentores dos ataques de Paris, três explosões no aeroporto e no metro da capital belga e sede da UE, provocam mais de uma dezena de mortos já confirmados. (Estima-se que o número aumente).
"Eles" estão cada vez mais bem  organizados e mais rápidos na resposta.
A Europa assusta-se, a extrema direita europeia rejubila. Hoje, ganhou mais uns milhões de votos. 

segunda-feira, 21 de março de 2016

O cúmulo dos cúmulos (3)

É a subcomissão de Ética da AR apreciar apenas a legalidade e não a ética de actos dos deputados susceptíveis de pôr em causa a honorabilidade do cargo.
O Centrão não dorme! - dirão alguns
E têm muita razão- acrescento eu- se o PS continuar a argumentar que o caso Marilú é apenas uma questão de legalidade e nada fizer para alterar a Lei das Incompatibilidades.

Indo eu... a caminho do Vaticano

Talvez seja desta que eu fique a saber o que se passou naquele desgraçado dia de 1981

Pelo meridiano de Cuba...

É óbvio que partilho os sentimentos positivos que muitos expressam nas redes sociais, pela visita de Obama a Cuba, ontem iniciada,
No entanto, por muito que me esforce, não consigo esquecer este episódio. 

domingo, 20 de março de 2016

Bibó Porto (67)- A Casa dos quantos?


Se durante a visita à Sé, ou à Muralha Primitiva,  este edifício lhe despertar a atenção e perguntar a algum portuense do que se trata, é muito provável obter como resposta que é a Casa dos 24.  Focando-se na arquitectura do edifício, o leitor vai certamente torcer o nariz e duvidar da veracidade da resposta. E tem toda a razão...
È verdade que naquele local, junto à Sé, foi construído, no século XV,um edifício que servia de sede ao poder autárquico,  então conhecido como Casa da Câmara. A localização do edifício, mesmo em frente à Sé, é interpretada como uma mensagem do poder executivo ao bispado.
Já no século XVI, a Câmara passou a reunir na Rua das Flores porque, alegadamente, o edifício ameaçava ruir.
Consta, porém, que a verdadeira razão da mudança não terá sido essa, mas sim a necessidade de dar uma resposta ao Rei D. Manuel que ali mandara instalar  a Casa dos 24, instituição onde tinham assento os representantes dos 12 grémios ( ou mesteres). Ora como as Casas dos 24 ( ou dos 12 em povoações mais pequenas) tinham poder deliberativo, dependendo da sua aprovação as medidas tomadas pelo executivo municipal, as relações entre as duas instituições nunca foram boas. Defendem mesmo, alguns historiadores, que nunca os 24 se reuniram naquelas instalações, em virtude da conflitualidade existente. 
Certo é que no final do século XVI  o edifício estava muito degradado e  passou a ser utilizado como cadeia e refúgio de prostitutas.
Em meados do século passado, a zona da Sé foi alvo de uma grande  remodelação, mas só na década de 90 o edifício da antiga Casa da Câmara ( erradamente chamado Casa dos  24) começou a ser reconstruído, sendo o projecto da responsabilidade do arquitecto Fernando Távora. 
Se visitarem a Torre, poderão verificar que na pedra estão gravados os 100 palmos, confirmando que a altura  do novo edifício é exactamente igual à do anterior, respeitando também a volumetria.

sábado, 19 de março de 2016

Olé!


Divirtam-se com este vídeo, tenham um excelente FDS e não se esqueçam de comprar esta prenda aos vosso pais e maridos, porque hoje é Dia do Pai!...

sexta-feira, 18 de março de 2016

Francamente, Daniela!

Então você acha que uma casa de passe vai admitir funcionárias que não tenham os atributos físicos exigíveis à função? 
Agora a sério...
Francamente, Daniela, parece-me que já tem idade para não ser ingénua e confundir a Clinique com uma qualquer RH Clinique. Estas empresas abutre funcionam acrescentando uma sigla ao nome de uma marca de prestígio, precisamente com o objectivo  de criar confusão! Algumas dedicam-se a negócios do mesmo ramo da empresa original, outras enveredam por ramos radicalmente diferentes, como suspeito que seja este caso.
Se quer que seja sincero, digo-lhe que o que  me encanita é ver estas usurpações permitidas, quando deviam ser severamente punidas.
Quanto à Clinique agiu como seria de esperar. Com celeridade e clarividência, para evitar confusões.
Agora, ainda mais a sério...
Sabe que há empresas  "muito sérias" que, embora não o explicitem, atribuem especial atenção aos atributos físicos das candidatas, na hora de fazer a selecção? E quer a minha opinião... não vejo grande mal nisso. Desde que fui atendido numa loja de pronto a vestir por uma baleia com calças a escorrer-lhe pelas coxas, deixando a cuequinha à mostra, nunca mais lá entrei e passei a ser acérrimo defensor de que o pessoal de front desk deve, no mínimo, ter boa apresentação e vestir-se de forma correcta.

Você fechou as pernas com firmeza?



Não é só em Portugal e no Brasil que os juízes têm posições um bocadinho... digamos... exdrúxulas.
Também na vizinha Espanha, ( quiçá  por toda a Europa...)  há juízes/as que não percebem exactamente a sua função e depois fazem perguntas destas

Tout passe, tout casse, tout lasse...

Ouvi dizer que corre por aí uma petição para impedir o encerramento do Jamaica.
Confesso que já estou um bocado cansado de petições salva vidas. Como contribuinte salvei imensas salas de cinema que não servem para nada, porque as pessoas não vão ao cinema e não foram encontradas actividades alternativas que tornassem aqueles espaços apelativos e rentáveis.
Doeu-me ver o enceramento do Quarteto, do Londres ou do King, porque naquelas salas vi alguns dos filmes da minha vida;
Doeu-me chegar um dia a Portugal e  ver um Mc Donalds no lugar onde estava a Colombo, e uma Zara no lugar do Monte Carlo, porque ambos os locais faziam parte da minha história de vida;
Dói-me passar pelo Europa e concluir que de nada valeu a Câmara ter aplicado uma parte dos impostos, taxas e derramas dos lisboetas na tentativa de recuperação daquele espaço. Os únicos beneficiários de tão ruinosos investimento foram os agentes imobiliários. 
Nada tenho a opor quando a CML, em articulação com os proprietários de determinados espaços, concede alguns incentivos, para que se mantenham abertos. Creio que terá sido a solução encontrada  para a Mexicana ou a Versaillees. Também me parece que a autarquia tudo deve fazer para preservar espaços que fazem parte do património cultural e arquitectónico da cidade, como é o caso do Martinho da Arcada, por exemplo.
Não me parece é normal que a autarquia se arvore em defensora de uma parte do património da cidade que tem apenas valor sentimental para algumas gerações. Como acontece com os cinemas e cafés  a que aludi.  Ou com a Jamaica e o há muito extinto AdLib.
Somos nós, cidadãos, que escolhemos através do voto o tipo de sociedade em que queremos viver. Ao fazê-lo, devemos conhecer as suas regras. Pelo nosso comportamento diário, escolhemos viver na sociedade do efémero, da novidade, do usa e deita fora do  onde não há lugar a saudosismos. 
"Tout passe, tout casse, tout lasse...",dizem os franceses. Uma expressão perfeita para a sociedade em que vivemos.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Oferta especial para o Dia do Pai


Sábado é Dia do Pai. Todos os bons filhos deveriam oferecer um presente destes aos pais.

Quando acordarem será tarde...

Embora Passos Coelho considere uma eventual privatização do Novo Banco uma estupidez, porque o Estado já tem a CGD e não precisa de  outro, isso só demonstra a sua ignorância. Em Portugal, há gente ( incluindo banqueiros, economistas e políticos de direita) genuinamente preocupada com a possibilidade de os bancos portugueses ficarem na mão de espanhóis.
No entanto, há coisas piores que se estão a passar na Europa e me aterrorizam, por revelarem uma confrangedora incompetência dos líderes europeus.Pagar a um ditador turco sem escrúpulos, para a livrar dos refugiados e imigrantes ou  chamar  privatização à venda  das suas riquezas energéticas ao estado chinês. são apenas dois exemplos recentes.
É este o estado da Europa, mas as pessoas continuam adormecidas e alheadas com o que se passa à sua volta, como se a Europa não se estivesse a desmoronar todos os dias.
Quando isto der o estoiro completo não faltará quem se espante, desespere e reclame.
Tivessem acordado mais cedo!

A queda de um mito. Ou talvez não...



Mesmo entre os detractores de Passo Coelho, há quem garanta que apesar de todos os seus defeitos, o ex-PM é um homem honesto.
Nem as fugas aos impostos e à segurança social, nem as verbas do FSE aplicadas em cursos de formação para fantasmas voadores, nem a nebulosa relação com a TECNOFORMA os fazem mudar de ideias. Tampouco os impressiona a dúbia  declaração de "exclusividade"  de Passos enquanto era deputado e menos ainda a forma como protegeu Relvas ou tentou reabilitar Dias Loureiro.
A esses indefectíveis crentes que avalizam a honestidade de Passos como um dogma, aconselho que meditem nas palavras de Passos Coelho na Comissão Permanente do PSD, em defesa da sua  ex-professora , convidada pela Arrows para administradora não executiva:
Não há ilegalidade nem imoralidade. Está a ser atacada por saberem que se ela quiser é um activo político com futuro. Não satisfeito, Passos ( que terá aconselhado Maria Luís Albuquerque a aceitar o convite, quando ela lhe foi pedir uma opinião) garantiu que no lugar dela teria feito o mesmo. Ou seja: assim que alguém lhe faça um convite jeitoso, Passos não hesitará em aceitar.
Apesar de todas as evidências, admito que ainda haja por aí alguns indefectíveis que só mudariam de opinião se PPC, depois de aceitar um convite de uma empresa com implicações idênticas às de MLA, anunciasse que se voltaria a candidatar a PM  nas próximas legislativas. E mesmo assim, alguns talvez ainda encontrassem argumentos  para continuarem a defender a honestidade e integridade do homem de Massamá.
Um mito bem construído pela comunicação social, é sempre muito difícil de derrubar.

quarta-feira, 16 de março de 2016

O vosso lugar é na pocilga, badalhocos!


Esta turba de bêbados holandeses anda a especializar-se em acções próprias de bárbaros, que não os distinguem muito dos fanáticos do ISIS.
Ano passado, em Roma,  vandalizaram a Piazza di Spagna. Ontem, em Madrid, comportaram-se como porcos na pocilga e humilharam um grupo de mendigas.
O PSV  fez bem em demarcar-se destas bestas luteranas, mas não consegue apagar a imagem de que é um clube que leva sempre consigo uma cambada de mentecaptos!
( Veja o vídeo e confirme!)

Ilusão de óptica




Nos últimos dias, fartei-me de ver e rever imagens das manifs no Brasil. Não é que me interesse muito pelo que as nossas televisões vão dizendo  ( não gosto de ser manipulado), mas havia algo que queria confirmar. Não  haveria pretos nas manifs? Quiçá um índio? É que num país multicultural, não fazia sentido para mim que as imagens só mostrassem brancos, alvíssimos ou tisnados pelo sol de Ipanema, da Barra da Tijuca ou de Florianópolis. Não me parecia nada curial que mesmo na alvar e elitista S. Paulo, não haja pretos descontentes.
Parei imagens, fiz zoom, mas pretos (mesmo pretos, não mulatos) não havia.  De índios nem vestígios. Esta manhã, ao ler o Publico on line  descobri que afinal havia mesmo pretos na manif. Não protestavam. Apenas desempenhavam o papel de figurantes na grande ilusão sociológica que é o Brasil.

O convite


Alguns à esquerda indignaram-se. Outros à direita rebolaram-se de gozo. Aconteceu quando António Costa convidou Cavaco Silva para presidir a um conselho de ministros, acto que alguns interpretaram como a tentativa de Costa enterrar o machado de guerra nas relações com Cavaco.
Não me rebolei de gozo, mas também não me indignei. Classifiquei o convite de Costa como uma pequena vingança do nosso PM.
Ele sabe perfeitamente que Cavaco é um homem rancoroso e, mesmo que Costa fizesse o pino na marquise do Possolo, ou  um duplo mortal encarpado com pirueta na piscina da casa da Coelha, Cavaco nunca lhe perdoaria a afronta de ter sido obrigado a empossar um governo de esquerda. Vai daí, Costa utilizou a sua sabedoria oriental e convidou o então PR para presidir a um conselho de ministros cuja temática era o mar. Sim, esse mesmo mar que Cavaco desprezara enquanto pm, era-lhe servido como tema de um inédito conselho de ministros.
O convite foi uma humilhação, mas a estratégia de Costa falhou, porque nem  Cavaco, nem o seu séquito de apoiantes perceberam a mensagem.

terça-feira, 15 de março de 2016

Bem prega Frei Tomás...


Fartinho do spam, do marketing directo e outras técnicas indecorosas de uma associação de consumidores, dedico à DECO e sua editora EDIDECO ( eles dizem que não têm nada a ver uma com a outra, mas isso é treta…) este post.

- Eh pá, já não suporto tanto spam no meu e-mail! Hoje apaguei mais de 100...
- Quem te manda andar a navegar por onde não deves?
- Que é que queres dizer com isso?
- Nada, esquece...
- Eh pá e há alguns que são certinhos. A DECO, por exemplo, manda-me um de 15 em 15 dias, a oferecer-me prémios se assinar as revistas deles.
- A DECO? Mas isso não é uma associação de consumidores?
- É...
- Mas as associações de consumidores não são contra o spam?
- São...
- E enviam spam?
- Enviam...
- Julgava que só faziam aqueles encartes nos jornais a oferecer prémios e mesmo isso já achava estranho, vindo de uma associação de consumidores... Ainda me lembro de eles terem criticado as selecções do Reader’s Digest por fazerem a mesma coisa....
- Também fazem isso. E telefonemas a horas impróprias.
-  Eu cá pus um autocolante na caixa do correio a dizer que não queria publicidade, mas põem –ma lá na mesma . Vai tudo para o lixo, nem leio. O pior é quando vou de férias. No regresso é um pandemónio de papel!
- Olha lá, nunca te telefonaram para casa a impingir as revistas?
- Quem? A DECO?
- Sim... a mim já telefonaram várias vezes.
- Pois, agora que falas nisso também me lembro de a minha filha ter falado um dia destes que telefonaram à hora do jantar a perguntar se não queríamos assinar as revistas da DECO. Davam os prémios e não sei que mais, mas acho que não era da DECO... era da Edideco
- É mais ou menos a mesma coisa...
- Também é uma associação de consumidores?
- Não, é uma editora.
- Que vende revistas de consumidores da marca DECO, não é?
- É...
- E isso não te faz confusão?
- Fazer faz, mas como não assino, quero lá saber!
- Eu cá por mim gostava de saber como se pode actuar contra as empresas que fazem spam
- Queixa-te a uma associação de consumidores!
- A quem? À DECO?
- Pois... parece que não há outra!
- Ah! Já percebi...

Direitos dos Consumidores: who cares?



Assinala-se hoje o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores.
Se exceptuarmos o desrespeito crescente pelos direitos humanos,  poucos direitos terão sido tão menosprezados nos últimos anos, como os direitos dos consumidores. Não me refiro apenas a Portugal, mas também à Europa e ao mundo em geral
Não vos vou maçar com a história da defesa do consumidor. Sobre o assunto já escrevi dezenas de artigos,reportagens e alguns trabalhos académicos, que poderão encontrar por aí.
O balanço possível - desde a  Lei 29/81 e sequente criação do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, em 1983, até à esconsa Direcção Geral do Consumidor hoje existente e considerada por muitos imprestável- é que o consumismo derrotou o consumerismo.
Nos primeiros 20 anos (até 2001) foram claros os sinais de um investimento efectivo no consumerismo, através de acções de formação e informação dos consumidores e um forte apoio às autarquias em matéria de defesa do consumidor. Foi também produzida legislação visando uma protecção efectiva dos direitos dos consumidores  e o  enquadramento do INDC na orgânica do governo, ( integrado no ministério da qualidade de vida e posteriormente no do ambiente) deixava bem claros os objectivos das políticas de defesa do consumidor.
O desinvestimento na defesa do consumidor começou em 2001, mas foi mais notório a partir de 2005. Curiosamente, foi Sócrates ( que teve um papel importante como secretário de estado do ambiente e defesa do consumidor no governo de Guterres) a tomar duas medidas, enquanto primeiro ministro, que desvirtuaram as políticas da defesa do consumidor. A primeira, foi a inserção do Instituto do Consumidor no ministério da economia, decisão que tornava claras  as prioridades dos governos de Sócrates: subordinação da defesa do consumidor às regras da economia. A segunda foi a transformação do Instituto do Consumidor em Direcção Geral, o que lhe retirou poderes.
 Nem o esforço de tornar mais transparentes os serviços financeiros, nem o investimento na literacia financeira dos consumidores, conseguiram escamotear que o propósito de Sócrates  era prosseguir a política de anteriores governos: assumir que a educação e informação do consumidor,  eram tarefas para as associações de consumidores, cabendo ao Estado um papel residual nessas matérias.
Não vou opinar sobre a decisão de retirar da esfera do Estado o papel de dinamizador do consumerismo, mas é iniludível que tal decisão, extensiva ao espaço comunitário europeu, resulta das políticas liberais e das imposições da globalização.
Aos governos ficou reservada o papel de produtor de leis que ora são confusas e  contraditórias ora são tão exaustivamente regulatórias, que até determinam a curvatura dos pepinos ou o diâmetro dos tomates.  
Noutros casos ainda são ineficazes e simplesmente não se aplicam por falta de fiscalização. Os operadores económicos agradecem.
Os direitos dos consumidores continuam a estar plasmados na CRP e em múltipla legislação específica avulsa a eles se faz alusão, mas a sua efectiva  aplicação deixa muito a desejar.
Neste Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores é obrigatório reconhecer que a sociedade de consumo triunfou, ao submeter os direitos dos consumidores às regras dos mercados e às leis da economia. Também o discurso político mudou. Já não se fala em consumir com consciência, mas sim em consumir para promover o crescimento da economia.
Assistimos, enfim, a uma perversão dos direitos dos consumidores. Em vez de comemorar a data devíamos, antes, lamentar a sua ineficácia.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Crónica para um sr.Feliz


As minhas memórias de Nicolau Breyner estão mais relacionadas com o homem, do que com o actor. Quando o conheci, ainda ele não era sr Feliz, nem reconhecido pelo grande público. Foi-me apresentado pela Beatriz Costa num bar  do meu irmão, onde  a Beatriz ia normalmente às segundas feiras ou, mais esporadicamente, depois dos espectáculos de revista para tomar um copo e comer qualquer coisa, porque ficava muito perto do Hotel Tivoli onde ela vivia.
Nicolau passou a ser também frequentador assíduo do bar e pude constatar que, além de ser uma pessoa muito bem disposta, era de uma grande generosidade.
Foram muitas as noites em que ele, inadvertidamente, fez prolongar a hora de encerramento muito para além do permitido e razoável,  o que por vezes resultou em multas que abalavam as finanças do bar.
Mais do que as histórias que contava, era a maneira como as tratava que nos prendia  às cadeiras e aos copos.
Estava eu a cumprir serviço militar em Tomar, quando surgiu a dupla  sr. Feliz/sr Contente em " Nicolau no País das Maravilhas". Devo confessar que apesar de o programa me agradar,  a minha reacção inicial à dupla não foi nada positiva. Anos depois, rendi-me à versatilidade do Nicolau   actor de cinema. Foi o cinema, onde desempenhou  papéis absolutamente notáveis, que me deu a conhecer o Nicolau actor, uma mescla de humorista e dramaturgo que marcou várias gerações.
O que nunca deixei de apreciar foi a alegria de viver, a boa disposição que irradiava e as qualidades humanas de Nicolau Breyner, injustamente apelidado de reacionário e fascista por revolucionários de pacotilha.
Na hora da sua partida, é esse Nicolau generoso, optimista,  criativo, apaixonado pela vida e confiante no próximo, que hoje recordo com mágoa. Fazem falta neste país pessoas que amem a vida, sejam felizes e  tenham capacidade de fazer felizes os que o rodeiam, puxando pela sua auto estima.



"Somos um país de medricas"





Acabei de ler uma entrevista de  J.Rentes de Carvalho, cujo último livro, " O Meças" vendeu seis mil exemplares em apenas duas semanas.
Duas passagens da entrevista me chamaram especial atenção, porque eu expressei aqui no CR a mesma opinião e fui fustigado na caixa de comentários.
Como sei que alguns dos que me criticaram até são fãs de Rentes de Carvalho, aqui ficam as duas passagens:
 
Somos um povo sem palavras, por tantos séculos de miséria e analfabetismo?

 Somos, e por isso queremos ter coisas. De preferência coisas caras que preencham esse vazio, que deem um sentido aparente ao caos interior. Por exemplo, na Holanda não há carros de luxo. Quem tem carros de luxo são os traficantes de droga e as prostitutas e os parolos. As pessoas normais têm um utilitário. Aqui essa necessidade de mostrar, de exibir, esse parolismo começa logo nos políticos. Ser político à portuguesa implica logo ter um carro de luxo. É uma coisa triste mas que depois só me dá vontade de rir.

 Não sabemos conviver com a nossa maldade natural, a nossa perversidade, achamos sempre que somos os bons da fita?

Somos um país de medricas, de gente subserviente, assustada. Porque somos carinhosos e julgamos sempre que os outros sabem mais, têm mais. Um português abertamente arrogante é um sujeito que sai fora da norma. Talvez seja um medo psicanalítico do pai…
(...)

domingo, 13 de março de 2016

Bibó Porto (66)- Mulheres à moda do Porto



Como esta semana se celebrou o Dia da Mulher, decidi dedicar este  Bibó Porto a uma dezena de mulheres ligadas ao Porto, que se destacaram em diversas actividades.



Sophia de  Mello Breyner ( escritora)

Agustina Bessa Luís ( escritora) Embora nascida em Vila Meã, Amarante, foi no Porto que viveu quase toda a sua vida

Guilhermina Suggia ( violoncelista)

Maria Gambina ( estilista)


Rosa Mota ( atleta)

Sara Sampaio (  top model)


Aurélia de Sousa (pintora)


Raquel Freire ( cineasta)

                                                                  Marta Madureira (ilustradora)


Olga Cardoso, a amiga Olga,( radialista) que com António Sala animou as manhãs da Renascença.


sábado, 12 de março de 2016

As mulheres têm fios desligados


( Ainda no âmbito das comemorações do DIM)

"Há uns tempos a Joana,
 - Pai, acabei um namoro à homem.

Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
 -Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.

O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes.

Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra.

Em segundo lugar são incapazes de
 - Já não gosto de ti
 de
 - Não quero mais

chegam com discursos vagos, circulares
 - Preciso de tempo para pensar
 - Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas

ou declarações do género de
 - Tu mereces melhor do que eu
 - Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
 - Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta

e aos amigos
 - Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
 - Custou-me mas foi
 - Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
 - Chora um dia ou dois e passa-lhe

e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres.

Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça.

Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão.

Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
 (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)

ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
 pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?

Lembro-me de um sujeito que explicava
 - O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo

e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.

O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
 - As mulheres têm fios desligados

e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez.

Meu Deus, que pena me dão as mulheres.

Se informam
 - Já não gosto de ti
 se informam
 -Não quero mais
 aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos.

A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham.

Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
 (para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
 - O problema não está em ti, está em mim
 a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre.

Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns.

Dos meus amigos.
 De Shubert.
 De Ovídio.
 De Horácio, de Virgílio.
 De Velásquez.
 De Rui Costa.
 De Einzenberger.

Razoável, a minha colecção.

Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres.

E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.

Fui
 (espero que não muitas vezes)
 rasca.

Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais.

Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim.

A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros.

O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta.

Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?

Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
 - Mereces melhor que eu
 levou como resposta
 - Pois mereço. Rua.

Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda.

Nem uma lágrima para amostra. Rua.

A mesma lágrima para amostra. Rua.

A mesma amiga para uma amiga sua
 - O que faço às cartas de amor que me escreveu?
 e a amiga sua
 - Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.

Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome.

Perguntei à minha amiga
 - E depois de ele se ir embora?
 - Depois chorei um bocado e passou-me.

Ontem jantámos juntos.

Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto.

Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me.

Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.
(Crónica de António Lobo Antunes in Visão)