terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Estudo revela que metade dos portugueses é lelé da cuca*

Um estudo realizado no âmbito do projecto Farol revela que 46% dos portugueses considera a situação económica e social do país  pior do que há 40 anos, ou seja, no período de extertor do Estado Novo.
Há por aí muita gente indignada com estes resultados  e até eu talvez esteja um bocadinho, pois a minha primeira reacção foi desejar metê-los numa máquina do tempo e obrigá-los a viver nesse tempo, para ver se mantinham a mesma opinião.
Muitos dos mais velhos talvez  não se importassem com a Censura, nem com a PIDE, nem com a guerra colonial, nem com a pobreza, mas gostava de saber como é que velhos e novos iam resistir a viver sem telemóvel,  sem  máquina de lavar roupa e louça, sem frigorífico nem uma parafernália de merdas inúteis que só servem para dar status,  sem viagens às Caraíbas, sem  pelo menos dois carros por agregado familiar e  sem fazer zapping sentados no sofá, porque naquele tempo só havia dois canais de televisão públicos e a televisão era a preto e branco.
Quanto às mulheres - a maioria da população portuguesa - deveriam adorar regressar ao tempo em que não podiam sair do país sem autorização do marido, aceitar que o marido lhes violasse a correspondência, ter o acesso ao mercado de trabalho limitado, ou ver os filhos partirem para a guerra em África sem saber se os voltariam a ver.
Recomendo por isso aos quase 5 milhões de portugueses que acreditam que antes do 25 de Abril é que era bom, que se metam na máquina do tempo e vão recordar ( ou experimentar pela primeira vez) como era a vida no tempo do Botas e do pai do Marcelo que quer ir viver para o palácio de Belém e era afilhado do outro Marcelo do Ca(e)tano que também dormia pouco e adorava "Conversas em Família", porque naquele tempo não havia comentadores.
Bora lá experimentar?

*AVISO: Este estudo é de 2011  e a ele fiz referência nessa altura, mas pareceu-me oportuno relembra-lo, em vésperas de eleições presidenciais. Et pour cause...

3 comentários:

  1. Mas quais máquinas de roupa e loiça, se aqui às portas de Lisboa existiam ainda povoações sem eletricidade ou esgotos? Isto para já não falar no Portugal profundo...

    Também me irrita um bocado tanta falta de memória ou, pior, putos novos a quem foi dada a possibilidade de estudar, que anteriormente não existia, com uma população com enormes níveis de analfabetismo.

    Beijocas

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  2. E ainda falta referir as duas piores coisas do estado-novo. A mortalidade infantil mais alta da Europa (talvez apenas comparavel `a Albania) e o facto de a maioria da populaçao ser manifestamente subnutrida, com consumo insuficiente de proteinas (carne e peixe principalmente).
    Ao pe´ destes dois, os restantes problemas eram relativamente menores...

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  3. Em quem votar?
    Faço esta pergunta com genuíno interesse.
    Entendo pouco de política, costumo ter bons instintos mas na altura do voto procuro escolher o melhor candidato.
    Neste instante não sei quem é. Recorro então assim, a quem parece entender melhor de política que eu. Uma opinião??

    Não sou desse tempo do Estado Novo. Nasci já na dita liberdade. Sempre a valorizei, embora ao crescer tenha descoberto que afinal, não tinha nem 3/4 da liberdade que julgava ter (mas isso são outros 500). A liberdade constitucional, essa existiu a minha vida inteira. Indignava-me quando a desperdiçavam. A exemplo, quando os colegas recusavam-se a andar na escola e sabotavam as aulas e quando as pessoas ficam em casa em dia de eleições, sem se incomodarem.

    Mas dou por mim a pensar, muita vez, como terá sido nesse tempo e se tudo terá sido realmente mau, ou se não terá existido coisas que foram más mas que, por princípio, teriam sido boas, não fossem mal aplicadas? Algo de bom devia haver. As pessoas parece-me, eram mais solidárias umas com as outras. Coisa que se perdeu com a modernidade. Também eram mais simples e mais genuínas. Mais sinceras e autênticas. Mais tolerantes. O governo podia não o ser, mas o povo era - penso eu. E enxergava com mais clareza, coisa que hoje é mais complicado enxergar. Uns não enxergam de todo!

    Porque a verdade é que, os frigoríficos, as TVs com controlo remoto, os telemóveis, os computadores, a revolucionária Internet, etc, etc, - tudo isso causou uma overdose de desinformação. E tornou o discernimento mais difícil. É como ir ao supermercado e encontrar laranjas de 10 origens diferentes quando, noutro tempo, tudo era simplificado porque toda a laranja era de origem portuguesa.

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