segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O CDS está no bom caminho

Assunção Cristas, futura líder do CDS/PP, deixou um calote no ministério da agricultura, de 340 milhões de euros.
Confrontada com a situação, não teve quaisquer problemas em reconhecer o calote e foi lesta a dizer que foi um risco assumido e combinado com Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. Despachadinha e desempoeirada como qualquer caloteiro que se preze, adiantou que se Capoulas Santos não conseguir resolver o calote é porque não tem peso político.
Resumindo, na opinião de Cristas o facto de ter gasto em apenas um ano as verbas para ajudas agroalimentares que a UE disponibilizou para Portugal até 2019 e ainda mais 340 milhões de euros, é um problema que se resolve com peso político.
Mas Cristas não se limitou a gastar o dinheiro que não tinha. Deixou um calote de 20 milhões às seguradoras e 24 milhões destinadas ao Alqueva.
O CDS está bem entregue e no bom caminho. Cada vez mais parecido com os caloteiros laranjas e com uma líder cheia de lata e falta de vergonha, apostada em honrar a herança do homem dos submarinos.

Os Vampiros

Durante quatro anos e meio defenderam ferozmente a austeridade e foram os melhores amigos dos bancos e das agências de rating;
Depois deste governo tomar posse, enquanto o OE não foi aprovado, passaram os dias a ameaçar com o chumbo de Bruxelas;
Depois da aprovação, passaram a garantir que em Abril viriam medidas de austeridade terríveis e que os juros da dívida estavam a subir, porque as agências de rating não gostavam do OE;
As agências de rating elogiaram o OE, os juros desceram e voltaram à normalidade, lançaram o alarme de que em Abril, com as medidas de austeridade que aí hão-de vir, os partidos de esquerda deixarão de apoiar o  governo;
Agora estão à beira da falência e pedem às pessoas para comprar o jornal.
Tenho pena, mas para esse peditório de vampiros já dei. Aprendam a ser jornalistas isentos, fundem um jornal credível, divulguem junto dos leitores quais os interesses a que estão ligados  e depois conversamos.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Bibó Porto (65): Vamos ao Palácio?




Quando começava a ecoar nos ares a pergunta “ Vamos ao Palácio?”, era como se um pregão me anunciasse a chegada do Verão.
 Nos anos em que não havia exames, era sinal de que as férias iam começar, nos outros um aviso para acelerar os estudos, porque dali a poucas semanas seria posto à prova o meu trabalho durante os anos precedentes.
Os leitores do Porto sabem  bem o significado da pergunta “ Vamos ao Palácio?” mas, aos que aqui aportam vindos de outras paragens, devo uma explicação.
Durante as férias grandes , as idas ao Palácio durante a tarde, com amigos, eram frequentes e uma das raras oportunidades que se ofereciam, a muitos jovens adolescentes, de traquinar ao ar livre em plena liberdade.
“Ir ao Palácio” era ir à Feira Popular. Era comer farturas, jogar matraquilhos, andar nos carrinhos de choque,  passear na Av das Tílias, catrapiscar um namorico, responder à chamada quando uma mulher corpulenta  convidava “ Oh freguês, vai um tirinho?”,  comer um  “Palino” , ou devorar um balde de pipocas, sem ter de ouvir os alertas dos progenitores para eventuais excessos.
À noite, normalmente, “Ir ao Palácio” tinha outro significado. Eram idas em família, onde se incluía um passeio na Avenida e uma fuga com hora marcada e uns tostões extra no bolso, enquanto os adultos se sentavam  na esplanada a tomar qualquer coisa. Antes do regresso, fazia-se a romaria pelas chocolateiras, fazendo furos na expectativa da bola dourada, prémio supremo a que se tinha direito.

Alguns leitores já terão porventura perguntado por que raio no Porto se chamava Palácio à Feira Popular.  Ora, a resposta a essa magna questão, é o objectivo do “Bibó Porto” desta semana.
Apesar das peculiaridades do linguarejar nortenho, Feira Popular não é sinónimo de Palácio. E, ao contrário do que eu pensei na primeira vez que lá fui, na companhia dos meus pais, também não havia no recinto nenhum palácio encantado, povoado por princesas, bruxas e duendes.   Por isso, nessa primeira visita ao Palácio, massacrei os meus pais com a pergunta: “Quando é que vamos ao Palácio?” . Só no regresso a casa  a minha mãe se apressou a dar resposta à minha insistente pergunta. Pegou no álbum de fotografias e mostrou-me este Palácio de Cristal.

Vista dos jardins e  do interior




Que eu não vira porque, em seu lugar, havia então um enorme cogumelo ( que se viria a chamar Rosa Mota), em cujo interior se praticavam desportos, nomeadamente hóquei em patins, modalidade de que me tornei fão desde que em 1956, com 6 aninhos apenas, me juntei a  mais alguns milhares de gargantas e gritei a plenos pulmões “ Viva Portugal!” depois de uma vitória estrondosa sobre os inimigos espanhóis, que permitiu aos bravos lusos  conquistar o campeonato do mundo da modalidade, coisa que deveria ser tão extraordinária que me senti na obrigação de fixar, para toda a eternidade, o cinco das “quinas”: Moreira, Vaz Guedes, Adrião Velasco e Bouçós. Particularidade que também nunca esqueci, é que destes cinco hoquistas, quatro eram moçambicanos. Razão porque à  saída perguntei ao meu pai:
“Então eles são de África e nenhum é preto?”
Ainda hoje recordo o olhar fulminante que o meu  pai me devolveu e como me obrigou a estugar o passo até ao carro, onde me deu uma rabecada por tão insolente pergunta.

Aqui chegados, a  maioria dos leitores já terá desistido da leitura mas, para os resistentes, explicarei que o Palácio de Cristal  foi construído em 1865 para albergar a 1ª Exposição Internacional Portuguesa, uma iniciativa de comerciantes da cidade.
Dizem os documentos da época, que a exposição se enquadrava no âmbito das grandes exposições mundiais, rivalizando com a de Londres ( Hyde Park) e Paris e o Palácio de Cristal foi construído à semelhança do Crystal Palace londrino.
Ora era nos jardins do Palácio de Cristal, demolido em 1951( para dar lugar ao tal cogumelo que se viria a chamar Rosa Mota) que todos os anos tinha lugar a Feira Popular do Porto.
Ano passado fiz uma visita de reconhecimento aos jardins do Palácio de Cristal, onde tirei as fotos que aqui publico.


Recomendo aos visitantes da minha bela cidade do Porto, uma visita demorada, em dia primaveril ou estival, para desfrutar  da frescura, ver as avestruzes,  apreciar as estátuas, os lagos e, acima de tudo, maravilhar-se com a magnífica vista sobre o Douro.
Ao final da tarde, aproveite e vá tomar um vinho do Porto aqui, enquanto vê o pôr do sol.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Toma lá, para não seres parvo!


Tenham um excelente FDS

Penso eu de que...



O cartaz do Bloco é uma cretinice e uma infantilidade? É. Há razões para tanta indignação?
Sim, se o objectivo for atacar um dos partidos que apoiam o governo, com intenções claras.
Não, se as pessoas que agora criticam o BE se indignaram pela contestação dos muçulmanos a cartoons e capas do Charlie Hebdo, retratando Maomé.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

E agora, Pedro?

Para quem ainda tinha dúvidas, Bruxelas veio esclarecer: o negócio  de venda da TAP, foi uma ilegalidade e uma vigarice do anterior governo e deve ser revertido


A pandilha

Já perdi a conta ao número de palhaços nomeados para cargos de chefia pelo anterior governo que, depois de terem dito cobras e lagartos do PS e jurado a pés juntos que se recusariam a trabalhar com um governo PS, se mantêm agarrados como lapas aos seus lugares.
Ver como alguns (Lamas, por exemplo) apesar humilhados pelos ministros da tutela, se recusam a abandonar os cargos, denota à saciedade a estirpe e o carácter do laranjal que medrou à sombra de Passos. Uma pandilha de inúteis!
É demasiada laranja podre para um país tão pequeno.

Barbara, Carrilho, a juiza e os pré-conceitos

Quando pensei escrever este post, o meu objectivo era tecer uma forte crítica à imprensa cor de rosa que divulgou o "depoimento" do filho do casal, cuja privacidade está assegurada por lei, uma vez que a criança tem apenas 12 anos. Depois pensei melhor. Os jornalistas que tiveram acesso à conversa apenas se aproveitaram da fraqueza de alguém que ( provavelmente a troco de algo) lhes passou a informação desejada.
Sabendo-se quem estava na sala no momento em que o miúdo prestou declarações, bem como as pessoas que a elas tiveram acesso, no âmbito do processo, não será difícil descobrir quem pôs a boca no trombone. Só que, a exemplo do que aconteceu noutros processos mediáticos,  ninguém parece estar interessado em descobrir, acusar e punir os "bufos". Assim sendo- e porque as fugas de informação para a comunicação social se tornaram banais- não vale a pena perder tempo com este tema e mudo de agulha.
Este julgamento está a ser muito difícil de julgar. Depois de a defesa de Manuel Maria Carrilho ter pedido o afastamento da juíza que tinha o caso em mãos, agora foi a vez de o MP, agastado com as palavras dirigidas pela juíza Joana Ferrer a Bárbara Guimarães,  a acusar de não ser imparcial e pedir a sua substituição.  Entretanto, a própria juíza já pediu escusa.
Nada tenho a ver com nenhum dos intervenientes no processo, mas gostaria  que as palavras dirigidas a Bárbara Guimarães pela juíza, fossem analisadas sem pré-conceitos.
Suponhamos que Joana Ferrer, em vez de se dirigir a Bárbara Guimarães nos termos que vêm sendo relatados pela comunicação social, tinha  dito a  Manuel Maria Carrilho, antes de o julgamento se iniciar, que ele era um monstro. Haveria tanta indignação?
Por outro lado, a chamada de atenção a Barbara  Guimarães por nunca se ter queixado não pode ser interpretada como um alerta  para que outras mulheres se consciencializem de que é preciso agir rapidamente em casos de violência doméstica?
Longe de mim estar aqui a fazer juízos de valor. Apenas pretendi, com este post, alertar as pessoas para a facilidade com que embarcamos na onda do politicamente correcto, veiculada pela comunicação social. Trate-se de violência doméstica, pedofilia, racismo ou xenofobia, há uma série de pré-conceitos quase imaculados, que não se podem contrariar.
Como se não houvesse violência doméstica feminina, mães que usam os filhos para se vingarem dos maridos, acusações de pedofilia fantasiosas, pretos racistas ou refugiados  criminosos.
Pensar é uma necessidade e reflectir um  dom. Evitemos os  pré-conceitos, dispamo-nos de preconceitos e usemos as capacidades de pensar e reflectir antes de julgar.  

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Notícias do melhor país do mundo



Há quem diga que este é o melhor país do mundo para se viver. Acredito. É preciso é ter um estômago muito resistente para ver estas imagens

A bolha do Unicórnio




Na semana passada fui ver "A Queda de Wall Street". À saída lembrei-me de uma conversa que há anos, quando a crise financeira  estava no auge, tive com uma colega da Rádio Renascença, no final de um trabalho  numa empresa muito ecológica dos arredores de Lisboa.
No regresso comentávamos  como a bolha imobiliária  despoletara a crise financeira e a minha colega vaticinou que a próxima bolha a rebentar seria, precisamente, a da economia verde.
Argumentei que para isso seria preciso um desenvolvimento muito rápido da indústria verde, o que não me parecia muito plausível. Não tinha dúvidas, no entanto, que depois da bolha das empresas dot.com  em 2001e do imobiliário, em 2007 uma terceira bolha se estaria a formar e rebentaria com estrondo quando menos esperássemos.
Cinco ou seis anos depois desta conversa,  continuo a duvidar que, a curto prazo, tenhamos surpresas desagradáveis provenientes da economia verde. Não me parece, sequer, que se possa falar ainda de bolha.
 Hoje em dia, apostaria que a próxima bolha a rebentar será a das start ups. Ou, para ser mais preciso, a bolsa dos Unicórnios ( nome dado às start ups que atingem um capital de 1 milhão de dólares e passam a ser cotadas em bolsa).
Passo a explicar como fundamento esta suspeita.

Empreendedorismo rima com modismo e as bolhas formam-se nesse contexto. Não é uma novidade da evolução tecnológica, é uma consequência da economia de mercado. Tanto atinge empresas a operar on line, como empresas que operam em espaços físicos.  Olha-se para a proliferação de  padarias em Portugal e  não será muito arriscado vaticinar que nos próximos anos vamos assistir ao encerramento de dezenas de padarias. A exemplo do que aconteceu no final dos anos 80, princípio de 90 com as croissanterias. Os consumidores estão sempre à procura de novidades ou excliusivos e saturam-se quando a oferta se massifica, ou a marca se vulgariza. Um exemplo bem actual é o gin. Depois de um período de euforia, os consumidores estão a trocar o gin pelo rum, obrigando a uma adaptação da oferta por parte dos estabelecimentos.
Por ora as start ups, embora muito centradas nos serviços, têm apresentado uma variedade de opções que as torna distintivas umas das outras, mas não me parece que  assim vá ser durante muito mais tempo. O modismo levará a que outros empreendedores apostem em segmentos que dão grandes lucros e, em vez de apostas inovadoras, copiem o que já está feito, introduzindo algumas alterações. ( Como acontece nas padarias, ou sucedeu com as croissanterias). A partir daí, os investidores privados  ou se desinteressam, ou exigem um retorno cada vez mais rápido. Por outro lado quando uma start up entrar no universo das Unicórnio, a cotação em bolsa não deixará de atrair o interesse de especuladores. Daí ao estoiro, não costuma demorar muito tempo. Basta que alguns "especialistas"  atentos ao crescimento das start ups comecem a estudar os sectores mais vulneráveis e  apostem no seu estoiro.   
Como se pode ver com o estouro da bolha do imobiliário, em "A Queda de Wall Street".  O que espanta é que só um tipo tenha previsto o que iria acontecer. Era tão óbvio, que qualquer leigo na matéria poderia vaticinar o estoiro. Ou talvez não... afinal, na economia, os agentes olham essencialmente para o comportamento dos números e esquecem as pessoas. Quando alguém pensa fora do quadrado, está o caldo entornado...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Quem ajuda este casal sem abrigo?

Atenção, PAN! A Praia das Maçãs chama por vós



Em qualquer parte do mundo, este sinal significa "proibida a entrada a cães".
Ou melhor: em quase todo o  mundo, já que a Praia das Maçãs parece ser uma excepção.
Embora este sinal esteja colocado de forma bem visível à entrada da praia, os moradores e utilizadores daquela praia ignoram-no sistematicamente.
Ainda este fim de semana, ao início da tarde, havia mais de duas dezenas de cães a passear na praia. A maioria deles sem trela, apesar de haver vários banhistas.
Devo dizer que, pelos dias de hoje, frequentar aquela praia  é um acto de grande coragem. O areal está um nojo e  os cães que são trazidos aos pares e trios por gajos com ar de mentecaptos e fulanas com ar de tias falidas, contribuem para as conspurcar pois, logo que chegam à praia, os caninos começam a fazer as suas necessidades líquidas e sólidas em pleno areal, perante o ar impávido dos seus guias.
O PAN, tão diligente - e bem- a defender os direitos dos animais, devia preocupar-se em educar também os seus proprietários. Para começar, podiam ir um fim de semana para a Praia das Maçãs,  educar a catrefada de energúmenos que não sabem lidar com os animais e desrespeitam os mais elementares direitos dos cidadãos. BADALHOCOS!





terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Agora, o povo unido...

O dia 23 de Fevereiro de 2016 será uma data histórica para a democracia portuguesa. Pela primeira vez, PCP e BE votaram favoravelmente um OE do PS.
Para além deste facto inédito, os dois dias de debate sobre o OE 2016 não só permitiram concluir que PCP, PEV e BE perceberam o erro de 2011 - e não o querem repetir - como mostrou  uma esquerda unida contra a tralha da direita.
Será fundamental manter essa união, pelo menos até ao OE 2018. Sob pena de a direita voltar ao governo e cumprir a promessa de vingança sobre os trabalhadores. Se  os quatro anos e meio em que a direita esteve no poder foram terríveis, um eventual regresso de PSD e CDS ao poder seria absolutamente catastrófico para quem vive do seu trabalho.
Espero que Jerónimo de Sousa consiga meter na cabeça de uns irredutíveis mamutes militantes, que atacar o PS e pedir a queda do actual governo é, neste momento, uma irresponsabilidade que prejudicará irremediavelmente centenas de milhares de trabalhadores portugueses.

Spotlight: o lado B




Fui ver Spotlight, no dia em que se ficou a saber que o Papa João Paulo II manteve, durante décadas, correspondência  com uma filósofa polaca.
Abstenho-me de comentar alguns títulos que apareceram na comunicação social a propósito dessas cartas, com sobejas referências ao facto de a mulher ser casada. Ao chamar o filme à colação, poderiam os leitores pensar que iria aqui  dissertar sobre os amores do Papa e a hipocrisia da Igreja, quando mantém o celibato e faz tudo para ocultar casos de cariz sexual que se passam no seu seio.
Ou na importância do jornalismo de investigação numa democracia e lamentar a falta de condições que os jornalistas portugueses têm para investigar. Nada disso. São dois temas demasiado gastos, vistos sempre sob a mesma perspectiva, normalmente limitada, de que a culpa é exclusivamente dos agentes.  
Não é!
 Se a pedofilia na Igreja persiste e, aparentemente, até está a aumentar, é porque as vítimas se calam, ou são obrigadas a calar-se pelos seus progenitores. Isso é tão mais claro, quanto mais católico é o palco da actuação dos agentes da Igreja. Não é por acaso que na Europa a Irlanda tem sido o paraíso dos  padres pedófilos, nem foi mera casualidade que, nos EUA, a conservadoríssima  Boston tenha servido de cenário  a um dos maiores escândalos da Igreja.
Por outro lado, é bom não esquecer que o caso Spotlight só foi divulgado em 2002 porque, antes, o mesmo jornal não avançou com a investigação, apesar de estar na posse de todos os elementos. Foi a falta de profissionalismo de um conceituado jornalista, que impediu que a investigação avançasse muitos anos antes. A falta de coragem de um jornalista que silenciou os factos, com medo das consequências, permitiu que muitas crianças fossem molestadas por padres paranóicos. A mesma responsabilidade tiveram agentes da justiça e pais e familiares das crianças abusadas. Em nome da Igreja calaram-se e tornaram-se coniventes de milhares de crimes contra crianças ocorridos durante décadas. Dir-se-á que o poder da Igreja é enorme…mas se não houvesse conivência do poder, da justiça e da comunicação social, ou indiferença e temor reverencial da comunidade em relação à Igreja,  esta não teria sido desmascarada há muito mais tempo?
O caso (verídico) abordado em Spotlight é um libelo acusatório à Igreja Católica mas, em minha opinião, deixa muito maltratado o jornalismo e os cidadãos que se demitem de exercer o seu dever cívico, contribuindo assim para que os crimes fiquem impunes. Mas se Spotlight aborda um crime praticado pela Igreja  escondido por toda a gente com influência em Boston, ele serve também de alerta para o que se passa noutros sectores de actividade. Obviamente, logo me ocorreu o que se passa com o jornalismo económico e político.
Não precisamos de sair de Portugal para percebermos como ambos estão fortemente ligados  Quem não se lembra do inusitado número de jornalistas ( muitos deles do DN) que em 2011 fizeram campanha a  favor de Passos Coelho nos jornais onde trabalhavam e na blogosfera? Menos serão, no entanto, os que seguiram o rasto desses jornalistas depois das eleições.  Foram para gabinetes ministeriais, ou dirigentes de empresas públicas e administração pública. Alguns deles, a única credencial que tinham era mesmo o favorecimento do PSD/CDS, durante a  campanha eleitoral. Em alguns casos, a CRESAP evidenciou essa impreparação, mas o governo fez orelhas moucas e nomeou-os à mesma.
Já, em matéria económica, seria importante divulgar as ligações que alguns jornalistas têm a interesses e grupos económicos, para percebermos a razão de fazerem análises meramente ideológicas e/ou partidárias sobre determinados factos.
Recordo apenas um caso recente:
Quando Mario Draghi prometeu tudo fazer para salvar o €, a maioria dos jornalistas e comentadores da área económica não relacionou as medidas então tomadas pelo BCE com a evolução  do país para uma situação mais desafogada. Preferiu (essa maioria) enaltecer  o trabalho do governo e a coragem em tomar medidas de austeriodade.
Ora, há duas semanas, os juros da dívida pública dispararam, tendo chegado a atingir os 4,5%. A subida das taxas de juro atingiu todos os países periféricos, mas esses mesmos jornalistas apontaram o dedo ao governo, acusando-o de ser o responsável pelo nervosismo dos mercados, por ter feito um OE irrealista.
Esta semana, depois de Mario Draghi ter voltado a manifestar publicamente a intenção de tomar medidas para salvar o €, as taxas de juro começaram a baixar de imediato e esses mesmos jornalistas que acusavam o governo de ter elaborado um OE irresponsável, esqueceram a acusação e apressaram-se a escrever que a baixa das taxas de juro se deve apenas a Mario Draghi.
Eu pergunto-me apenas: estes jornalistas estão a soldo de quem? Há jornalistas que sabem a resposta mas, tal como no caso Spotlight, não a divulgam publicamente com medo de represálias.
Basta, porém, a qualquer cidadão mais atento lembrar-se quais eram os jornalistas que defendiam o BES com unhas e dentes, fazendo alarde da sua solidez e constatar por onde é que eles andam agora, para perceber o que se passa.
Outras ligações, a outros interesses, ainda estão camufladas, mas acredito que é apenas uma questão de tempo até serem desmascarados. É que são estes  jornalistas, ao serviço de partidos políticos e grupos económicos, que estão a matar os jornais, não é a Internet!




Dizer não ao desperdício!

Já muitas vezes me insurgi contra a política de contratações dos clubes portugueses, especialmente do meu FC do Porto cuja realidade melhor conheço.
Nunca concordei que se fossem buscar jogadores pagos a peso de ouro, sem historial no clube e se mandassem embora jogadores de qualidade com a marca FC do Porto inscrita no seu ADN.
Ontem, o excelente e emotivo jogo entre Braga e Guimarães ficou marcado por duas exibições de luxo, consideradas unanimemente, pela crítica, como  as melhores do jogo.
Um jogador de cada equipa destacou-se, contribuindo com a sua exibição para o espectáculo. Embora pertencendo aos dois grandes rivais do Minho, têm uma coisa em comum: ambos são jogadores do FC do Porto.
Josué,  a jogar no Sporting de Braga, andou pela Turquia e está agora nos arsenalistas. Octávio, brasileiro que terá vindo para o FC do Porto  a custo zero, ou a troco de 5 milhões ( ambas as versões correm por aí como verdadeiras) está emprestado aos vimaranenses.
 São apenas dois talentos  do meio campo ( a que poderia juntar nomes como Castro, na Turquia, Machado na Alemanha, ou os dispensados e agora regressados André ou Sérgio Oliveira) que o FC do Porto dispensou recentemente e que poderiam singrar no clube que pagou 20 milhões por  Imbula, um Ferrari que quase não jogou e comprometeu mesmo a continuidade dos azuis e brancos  na Liga dos Campeões.
Faço votos para que na próxima época, com Peseiro ou Vilas Boas, alguns dos talentos portistas que andam a espalhar o perfume do seu futebol pelo estrangeiro, ou em equipas adversárias, regressem a casa e contribuam para o renascimento de uma equipa que perdeu a sua identidade e o seu brio, porque os seus jogadores não sentem o brasão.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Boas e más notícias de Sua Majestade

Quando foram dadas por concluídas as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia, duvidei do triunfalismo de Cameron e escrevi que, a confirmar-se a cedência de Bruxelas a todas as suas exigências-  a ideia de Europa Unida tinha sido enterrada, mas que os lideres europeus não sabiam, ou preferiam fingir não saber. Hoje, no DN, Wolfgang Munchau explica-lhes.
Durante o fim de semana- como previra- as coisas começaram a clarificar-se: o acordo não satisfaz os conservadores britânicos e vários ministros de Cameron já disseram que vão fazer campanha pelo Brexit. Mas a maior facada na fanfarronice de Cameron e na resignação europeia foi dada por um dos amigos mais fiéis do pm inglês. Boris Johnson, presidente da câmara de Londres em final de mandato e apontado como ministeriável, após o referendo marcado para Junho, anunciou ontem que também vai fazer campanha pelo Brexit, por considerar que Cameron deveria ter alcançado um acordo melhor com a UE. Figura muito acarinhada pelos britânicos, Boris Johnson torna-se assim uma das mais temíveis ameaças à estratégia de Cameron.
Entretanto, há boas e más notícias  vindas de Londres. A boa é que a série "Yes, Minister!" está e,m reposição todas as noites na RTP Memória, contribuindo para a melhoria da nossa disposição; a má notícia é que muito do que lá podemos ver é, não só verdadeiro, mas também o retrato fiel da posição hipócrita de Londres face à União Europeia.

A explicação é simples...

Telefonou-me uma menina. Era simpática e queria fazer-me uma oferta.
Não, não eram chocolates, nem  férias nas Caraíbas, nem crédito barato. A menina falava em nome da Impresa e a oferta que me queria fazer era uma assinatura do "Expresso" a preço de saldo.
Agradeci, mas disse que não estava interessado.
Mas não gosta de ler o "Expresso"? - perguntou-me num tom que denotava espanto
Não!- respondi sem hesitar
Fez-se silêncio por uns segundos ( a jovem devia estar ainda a digerir as minhas respostas) e finalmente perguntou:
- E posso saber porque não gosta do "Expresso"?
- Pode. O "Expresso" deixa-me deprimido e eu não gosto.
- Deprimido? Os jornais deprimem-no? Mas o senhor é jornalista!
- Pois sou. Talvez por isso é que me deprima mais ver tanta mentira no "Expresso" escrita com ar triunfante. Principalmente na secção de Economia...
- Pronto, está bem, respeito a sua opinião. Não está interessado então, é isso?
- É. Nem que me façam a oferta de antidepressivos para acompanhar a leitura.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Bibó Porto (64) : Menina estás à janela...



Esta semana, em homenagem ao sol, deixo-vos apenas estas imagens de janelas do Porto, que me foram enviadas por um leitor.
Quando se aproximar o Verão, nalgumas delas ouvir-se-á cantar o Fado, quando a Lua se começa a banhar nas águas do rio Douro.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tantas vezes vai o cântaro à fonte...

Ao fim de dois dias de negociações, Cameron vem cantar vitória e dizer que conseguiu tudo o que queria, para permanecer na UE.
E Portugal, Grécia, Hungria, Roménia, ou Bulgária  não receberam nada em troca? Hmmm.... então devem ser parvos!
Creio que só depois da reunião que Cameron terá amanhã com o governo britânico saberemos toda a verdade sobre o acordo mas,  se Cameron não estiver a fazer bluff, então é altura de anunciar que a UE acabou, mas os lideres europeus ainda não perceberam.
Bem, na realidade, a UE já acabou muito antes das ameaças de Cameron. Andam é todos a fingir que não sabem. E assim continuarão até à próxima ameaça de crise no seio da União, que vem já ali ao virar da esquina.

O Carnaval é quando um comentador ( ou paineleiro) quiser

Na última revista do "Expresso",que li na sala de espera de um consultório, Clara Ferreira Alves escreve sobre o Carnaval. Globalmente estou de acordo com ela excepto quando se insurge contra a tolerância de ponto, por considerar que isso é um privilégio de países ricos.
Eu encontro facilmente uma mão cheia  de  razões para que a terça feira de Carnaval não seja feriado obrigatório  e concordo que essa exigência do PCP é totalmente descabelada, mas nunca me passaria pela cabeça invocar o argumento de Clara Ferreira Alves.
Eu detesto tanto as manifestações carnavalescas como ela, mas reconheço o direito das pessoas se divertirem e  a importância do entrudo em determinadas regiões do país, pelo impacto que tem nas economias locais.
Interpreto a animosidade de CFA contra o Carnaval por três razões: envelhecimento, modismo e ignorância.
Se a primeira é  subjectiva e dependente da facilidade com que algumas pessoas de esquerda se adaptam às ideologias de direita, a partir de determinada idade em que a pintura do cabelo já não consegue disfarçar as cãs, as outras duas são comuns à classe dos comentadores e paineleiros das nossas rádios, televisões e imprensa.
Se dois ou três comentadores mais considerados pela opinião pública tomam determinada posição relativamente a um assunto, que agrada à direita, a maioria dos comentadores- seguidistas- tem tendência a replicar essa opinião que vira moda.
No entanto, isso não acontece espontaneamente. Os comentadores e paineleiros movimentam-se em círculos, em volta de copos de uísque, ou de chazinhos e torradas, que funcionam como tertúlias onde  discutem " o que está a dar". Acertado o tema, dois ou três encarregam-se de o testar e, se a opinião pública reagir favoravelmente, os restantes seguem a tendência, criando o "modismo". Até pode ser que as coisas não se passem assim mas,  quem conhece o meio, sabe onde e quando muitos deles se reúnem, o que discutem e os objectivos que traçam.
Indiscutível é que a maioria dos comentadores da nossa praça está completamente desfazada da realidade. São pessoas bem instaladas na vida ( ou assim ficaram, depois de se tornarem comentadores)  viajam muito de avião para o estrangeiro ou passam fins de semana em hotéis de luxo, mas  desconhecem o país onde vivem.
A maioria dos comentadores ganha, em 45/50 minutos, o que a maioria dos trabalhadores portugueses não ganha num mês. É por isso fácil para eles falarem do "seu" país, que nada tem a ver com o dos trabalhadores que labutam 8 horas por dia, gastam três horas por dia em transportes e se desunham para arranjar um biscate que lhes componha o salário, muitas vezes inferior ao salário mínimo.
Ao contrário dos comentadores, a maioria dos trabalhadores não consegue fazer ouvir a sua voz, está insatisfeito com o seu trabalho, precisa de escapes para se divertir, porque não tem direito a fins de semana prolongados sempre que lhe apetece.
A maioria dos trabalhadores portugueses, repito, ganha num mês menos do que um comentador encartado ganha em 45 minutos. Ou seja, muitos trabalhadores portugueses  viveriam desafogadamente se uma televisão lhes oferecesse um espaço de comentário semanal. E alguns, podem ter a certeza, diriam coisas mais acertadas do que certos comentadores.
Numa coisa CFA tem razão: mais do que uma diversão, o Carnaval contribui para a melancolia pecuniária de muitas famílias portuguesas.
Só que o raciocínio de CFA sofre de um pecado original insanável. É que, seguindo o mesmo raciocínio, todos os "Dias de..." que apelam ao consumismo deviam ser banidos. Quiçá, Natal incluído. Só que depois a economia ressentia-se e como é que a CFA and Friends resolviam o assunto?
É fácil ser-se contra os feriados quando se trabalha apenas quando nos apetece. Fossem os comentadores e paineleiros da nossa comunicação social obrigados durante um mês a uma jorna igual à da maioria dos trabalhadores, certamente mudariam de opinião.
É que isto de falar de cátedra, é muito fácil. Difícil, mesmo, é viver como a maioria dos trabalhadores portugueses.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Dê lá o seu palpite

Sabendo-se que Passos Coelho não se governa com o salário de deputado e que o amigo Relvas está em franca recuperação da  sua influência e poder, é oportuno perguntar: depois dos cursos fantasma de formação profissional e da  Tecnoforma, qual será o negócio que a dupla Passos/Relvas irá fazer desabrochar nos próximos meses?
Se Carlos Costa der o seu aval, diria que temos novo banco na forja,  cuja falência os portugueses hão-de pagar. Qual é o seu palpite?

Há coisas fantásticas, não há?

No dia em que Passos Coelho, seguindo as pisadas de Paulo Rangel e outra canalha laranja, foi a Bruxelas avisar os investidores para os perigos que correm se investirem em Portugal,  os mercados reagiram com uma forte queda dos juros da dívida pública portuguesa.
 O chefe da escumalha anda com azar!

Descer o IVA da restauração é uma boa ideia?


Sempre manifestei a minha discordância com a descida do IVA para a restauração. Nem vai beneficiar os consumidores, nem criar emprego, nem melhorar a qualidade do serviço na maioria dos restaurantes. 
E é sobre este último ponto que vale a pena reflectir. Há por aí restaurantes que pura e simplesmente deveriam ser fechados, por manifesta falta de qualidade dos produtos ( nem me atrevo a falar da qualidade culinária)  deficiente manipulação e conservação.
Muitos estabelecimentos de restauração não têm condições de higiene. Ainda há tempos, na sequência do encerramento de vários restaurantes chineses, pela ASAE, a RTP fez uma reportagem sobre a falta de higiene em restaurantes de comida portuguesa. Lembro-me, entre outros casos, de um restaurante onde as batatas eram lavadas no caixote do lixo.

Ontem, a ASAE divulgou o vídeo (ver acima) que nos devia fazer pensar sobre as porcarias que comemos, mas também devia ser um alerta para o governo que deve, urgentemente, devolver à ASAE os meios e condições que o anterior governo irresponsavelmente lhe retirou. Uma irresponsabilidade criminosa.
A falta de higiene é um problema de saúde pública, que pode originar casos delicados que custam muito dinheiro ao Estado. Estar a premiar com a descida do IVA, em pé de igualdade, restaurantes de qualidade e espeluncas é uma injustiça.
Espero, por isso, que o governo volte a dar condições à ASAE para fazer uma fiscalização eficiente que permita separar o trigo do joio.  Deixar laborar restaurantes muito bem encadernados, mas que não oferecem condições de higiene e salubridade, é  enganar os consumidores e lesar os contribuintes. 
Finalmente, devo dizer que concordo com a manutenção do IVA em 23% nas bebidas, nomeadamente o vinho.  A margem de lucro no vinho ( por vezes chamar vinho a verdadeiras mistelas apresentadas como  “da casa” é um insulto!) chega a ser escandalosa em alguns estabelecimentos onde um copo de do precioso néctar custa mais do que uma garrafa numa loja de vinhos gourmet.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A sabedoria popular anda pelas ruas da amargura

Já não são apenas os adágios populares sobre o clima que deixaram de fazer sentido, com as alterações climáticas.
Os mais elementares e sagazes adágios, invocando a justiça social também estão ultrapassados. Ninguém  poderá voltar a invocar que " Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão", depois de ter sido conhecida esta condenação

Assunção e queda





Assunção Esteves, uma das mais jovens reformadas do país graças ao cargo desempenhado no Tribunal Constitucional  desempenhou, como devem estar lembrados, o cargo de presidente da AR durante o governo da cambada. Tem, por isso, direito a entrar para a galeria da Assembleia da República.
Tal como anteriores presidentes da AR e da República, quis ser retratada por um destacado artista português. Dirigiu convites a Paula Rego e Júlio Pomar, mas ambos recusaram. Não são conhecidas as razões das recusas, mas sabe-se que para evitar mais alguma, Assunção Esteves  decidiu procurar uma alternativa em Espanha.
Isabel Guerra, uma freira que vive em clausura, aceitou eternizar Assunção numa tela e receberá 15 mil euros pela tarefa.
Sem comentários.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Da série: ai eu disse isso?


Já faltam epítetos para qualificar este Pimenta Machado da política. Com a mesma desfaçatez e falta de vergonha, diz uma coisa e o seu contrário no espaço de poucas semanas. Vejam este vídeo ( 1m 23 s) , porque vale mesmo a pena. O homem não tem um pingo de vergonha na puta da cara!

É só para lembrar...

Aqueles que pensam que da Alemanha só vêm coisas boas, a Merkel vai salvar a Europa e o Schaueble endireitar o mundo pela via da abstinência, talvez fizessem bem em ler isto...

De Hong Kong ao Saldanha

Parece-me óbvio que os confrontos entre polícias e vendedores ambulantes de comida de rua em Hong - Kong, pouco ou nada tiveram a ver com uma infracção à legislação sobre saúde, ou higiene alimentar.
É certo que em alguns países mais evoluídos também começa a haver preocupações com a saúde e a higiene alimentar, mas  o que se passou durante o Ano Novo chinês tem mais a ver com feridas não saradas desde as manifestações de estudantes em protesto contra os critérios impostos por Pequim na eleição (?) do novo governador. Sobre esses meses de grande tensão, muito escrevi aqui. Sobre o que se passou na última semana, recomendo-vos que leiam o que escreveu o Pedro.
Não tendo nada de relevante a acrescentar ao que escreve o Pedro, opto por aproveitar o  episódio de Hong Kong para abordar um tema que me parece bastante pertinente, mas tem sido descurado desde que a crise se instalou em Portugal e o governo dos lacaios se deixou manipular por  um grupo de agiotas e proibiu a ASAE de actuar e cumprir as suas obrigações.
A displicência com que o tema da higiene alimentar tem sido tratado em Portugal nos últimos anos devia merecer uma grande reflexão. No entanto, os cidadãos reagem com indiferença a toda a porcaria que se vai vendendo por aí. E muitos até a consomem porque... é barata!
Tenho a certeza que se a ASAE fizesse uma acção de fiscalização às roulottes e outros locais onde, noite fora, se vende comida,  apreendesse produtos e detivesse alguns mixordeiros, a opinião pública protestaria e muitos diriam mesmo que a actuação da ASAE foi infame e violenta. Talvez houvesse mesmo tumultos, agressões e confrontos como em Hong Kong. Excepto se os detidos fossem chineses ou indianos, claro. Como aliás  aconteceu  há anos quando a ASAE foi largamente aplaudida e elogiada pela comunicação social depois de encerrar  diversos restaurantes de comida chinesa, alegadamente por falta de higiene.
Está na altura de voltar a permitir que a ASAE exerça os seus poderes.  Em nome da higiene alimentar e da  saúde pública. Voltarei ao assunto em breve, a propósito da descida do IVA...

  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Bibó Porto (63): O estado da Arte




A Rua Santa Catarina tem sido uma presença frequente nesta rubrica, mas ainda há muita coisa a escrever sobre ela. Depois das visitas ao Hotel do Porto e à Camisaria Confiança, nas duas últimas semanas, mudemos para a Rua Miguel Bombarda, um novo pólo de interesse da cidade.
Os antiquários, as galerias de arte, e os eventos artísticos que têm lugar nesta nova centralidade do Porto, promoveram a Miguel Bombarda a " Porto Art District".
Até 1910 chamava-se Rua do Príncipe, sendo o seu nome actual uma homenagem ao insigne médico republicano.
No entanto, foi há menos de uma década que a rua Miguel Bombarda se tornou um centro de atracção turística. E são muitos e variados os motivos de interesse desta artéria. O primeiro- já referido- está relacionado com as muitas galerias de arte ali existentes.  Com alguma regularidade, no primeiro ou terceiro sábado do mês, as galerias inauguram em simultâneo as novas exposições,  acompanhadas com espectáculos alternativos e animação de rua, atraindo não só apreciadores de arte, mas também artistas, investidores e muitos curiosos.
Nem só de arte se faz a Miguel Bombarda. Ao longo dos seus 650 metros, os visitantes podem encontrar estabelecimentos de comércio com novas tendências, lojas de mobiliário, design, moda, livrarias e propostas de estilos de vida alternativos.

Para os gastrónomos também não faltam propostas interessantes e inovadoras.
Especialmente recomendada, nestes dias invernosos, é uma visita à "Rota do Chá", estabelecimento que faz perder a cabeça aos apreciadores de chá. Não só pela variedade, mas também pela decoração que combina o indiano do interior, com o marroquino do jardim. Ao fim de semana, no piso superior, pode desfrutar de jantares temáticos e, nos dias de semana, aprecie o buffet.
Recomenda-se também  a 100 Contos, um espaço onde convivem uma cafetaria, uma galeria de arte e uma guest house e, se quiser fazer um corte de cabelo   criativo, visite a Lab 61, uma barbearia trendy num ambiente de ficção científica.
Depois de explorar os  espaços mais recônditos e surpreendentes  da Miguel Bombarda, não deixe de dar uma espreitadela atenta às ruas da vizinhança, como a Rua do Breiner e a Rua do Rosário. Também aí vai encontrar algumas surpresas.
Divirta-se!

Foi você que pediu um escravo?



A última crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão começava assim:
Uma empresa chamada Work4U- Gestão de Carreiras colocou esta semana  na Internet um anúncio que dizia:
" Receba sem compromisso um estagiário durante 2 dias. EXPERIMENTE GRÁTIS!"
Sorri com a imaginação de RAP  e continuei a ler a crónica. As situações caricatas que ele descreve ao longo da crónica, em que um estagiário é tratado como um produto qualquer em promoção, levou-me a comentar mais tarde que desta vez RAP tinha ido longe demais.
Eu já sabia que há empresas a fazer entrevistas de emprego em montras, expondo os candidatos à apreciação do público; que há empresas que contratam pessoas como estagiárias durante um ano, sem direito a remuneração; que há empresas que empregam pessoas por um valor mais baixo do que o declarado, para receberem a comparticipação do Estado; que  há empresas  a angariar trabalhadores em leilão; que há ( havia?) espaços públicos onde os trabalhadores são recrutados diariamente por angariadores, depois de uma observação "a olho" da sua capacidade para trabalhos pesados.
Sei até que durante quatro anos tivemos um ministro do trabalho que negociou com as empresas trabalho escravo e um pm que ofereceu gratuitamente a outros países europeus milhares de jovens formados em Portugal.
Presumo mesmo que o anterior governo, ao reduzir a operacionalidade da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) tinha como objectivo dificultar a fiscalização das empresas.
O que eu não imaginava é que havia empresas que tratam os desempregados como produtos descartáveis, retomam os métodos da escravatura e ainda se dão ao luxo de publicitar a sua acção.
Na sequência de uma denúncia, a ACT está a investigar a empresa Work4U. Espero que a encerre rapidamente e entregue os responsáveis à justiça. Temo é que a justiça considere estes procedimentos normais

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Teste aos namorados


Se passou o dia com o/a namorado/a e ambos chegaram à noite com vontade de cantar esta canção ou ver o filme, então o vosso amor deve ser indestrutível. Parabéns!

Um pequeno erro sem importância....

Já percebi porque é que o Passos Coelho disse que quando era pm o BANIF dava lucro. Pela amostra, no governo desse imbecil ninguém sabe fazer contas.  Ora leiam lá isto

Namorados em período de reflexão


A história ocorreu há mais de uma década. É verídica, pude testemunha-la  e parece-me oportuno recordá-la  neste Dia dos Namorados

Estava o país a ser invadido por uma avassaladora onda de empresas de venda de colchões ortopédicos, a que cada uma juntava as propriedades adequadas aos consumidores que pretendiam iludir. Um casal, de idade já avançada, foi atraído a um desses locais de venda pelos processos já sobejamente conhecidos, mas mantinha-se irredutível em desembolsar uns milhares de euros para comprar o colchão. O vendedor, perspicaz, mas sem sucesso no recurso aos habituais argumentos, invocou um novo: aquele colchão produzia efeitos iguais aos do Viagra!. O casal entreolhou-se, trocou em recato algumas palavras e passado algum tempo decidiu-se. Negócio fechado, a troco de cerca de 3 mil euros a pagar em prestações suaves, com recurso ao crédito. O problema surgiu quando o casal constatou que fora enganado e, invocando o prazo de reflexão de 14 dias, pretendeu anular o negócio!...

Dia dos Namorados ou Dia das Mentiiras?

Para Passos Coelho, todos os dias são dias das Mentiras. Dizer a verdade provoca-lhe alergias, erupções cutâneas e  vómitos.
Mas vir dizer hoje  ao JN que o BANIF estava a dar lucro quando ele era pm, ou que os impostos são desnecessários e com ele não haveria aumentos, é o cúmulo da falta de vergonha.
Em 2011 já o ouvimos  dizer que não aumentava impostos, não cortaria salários nem pensões e foi o que se viu.
Sabes uma coisa, Pedro?  Aproveita o Dia dos Namorados e vai mentir à Laura, mas deixa-nos em paz, porra!

Para começar bem o Dia dos Namorados



sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dia dos Namorados




O Dia dos Namorados pode não servir para alimentar a chama do amor mas, pelo menos, serve para animar a economia. Principalmente quando calha a um fim de semana...
Onde é que vai jantar hoje e curtir a noite com o/a namorado/a?
Tenham um bom dia dos namorados!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Faltei? Mas eu só tinha ido à casinha...

Paulo Portas e Passos Coelho estavam ausentes do hemiciclo quando os deputados votaram a devolução ao homem do Poço dos diplomas sobre IVG e  a adopção por casais gay.
Claro que na próxima campanha eleitoral Passos Coelho vai justificar a sua ausência, com a necessidade de dar uma mijinha.
Já Paulo Portas estará dispensado de justificações, pois despediu-se do partido e, nas próximas eleições, estará a criar algumas empresas. De cozinhados, com a mamã,  e de outras áreas com os Angels.

Lições de Berlim


Há dias, Varoufakis reuniu em Berlim um grupo de pessoas ligadas à esquerda europeia. O objectivo (diz-se por aí) foi lançar um movimento de reflexão  (DiEM 25) para repensar a Europa, sem desprezar a possibilidade de vir a formar um partido pan-europeu.
Diz Varoufakis que é preciso mudar a Europa por dentro e que abandonar o espaço europeu é assumir a derrota e entregar o destino dos europeus nas mãos do bandido (a direita em exercício, presumo)…
A minha primeira reacção à proposta de Varoufakis é  dizer que peca por tardia mas, como admito que só depois de ter sido ministro tenha percebido o problema europeu, não deixo de enaltecer a  iniciativa.
Para  mim, sempre foi óbvio que a Europa só pode ser mudada por dentro, sendo necessário criar condições para  uma discussão sobre o futuro da Europa no seio das instituições. Ora isso só é possível, se a esquerda não desertar e for à luta.
Nunca foi essa a visão da esquerda em Portugal. E por causa desse erro tivemos o chumbo de um PEC IV que nos conduziu ao resgate. Tivessem os nossos Varoufakis da época ( estou a falar consigo, Dr. Louçã!)  tido um mínimo de rasgo e Portugal nunca teria necessitado de um resgate, nem estaria agora numa situação aflitiva, que muito provavelmente  terminará numa reestruturação da nossa dívida.  Para que essa reestruturação não seja penalizadora, será fundamental uma alteração de forças na EU.
Varoufakis percebeu agora isso, mas já outras esquerdas europeias o tinham percebido há muito. Como António Costa, por exemplo, que foi o primeiro a olhar para a Europa com os olhos com que a esquerda a viu agora em Berlim. Do mal o menos... mais vale tarde do que nunca.  

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Jura?

Em entrevista à  Antena 1, Domingos Abrantes defendeu a continuidade de Jerónimo de Sousa à frente do PCP e garantiu que  no  PCP ninguém contesta o acordo com o PS
Jura? Ó camarada,  garanto-lhe que conheço alguns militantes do PCP que andam a rasgar as vestes  em praça pública e dizem  cobras e lagartos do acordo.
Eu sei que há muitos dinossauros cegos no PCP, Domingos Abrantes, mas não os menospreze...
Entretanto, aconselho os leitores a seguirem o link e ouvirem a entrevista, porque Domingos Abrantes fala de muitas outras coisas importantes e interessantes.

Que grande cabrão!

Ou pensando melhor, o paraplégico está a pedir é um tiro nos cornos! Assim que vê um país a levantar um bocadinho a cabeça, vem logo em defesa dos mercados, o grande FDP!
Como escreveu uma amiga minha no FB, "esta coisa de eleições e democracia é só para ricos."
A Angie que se cuide... enquanto perde popularidade, por ter tomado uma atitude digna e corajosa em relação aos refugiados, o cabrão do paraplégico prepara-se para assaltar o poder e concretizar o seu sonho de transformar a Europa numa colónia alemã.

Preocupado com o futuro?

Partilho, com milhões de portugueses, preocupação quanto ao futuro. No entanto, ao contrário da maioria dos meus compatriotas o que mais me preocupa não é o futuro do país. Habituado que estou ao desenrascanço tuga e à habilidade que temos para ultrapassar dificuldades, a minha primeira preocupação não é com este minúsculo país. É com o mundo que se desenha diante dos meus olhos
Não vou aqui voltar a dissertar sobre o problema dos refugiados, ou a ameaça terrorista na Europa. São problemas que o tempo resolverá de forma mais ou menos violenta, dependendo do interesse das grandes potências .
Tampouco vou insistir na tecla da degradação ambiental que de Cimeira em Cimeira se vai agravando, não obstante as múltiplas manifestações de preocupação debitadas pelos líderes mundiais para os órgãos de comunicação social. Se nem  as inúmeras catástrofes naturais que já vitimaram milhares de pessoas, nem o ar irrespirável que obriga com crescente frequência a encerrar cidades aos automóveis são suficientes para que os governos se ponham de acordo na tomada de medidas que travem a degradação ambiental, qual é a esperança de um dia se virem a tomar medidas à escala global para preservar o planeta?
O que realmente me preocupa é o modelo económico e social que está a ser construído sem que se dê grande relevância ao assunto. A anunciada quarta revolução industrial é um verdadeiro filme de terror, mas ninguém está interessado em amenizar os seus efeitos. A alguns deles. como o aumento da pobreza e das desigualdades, já fiz referência aqui.
Mas há mais...
Nos próximos  cinco anos, a Inteligência Artificial será responsável pela destruição de cinco a sete milhões de desempregados. Logo, os felizardos que tiverem trabalho, vão ser pagos  a preço de escravo. O mundo será gerido pela finança. manipulada em luxuosos gabinetes, de luxuosos edifícios, por gente sem escrúpulos. Mas, porreiro, vamos ter as máquinas a falar todas entre si, automóveis a circular sem condutor, mergulharemos entusiasmados na Internet das Coisas, enquanto lamentamos os milhões de  sem abrigo.
Teremos a iniciativa privada a expandir-se sem regras, contestada por quem cumpre as regras ( como acontece neste momento entre taxistas e UBER). A hotelaria será aberta à iniciativa de uns tipos que, tendo herdado a casa dos pais, a transformam em alojamento para turistas.  Os transportes urbanos serão geridos e manipulados como os comboios eléctricos da infância dos bisavós.
 Estaremos cada vez mais dependente das tecnologias, seremos cada vez mais vigiados e controlados por elas e alguns dos que ainda pensam, porque não se deixaram manipular pela globalização do pensamento único, sairão à rua para exigir liberdade e democracia. Talvez até sejam conduzidos ao local da manif por um táxi da UBER sem condutor, ou um transporte público programado a partir de uma central, por um operador que manipulará várias composições em simultâneo.
Mas, pobres coitados, não perceberam que ambas começaram a ser perdidas no início do século XXI, quando ainda eram jovens e tinham a obrigação de ter lutado para as preservar, evitando que 99% da riqueza global  ficasse na mão de apenas 0,3% da população mundial. Os mesmos 0,3% que terão o poder de controlar o mundo, como um tabuleiro de Monopólio electrónico onde as pessoas serão meras peças de xadrez.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os defensores do contribuinte ( rico...)



Enquanto a coligação de direita esteve no poder, os portugueses pagaram em média mais 28% de impostos. Só que  todas as estatísticas são traiçoeiras e esta não é excepção.  Amanhã a revista Visão explica porquê: afinal, o brutal aumento de impostos não atingiu os  milionários tugas, que pagaram apenas mais 5%. , ou seja, cerca de um sexto dos aumentos que afectaram os portugueses honrados.
A Visão revela, ainda, que em Portugal as grandes fortunas pagam 50 vezes menos impostos que nos países desenvolvidos e que o fisco apenas “ conhece” 240 das famílias mais ricas do país. Mesmo assim, nem todas pagam os impostos devidos.
Certamente que os deputados da cambada Pafiosa já conheciam esta notícia e foi isso que os levou a ter comportamentos típicos de símios na Comissão de Finanças. É verdade que  Leitão Amaro ( na foto) e Cecília Meireles zurraram, mas a direita é prodigiosa a revelar comportamentos anormais da Natureza. Logo, ver macacos a zurrar na coligação de direita, deve ser encarado como perfeitamente normal.
Quanto ao resto, apenas lamento andar a pagar a deputados/as que se comportam como animais, para defenderem os interesses dos  gajos do guito que, no fundo, são quem lhes complementa os já chorudos vencimentos com assessorias, consultorias e outras prebendas.