terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

De Hong Kong ao Saldanha

Parece-me óbvio que os confrontos entre polícias e vendedores ambulantes de comida de rua em Hong - Kong, pouco ou nada tiveram a ver com uma infracção à legislação sobre saúde, ou higiene alimentar.
É certo que em alguns países mais evoluídos também começa a haver preocupações com a saúde e a higiene alimentar, mas  o que se passou durante o Ano Novo chinês tem mais a ver com feridas não saradas desde as manifestações de estudantes em protesto contra os critérios impostos por Pequim na eleição (?) do novo governador. Sobre esses meses de grande tensão, muito escrevi aqui. Sobre o que se passou na última semana, recomendo-vos que leiam o que escreveu o Pedro.
Não tendo nada de relevante a acrescentar ao que escreve o Pedro, opto por aproveitar o  episódio de Hong Kong para abordar um tema que me parece bastante pertinente, mas tem sido descurado desde que a crise se instalou em Portugal e o governo dos lacaios se deixou manipular por  um grupo de agiotas e proibiu a ASAE de actuar e cumprir as suas obrigações.
A displicência com que o tema da higiene alimentar tem sido tratado em Portugal nos últimos anos devia merecer uma grande reflexão. No entanto, os cidadãos reagem com indiferença a toda a porcaria que se vai vendendo por aí. E muitos até a consomem porque... é barata!
Tenho a certeza que se a ASAE fizesse uma acção de fiscalização às roulottes e outros locais onde, noite fora, se vende comida,  apreendesse produtos e detivesse alguns mixordeiros, a opinião pública protestaria e muitos diriam mesmo que a actuação da ASAE foi infame e violenta. Talvez houvesse mesmo tumultos, agressões e confrontos como em Hong Kong. Excepto se os detidos fossem chineses ou indianos, claro. Como aliás  aconteceu  há anos quando a ASAE foi largamente aplaudida e elogiada pela comunicação social depois de encerrar  diversos restaurantes de comida chinesa, alegadamente por falta de higiene.
Está na altura de voltar a permitir que a ASAE exerça os seus poderes.  Em nome da higiene alimentar e da  saúde pública. Voltarei ao assunto em breve, a propósito da descida do IVA...

  

1 comentário:

  1. Os vendedores de bolas de peixe (iu tan) de Mongkok exercem aquela actividade há anos.
    De repente têm de sair do local.
    Esse pequeno rastilho foi o suficiente para atear um fogo que teria de acontecer tarde ou cedo.
    E que é muito provável se repita tais são as fracturas na sociedade de Hong Kong.
    Aquele abraço

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