domingo, 31 de janeiro de 2016

Bibó Porto (61) : um hotel com garra

Se a Rua de Santa Catarina é um ex-libris da cidade do Porto, ela própria alberga no seu percurso entre as Praças  da Batalha e do Marquês de Pombal, alguns edifícios que são também ex-libris.



Um deles é o Grande Hotel do Porto situado neste belo edifício recentemente remodelado. Construído para ser uma imagem de marca da hotelaria da cidade, abriu as portas ao público em 1880 com apenas 30 quartos, mas muitas mordomias pouco usuais para a época, como ginásio e piscina. Disponibilizava um serviço de transporte privado aos seus clientes e os seus salões de festas tornaram-se famosos  pela qualidade dos eventos  e pelo elevado nível das tertúlias  que aí se realizavam.



 Não é certo que Eduardo VIII, ainda príncipe de Gales, tenha participado nalgumas dessas festas, mas parece não existirem dúvidas que terá sido ele o primeiro a assinar o livro de honra do Grande Hotel do Porto e não o general Carmona, que assume esse protagonismo porque - segundo depoimentos de alguns empregados que ouvi de viva voz  na década de 60- a folha onde o príncipe de Gales fazia o seu elogio terá desaparecido. Algumas más línguas  contrapunham que a folha foi retirada porque, em vez de tecer elogios, fazia críticas ao serviço.


Se atentarmos na lista de hóspedes famosos que pernoitaram ou mesmo se instalaram por períodos mais ou menos longos no Grande Hotel do Porto, constatamos que a má língua não teve efeitos nefastos.
Na verdade, eeste hotel  se hospedavam as vedetas que visitavam o Porto, como o palhaço Popov ou Roberto Carlos, mas também figuras da política portuguesa como Ramalho Eanes, Mário Soares,Maria de Lourdes Pintassilgo ou Freitas do Amaral. Local de encontro de figuras da cultura como Aquilino Ribeiro, Eça de Queiroz, Manoel de Oliveira ou Assis Pacheco, foi também poiso de espiões especialmente durante a guerra
Alguns hóspedes não terão ficado com boas memórias da sua estadia. É o caso de Afonso Costa que lá foi preso por Sidónio Pais, ou do imperador do Brasil Pedro II, que ali ficou viúvo.



Quando comecei a ter idade para frequentar as festas e chás dançantes do Grande Hotel do Porto no final dos anos 60, já estavam em decadência. O mesmo aconteceu ao hotel que, já neste século, conheceu uma profunda remodelação alargando a sua oferta para 100 quartos em detrimento de áreas sociais e do tamanho dos quartos. 

Dizem-me, porém, que apesar de o brunch já não ter os méritos de outros tempos, o hotel continua a merecer uma visita. Seja para  relaxar num dos seus salões, ou tomar uma bebida  no solário, enquanto se deslumbra com a vista. E demore o olhar em alguns edifícios cercanos, pois nas próximas semanas vou continuar por esta conhecida  artéria do Porto que pode recordar aqui





sábado, 30 de janeiro de 2016

Aconteceu em Manchester



 Um muçulmano devoto e barbudo entra num táxi.



 Uma vez sentado, pede ao taxista para desligar o rádio, porque não quer ouvir

 música, como decretado na sua religião, e porque no tempo do profeta não havia música, especialmente música ocidental, que é música dos infiéis.

 
O motorista do táxi educadamente desliga o rádio, sai do carro dirige-se à  porta do lado do cliente e abre-a.


O Árabe pergunta: - "O que você está a fazer?

 Resposta do taxista:
"No tempo do profeta não havia táxis, por isso saia e espere pelo próximo camelo".

( Não aconteceu, mas podia ter acontecido...)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Que porra de país é este?

Durante quatro anos tivemos um governo subserviente a obedecer como um cão de fila às ordens de Bruxelas, do  Schaueble  e dos mercados. Ninguém protestava, apesar de haver cada vez mais gente na pobreza, no desemprego ou obrigada a emigrar. A comunicação social apoiava a posição do governo e os "especialistas" em economia apelavam aos portugueses para terem calma e aceitarem com resignação a austeridade(Amen)
Agora que temos um governo que optou pela via do diálogo com Bruxelas para minimizar o sofrimento do povo e restituir alguma dignidade a um país que- lembro- quer voltar a ser soberano , não há cão nem gato que não se insurja, manifeste a sua satisfação, ou faça graçolas, porque Costa vai ser obrigado a ceder.  E a comunicação social, comandada por alguns títulos auto denominados "de referência" é quem rege a orquestra.  Vão-se lixar, com F maiúsculo...!

E se parassem para pensar?

Mário Centeno tem sido muito criticado, por ter apresentado um orçamento demasiado optimista. A vaquinha do presépio- putativa futura líder popular - chamou-lhe irrealista e, seguindo o exemplo de quase toda a comunicação social ( às vezes, artigos como este, fogem à corrente e fazem -me acreditar que o fim do jornalismo é uma notícia manifestamente exagerada) tentou lançar o pânico entre os portugueses. Que Bruxelas ia chumbar o OE; que Mário Centeno teria que rever tudo e António Costa seria humilhado; que a esquerda não  aceitará  as imposições de Bruxelas e o governo  cairá, obrigando a realizar novas eleições as quais, na opinião de jornalistas, analistas, comentadores e outros estupores, terão como consequência o regresso da direita ao governo.
Eu acredito que alguns ( incluindo a vaquinha do presépio e o Gay Mago) estejam mesmo convencidos que Bruxelas irá chumbar o OE e que o primeiro acto de Marcelo, quando chegar a Belém, será dissolver a AR e convocar eleições antecipadas. A esses limito-me a dizer para terem juízo e lerem isto.
Aos outros, que gostam de pensar, lembro que António Costa estará consciente que o OE apresentado pelo seu governo  terá alguma margem de manobra para negociar com Bruxelas. Por isso, terá recomendado a Centeno que elaborasse um OE que permitisse ceder num ou outro ponto, de modo a satisfazer a corja de agiotas europeus. Uma coisa, estou certo, António Costa nunca fará: recuar nas suas promessas eleitorais.
Chegados a este ponto, permito-me fazer uma recomendação àqueles que pensam, mas normalmente só com um lado do cérebro e só vêem para um lado. Refiro-me aos sindicalistas, nomeadamente da CGTP. Se querem deitar tudo a perder, continuem a fazer greves estúpidas como a de hoje na FP a exigir uma medida que a AR já aprovou, ou a fazer exigências irrealistas que não poderão ser cumpridas por  este, nem por nenhum governo.
Se parassem um bocadinho para pensar, logo concluiriam que mais vale um governo que negoceia e vai conseguindo algumas conquistas, do que o anterior, cuja especialidade era arrear as calças diante do Schaueble e dos mercados.
A alternativa a este governo é o regresso da direita, com todas as consequências que conhecemos. Recomendo por isso aos sindicalistas  ( neste caso em especial a  Ana Avoila, figura que faz roer de inveja realizadores de filmes de terror) que, em nome dos trabalhadores que dizem defender, parem para pensar ( um bocadinho só, vá lá...) nas consequências desastrosas para os trabalhadores de decisões tomadas apenas com o coração e sem ouvir a voz da razão.
Eu sei que  esta greve serviu para marcar posição e anunciar ao país que o PCP ainda está vivo mas hoje à noite, quando regressarem a casa nos vossos Mercedes e BMW,  pensem um bocadinho na minha recomendação. O país agradece. É que voltar ao tempo em que tínhamos um governo que chegava a Bruxelas, descia as calças e deixava-se açoitar até que Schaueble ficasse satisfeito, com as medidas punitivas aplicadas a quem vive do seu trabalho, não deve ser muito do agrado dos portugueses. Pelo menos dos que trabalham e vocês querem defender.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

E que tal um pingo de vergonha?

Há que reconhecer que o aumento das pensões mais baixas proposto pelo governo é ridiculamente baixo.
No entanto, ver o PSD e o CDS que passaram quatro anos e roubar os pensionistas exigirem um aumento de 1,5% provoca vómitos a qualquer pessoa de bem.
É preciso não ter um pingo de vergonha na puta da cara para se armarem agora em defensores dos velhinhos. Cabrões!

Não, senhora ministra!

A ministra da justiça francesa demitiu-se por discordar da decisão do governo que retira a cidadania a cidadãos com dupla nacionalidade acusados de terrorismo.
Eu estaria aqui agora a  elogiar a decisão de Christiane Taubira, se a medida não fosse apenas aplicável a cidadãos com dupla nacionalidade, pois isso significaria que cidadãos com apenas uma nacionalidade passariam a ser considerados apátridas. Só que  esse risco foi salvaguardado, por isso, a sua demissão, senhora ministra, não se justifica.
Se o terrorista tem dupla nacionalidade, que vá fazer terrorismo para a terra dele, ok? De preferência longe da Europa e em locais onde os EUA e várias potências europeias costumam praticar esses actos.
Cá pela Europa, eu prefiro viver em paz.

O final deste filme não vai ser bonito de se ver (2)

Se o caso Matteo Renzi é patético, mas revelador da cobardia europeia quando se fala de dinheiro, o que por estes dias se está a passar na Europa em relação aos refugiados é preocupante.
Na Dinamarca, os refugiados são espoliados dos seus bens ( só podem ficar com 1340 euros e joias pessoais, como alianças) e a reunificação da família só é possível ao fim de três anos.
Na  Holanda,  os refugiados têm de entregar 75% do seu salário ao governo, para pagar as despesas no sítio de acolhimento. Medida que está a ser muito bem acolhida em alguns estados alemães, apesar da posição - que já aqui enalteci- da senhora Merkel.
No País de Gales os refugiados são obrigados  a usar pulseiras fluorescentes, para serem facilmente identificáveis.
Nem vale apena argumentar que estas medidas são uma clara violação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Seria uma perda de tempo pôr-me aqui a fazer uma dissertação sobre a desumanidade destas medidas, ou de como são o prfenúncio de uma Europa que chegou a ser um exemplo para o mundo civilizado.
O que importa neste momento reflectir é que as medidas avulsas tomadas por cada país, só foram possíveis porque a Europa não tem liderança, os governantes da maioria dos países não têm valores, e as instituições europeias só são solidárias quando se trata de roubar e punir os pobres que lutam pela sobrevivência.
Não me revejo numa Europa vergada ao poder dos mercados e insensível à miséria, mas não é difícil prever que o final deste filme não vai ser bonito de se ver.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O final deste filme não vai ser bonito de se ver (1)

O primeiro ministro italiano mandou tapar as estátuas dos Capitolinos, para não ofender o presidente do Irão.
Seria para rir, se esta capitulação dos lideres europeus não fosse trágica. A Europa tem valores, tem cultura, tem identidade, mas quem lídera parece ignorá-lo e ajoelha perante valores que não são seus, em nome do sacrossanto mercado. Levantadas as sanções, o Irão tornou-se um mercado apetecível e há que agradar aos seus líderes.
Alguém lembre os  Matteo Renzi da Europa  que quanto mais se baixam, mais o cú se lhes vê e o final desta história nem honrará a Europa, nem será bonito de se ver.

Com amigos destes...

No momento em que as agências de rating e toda a parafernália de instituições subordinadas aos interesses proclamados em Davos e Bloomberg, lançam uma série de críticas ao orçamento apresentado pelo governo português e ameaçam cortar o nosso rating, é bom lembrar o que ontem disse o Tribunal de Contas Europeu sobre a forma como a Comissão Europeia actuou em relação aos cinco países europeus que foram sujeitos a resgate.
Aproveito para lembrar que durante o período de resgate, o presidente da Comissão Europeia era Durão Barroso, que agora anda por aí a arrotar postas de pescada em conferências pagas a peso de ouro.
Já agora, seria de bom senso que, face a este relatório do TCE, os agiotas das agências financeiras se calassem durante algum tempo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Mas que grande surpresa!

Então não há devolução de sobretaxa? Mas que grande surpresa! Desconfio que a culpa é do António Costa.
A  cabrinha mentirosa e o seu núncio deveriam ser condenados por andarem a passar cheques ( eleitorais) sem cobertura. Em vez disso, a ex- terrorista, digo, ministra das finanças, deu uma conferência de imprensa para dizer que assume como uma derrota pessoal e uma desilusão, o não cumprimento da promessa de devolução da sobretaxa. Lata não lhe falta! Um dia destes ainda anuncia a candidatura à presidência dos laranjinhas.

Paulo Futre, o visionário

Lembram-se de Paulo Futre ter um dia dito que vinham aí charters cheios de chineses para  ver o Sporting jogar à bola? E, como eu, também se riram muito?
Pois chegou o momento de ser Paulo Futre a rir  e os que se riram dele meterem a viola no saco. Com efeito, uma empresa chinesa vai patrocinar a II Liga de futebol e o contrato obriga os clubes a receberem 10 jogadores chineses e 3 treinadores adjuntos.
A China Airlines já está a estudar a hipótese de fazer voos  directos para Lisboa, dando assim hipóteses a milhares de chineses virem a Portugal ao fim de semana ver os seus craques.
Cheira-me que a parte da notícia sobre a vinda de jogadores chineses tão falsa como Judas. É que não estou mesmo a ver nenhum clube a aceitar receber jogadores chineses com estatuto de titulares...
Mas que Paulo Futre deve estar a rebolar-se de gozo, não tenho dúvidas...
Em tempo: A Liga e a empresa chinesa acabam de esclarecer que aquela parte da notícia é mesmo falsa. Podem vir jogadores, mas sem obrigatoriedade de serem titulares. Obviamente...

Momento Pedro Arroja

Jerónimo de Sousa teve uma intervenção infeliz e machista em relação a Marisa Matias, após o desastre eleitoral de Edgar Silva. Felizmente poucos se indignaram e não houve escândalo nas redes sociais . Terá sido porque a visada era Marisa Matias, ou porque o autor foi Jerónimo de Sousa?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A prenda

Cavaco Silva tinha uma prenda guardada para oferecer ao governo antes de se ir embora.

Rescaldo da noite eleitoral (2)

Um a um, eis como analiso os resultados dos candidatos

Marcelo Rebelo de Sousa ( 51,99%)- Era o vencedor anunciado, mesmo antes de apresentar a sua candidatura.  Sem surpresa, os resultados confirmaram-no como futuro inquilino de Belém à primeira volta mas, apesar de ter deixado Sampaio da Nóvoa a larga distância, a sua vitória não foi tão folgada como as sondagens previam. Não tivesse tido a colaboração de S. Pedro que nos presenteou com um belo dia de sol e talvez fosse obrigado a disputar uma segunda volta, onde tudo poderia acontecer. Mas- é de bom tom reconhecê-lo- foi um vencedor justo que ganhou sem batota. Bastou-lhe fazer-se de morto para vencer em todos os distritos e obter mais meio milhão de votos do que PSD e CDS nas legislativas. Quer isso dizer que não só foi buscar votos ao PS, como terá conseguido convencer muitos abstencionistas que não votaram no PaF em Outubro.
É quase certo que irá devolver o prestígio ao cargo de PR, mas é uma incógnita a forma como irá exercer o seu mandato. A sua imprevisibilidade e tentação para a intriga política podem ser nocivas num futuro próximo mas, se mantiver o equilíbrio e conquistar a confiança dos portugueses, poderemos muito bem vir a ver a sua fotografia nos lares dos portugueses, rendidos às suas " Conversas em Família".


António Sampaio da Nóvoa (22,9%)- Em certos momentos, Sampaio da Nóvoa fez-me lembrar Mário Soares em 1986. Partiu como um candidato desconhecido e  derrotado à partida mas, paulatinamente, foi-se impondo, tornando  conhecido e ganhando a admiração de muitos portugueses. Foi traído pela candidatura de Maria de Belém que, literalmente, se lhe atravessou no caminho. Apesar disso, mais uma semana de campanha e talvez hoje estivéssemos a falar da segunda volta. Mostrou ter perfil para estar em Belém e o país teria certamente muito a ganhar com a sua eleição, como ficou bem claro durante a campanha eleitoral e na grandeza do seu discurso de derrota.
Recolheu pouco mais de 1 milhão de votos, menos 700 mil do que o PS nas legislativas. Cerca de 200 mil foram directamente para Maria de Belém enquanto meio milhão se distribuiu por outros candidatos, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa. Foi o preço que teve de pagar por não poder ter o apoio do PS, depois de Maria de Belém se ter lançado na corrida, com o único intuito de atrapalhar.

Marisa Matias (10,13%)- Para muitos, o seu terceiro lugar terá sido uma surpresa, mas os mais atentos estavam à espera de um resultado assim. Poderia até ter obtido uma votação mais expressiva, se não tivesse dado um tiro no pé ao atacar o TC pela decisão de declarar inconstitucionais os cortes das subvenções vitalícias dos deputados.
Ao obter  quase meio milhão de votos, teve um resultado muito similar ao do BE nas legislativas e, se fizermos a ponderação com a abstenção, ultrapassou mesmo a votação do BE.
O seu resultado pode vir a provocar  problemas ao governo, se o BE cair na tentação de extrapolar os resultados para uma interpretação governativa.  

Maria de Belém( 4,24%)- Não chegou a obter 200 mil votos, o que significa que o seu pecúlio foi alcançado entre seguristas ou pessoas que se deixaram iludir pela sua postura de beata ao estilo Madre Teresa.
Maria de Belém teve um resultado vergonhoso, mas merecido. É um resultado à sua medida e à altura da sua campanha vazia, que demonstra à saciedade, que era uma candidata de facção. Prejudicou o país e o PS, ao apresentar a sua candidatura com o objectivo único de dificultar a vida a António Costa. Teve aquilo que mereceu: foi humilhada. Por outro lado, garantiu a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta, o que no fundo não lhe terá desagradado. O seu primeiro objectivo (impedir que o candidato preferido de António Costa e da maioria dos socialistas fosse eleito) foi conseguido, embora esse feito de que quis ser protagonista, tivesse significado o fim dos "seguristas".

Edgar Silva (3,95%)- A CDU obteve quase 450 mil votos nas legislativas de Outubro. Edgar Silva conseguiu apenas 180 mil. A pergunta óbvia é: para onde foram 270 mil votos tradicionalmente pertença do PCP(CDU)?
Edgar Silva foi um erro de casting e o seu resultado pode provocar um terramoto no PCP, confrontado com duas derrotas consecutivas face ao BE. A grande incógnita é saber como irá reagir o Comité Central a estes desastres e que efeitos poderá ter o terramoto eleitoral das presidenciais na sobrevivência de Jerónimo de Sousa e do próprio governo. É verdade que o próprio Jerónimo se apressou a dizer que o pior resultado de sempre de um candidato comunista nas presidenciais em nada alterará a posição do PCP face  ao governo, mas será isso suficiente para tranquilizar os dinossauros que ainda pululam na Soeiro Pereira Gomes?

Vitorino Silva (3,29%)- Tino de Rans foi a grande surpresa da noite. Obteve mais de 150 mil votos, conseguiu bater Edgar Silva e Maria de Belém em vários distritos.  Teve menos 30 mil votos que o candidato do PCP e 40 mil do que a candidata segurista. Como o próprio disse, foi o campeão dos pequeninos e esteve a um pequeno passo de subir à I Liga, intrometendo-se entre os tubarões. Segredo para o sucesso de um candidato sem programa, sem discurso, sem uma definição clara da interpretação que faz da melhor forma de exercer o cargo de PR? É tentador responder com a bacoquice do povo português mas, se analisarem os resultados distrito a distrito e mantiverem a mesma opinião, então é caso para dizer que há sobejas razões para nos preocuparmos em relação ao futuro.

Paulo Morais (2,15%)- Não conseguiu chegar aos cem mil votos, o que demonstra que não chega cavalgar a bandeira da luta contra a corrupção para cativar os votos dos portugueses. Um candidato a PR não pode ser monocórdico e confundir-se com um  realejo.

Henrique Neto (0,84%)- Foi o primeiro candidato a apresentar-se à corrida a Belém. A sua fama de empresário não concatenou com a sua estratégia para ganhar as presidenciais. Um discurso "à Medina Carreira", sem uma linha orientadora capaz de motivar os eleitores, rendeu-lhe apenas 38 mil votos.

Jorge Sequeira (0,3%) e Cândido Ferreira (0,23%)- Não tinham nada  a oferecer, também nada pediram além de algum tempo de antena. Alguns portugueses que propuseram as suas candidaturas lembraram-se de votar neles. Nada acrescentaram nesta campanha, a não ser alguns momentos de humor e de má língua.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Rescaldo da noite eleitoral : e o Alegre se fez triste

Assim que começaram a ser conhecidos os resultados, foi estalando o verniz em alguns candidatos e seus apoiantes.
Um dos casos mais tristes foi a reacção de Manuel Alegre ao resultado desastroso de Maria de Belém. O poeta não tem legitimidade para fazer as acusações que fez ao PS, pois ele próprio dividiu o PS nas duas anteriores  eleições presidenciais. Acresce que se alguém dividiu e tentou provocar uma cisão entre os socialistas foi Maria de Belém, pela forma como anunciou a sua candidatura. Já durante a campanha, muitas vezes escolheu como seu adversário Sampaio da Nóvoa em vez de Marcelo.
A boa notícia desta noite  é que depois deste desastre eleitoral, o "segurismo" tem os dias contados. Assis e a sua trupe podem desfazer a tenda e filiar-se no PSD, ou formar outro partido, mas tenho esperança que nunca mais tenham voz activa no Largo do Rato.
A vitória de Marcelo Rebelo de Sousa não é um desastre. Apesar de ser uma pessoa imprevisível, é expectável que restitua ao cargo o prestígio que Cavaco lhe roubou. E não acredito que vá para Belém fazer fretes ao PSD. Pelo menos enquanto Passos Coelho estiver à frente do partido, pois Marcelo não vai esquecer a cena do catavento.
É também por isso, que António Costa não deve estar desagradado nem desconfortável com a eleição de Marcelo.
O perigo de uma desagregação deste governo está mais ameaçado pelas ondas de choque que podem eclodir do confronto entre o resultado magnífico de Marisa Matias e o resultado desastroso de Edgar Silva. Como reagirá o PCP a esta subalternização face ao Bloco de Esquerda, que confirmou os resultados das legislativas? A resposta pode ser muito preocupante...

Resumindo é isto...

Já toda a gente sabe o final da novela, mas alguns dos protagonistas tentam fazer crer que a comunicação social está enganada e o final é uma surpresa bem guardada.
Além disto, há a registar os péssimos resultados de Maria de Belém e Edgar Silva. Ver estes dois candidatos a lutar taco a taco com Tino de Rans, pelo 4º lugar, é no mínimo surpreendente.
Será que PCP e seguristas vão aprender alguma coisa com estas eleições?
Confirmada, também a revelação de uma grande protagonista: Marisa Matias. Não tivesse cometido aquela gaffe com as subvenções vitalícias dos deputados e a surpresa poderia ter sido ainda maior.

Da série jornalismo fantástico


Quando o efeito borboleta inspira o jornalismo do  fantástico,  títulos fantasmagóricos voam para as bancas.

Com os meus agradecimentos à Joana Lopes

sábado, 23 de janeiro de 2016

Bibó Porto (60)



Estava tentado a apostar que se perguntasse aos meus leitores como se chama  esta praça, 90 por cento não acertariam na resposta. Incluindo alguns leitores do Porto, onde esta praça está localizada. No meu tempo, a Praça Lisboa era um terminal de camionagem quase infrequentável e pouco mais. Uma intervenção urbanística concluída há cerca de dois ou três anos, transformou a Praça de Lisboa no muito aprazível Passeio dos Clérigos, onde há restaurantes, lojas, espaços verdes que convidam ao lazer e, mesmo em frente, a famosíssima Livraria Lello.  
Localizado mesmo junto à Universidade e à movida nocturna que tem atraído muitos turistas ao Porto nos fins de semana, o Passeio dos Clérigos é hoje em dia um local de passagem obrigatória dos turistas e, dali, partem alguns circuitos turísticos  de tuk tuk. E não só...

Tobias em dia de reflexão

Reflictam muito, ok?
( Via FB)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Antes de começar o dia de reflexão...

A direita anda meio zangada com Marcelo mas mesmo a mais reacionária e bacoca ( estilo Blasfemos)  vai votar nele no domingo, porque sempre prefere um catavento, do que um tipo com convicções que seja de esquerda.
É por isso que urge apelar ao voto da esquerda. Mesmo que apenas haja um  candidato com hipóteses de disputar a segunda volta com Marcelo, qualquer voto em candidatos de esquerda é útil.

Estava enganado,Professor Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa disse na semana passada que já ninguém mudava o sentido de voto até às eleições. Pois eu vou demonstrar-lhe que está enganado, professor.
Na verdade, mudei o meu sentido de voto há menos de 72 horas e, posso assegurar-lhe,  conheço mais pessoas que fizeram o mesmo. Estou aindaem condições de o informar que, depois de uma rápida sondagem ao meu círculo de amigos e conhecidos, que as duas candidatas a Belém ( Marisa e  Maria)  foram as prejudicadas e, curiosamente, pela mesma razão: as subvenções vitalícias dos deputados.
Passo então a explicar:
As reacções de Marisa Matias e Maria de Belém à decisão do TC de considerar o corte das subvenções inconstitucional foram desastrosas.
Em minha opinião os juízes decidiram acertadamente. Apesar de sempre ter considerado as subvenções vitalícias dos deputados um insulto aos trabalhadores portugueses  reconheço que  a eliminação de um direito adquirido seria injusto.  Não se pode protestar contra os cortes das pensões dos reformados e ser a favor dos cortes quando se trata de deputados. Por outro lado, argumentar que nenhum deputado do BE recebe essa subvenção é demagogia pura. Lembro apenas a Marisa Matias e Catarina Martins que o direito à subvenção vitalícia terminou em 2005, por decisão do governo de Sócrates, pelo que os deputados do BE nunca teriam direito a ela, porque só a partir de 2003 passaram a ter assento na AR.
Finalmente, cara Marisa Matias, mesmo discordando da decisão do TC, a sua obrigação era remeter-se ao silêncio, pois o eleitorado ( pelo menos o mais esclarecido) não percebe como é que uma (candidato a) PR pode aplaudir e criticar as decisões do TC, consoante as decisões agradam ou não à ideologia que defende.
Assim lamento informá-la, cara Marisa Matias, mas depois desta sua intervenção populista, o meu voto irá para Sampaio da Nóvoa e pode desde já descontar mais alguns votos de pessoas que conheço, cuja intenção era votarem em si, mas que decidiram mudar o sentido de voto e vão optar por Sampaio da Nóvoa. Temos pena, mas somos coerentes!
Maria de Belém também esteve mal e  reagiu de uma forma que só surpreende quem a não conhece. Confrontada com o facto de ter sido uma das signatárias do pedido de inconstitucionalidade do diploma que suspende as subvenções vitalícias, a candidata fundamentalista anti tabágica reagiu dizendo que " nunca abdica de nenhum dos seus direitos". Nada a criticar. O que é criticável é Maria de Belém não ter agido de igual forma quando se tratou de pedir a inconstitucionalidade dos cortes das pensões e dos salários dos funcionários públicos. Ora, um casal meu amigo, que tencionava votar em Maria de Belém, não gostou de saber que ia votar numa mulher que sabe defender os seus direitos, mas está-se Cag....  para a defesa dos direitos dos cidadãos que a elegeram.
Esse casal está ainda indeciso, não sabendo se irá abster-se ou votar noutro candidato, mas outro amigo meu já decidiu que irá votar em si, professor Marcelo. Mais satisfeito, agora que sabe que Maria de Belém lhe prestou um grande favor?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

E serão felizes para sempre?

Porque vivemos dias de concórdia, como há muitos anos não se via neste país, hoje deixo-vos com esta história de amor.

Já começou a asneirar

Assunção Cristas "acha" que restituir os direitos aos cidadãos, ou devolver parte do que lhes foi roubado pelo governo anterior, é destruir o laborioso trabalho de quatro anos e meio.
Tá bem, filha, faz-te à estrada e  vai chatear o Camões.
Estrelinha que te guie, tá?

Expliquem-me direitinho, porque sou muito lerdo!

Creio que o horário de 35 horas na função pública é uma prática que remonta aos anos 80 do século passado e tenho a certeza que há pelo menos 35 anos que a generalidade dos funcionários públicos não trabalha 40 horas.
Sei, também com toda a certeza, que em nenhum país europeu os funcionários públicos trabalham 40 horas semanais.
Sei, ainda, que as 35 horas foram aceites de forma mais  ou menos pacífica, até ao momento em que um governo de gente sem escrúpulos, animada por um espírito de vingança e perseguição aos funcionários públicos, resolveu punir os mandriões do estado, obrigando-os a trabalhar 40 horas semanais sob o pretexto, falso, de que esse é o horário normal do sector privado.
Sei, finalmente, que durante 40 anos de trabalho o número de feriados só foi reduzido quando esse grupo de energúmenos assaltou o pote.
Qualquer pessoa minimamente informada e de boa fé sabe que não foi a redução do horário de trabalho, nem o número de feriados, que contribuíram para a grave crise que Portugal enfrenta desde 2007. E, a contrario, ninguém minimamente sério pode afirmar que a produtividade aumentou com o corte de quatro feriados, ou que o horário de 35 horas na função pública lesou a economia.
Eu, que sou ainda mais lerdo que a Guidinha, não consigo perceber a razão de tanta celeuma e indignação, só porque o governo quer repor os feriados cortados e as 35 horas de trabalho na função pública.
Até porque, como acima salientei, não há nenhum  país europeu onde os funcionários públicos trabalhem 40 horas  semanais e essa ideia de que Portugal é o país com mais feriados da Europa é uma treta que já aqui desmontei várias vezes, mas que a comunicação social preguiçosa e burra continua a alimentar.
Mas que outra coisa poderíamos esperar de uma comunicação social que vai pedir a opinião de João César das Neves sobre estas matérias?
Se a ideia é intoxicar a opinião pública com argumentos  contra os privilegiados funcionários públicos, podiam convidar directamente o crápula do Rosalino ( secretário de estado da administração pública do anterior governo) ou Miguel Sousa Tavares, não é preciso chamarem o economista do regime.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A doença é grave...

O FC do Porto foi hoje a Famalicão jogar para a Taça da Liga e perdeu (1-0).
Eu sei que a equipa jogou  apenas com três ou quatro titulares, mas isso não serve de desculpa porque o Famalicão fez o mesmo.
Importante é realçar que, em jogo da II Liga, a equipa B do FC do Porto jogou neste mesmo estádio, mas contra a principal formação dos famalicenses e ganhou por 4-2. Um facto que demonstra bem que a doença da principal equipa dos azuis e brancos ( que teimam em jogar com aquele equipamento cor de caca) é muito grave. Não sei se é vedetismo, falta de profissionalismo, ou falta de motivação, mas que a equipa está gravemente doente, não tenho dúvidas. Terá Peseiro a mezinha indicada para curar o doente? Tenho dúvidas, mas a esperança é a última a morrer.

Lá vão eles brincar aos pobrezinhos!

Começa hoje a cimeira de Davos, que anualmengte reúne os mais ricos e poderosos do mundo.
 No início desta semana confirmou-se a notícia que já aqui dera no final do ano passado: 1% da população mundial detém a mesma riqueza que os restantes 99% e 62 pessoas detêm tanta riqueza como metade da população mais pobre do planeta.
Sobre isto não se discutirá em Davos mas, durante os aperitivos para cada refeição, gastar-se-á em champagne o suficiente para alimentar mil pessoas durante uma semana.
No final da reunião todos se vão mostrar muito pesarosos com os pobrezinhos, prometer algumas obras de caridade para acabar com  o flagelo da pobreza, rezar umas orações e, em privado, insultar o papa Francisco e chamar-lhe perigoso comunista.
Perante isto, não podemos encolher os ombros. Devemos é eleger políticos que ponham esta cambada a trabalhar,  a pagar impostos, a acabar com as off shores  e  a promover a redistribuição justa da riqueza. Se não o fizermos e continuarmos a votar nos partidos que conduziram o mundo a esta situação, com a promessa de que todos podemos ser ricos, não nos podemos queixar.  Temos aquilo que merecemos. E vota Marcelo, pá!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Serviço público é isto...

Depois de duas horas de debate entre presidenciáveis,  a RTP exibe a série "Terapia".
Se isto não é serviço público, onde está o serviço público?

Um murro no estômago


Hoje, ao acordar, apanhei um murro no estômago. A notícia da morte de Almeida Santos apanhou-me de surpresa. Conheci-o em 76, tive o privilégio de trabalhar com ele durante dois anos e essa experiência ficou sempre gravada na minha vida como algo de sublime. Almeida Santos não foi apenas um lutador anti fascista que lutou pela liberdade, um tribuno de excelência., ou um político dos afectos. Era uma pessoa de uma grande generosidade, de um trato invulgar com os seus colaboradores, excepcional em termos humanos, que lutava por causas e era de uma sabedoria ímpar. Marcou a minha vida mas, acima de tudo, deixou uma forte marca neste país.
Ninguém recolhe a unanimidade de opiniões positivas e muitos lhe farão críticas, mas acusá-lo de ter "vendido" Moçambique aos comunistas ( como já ouvi ...) é de uma idiotice sem nome.
Não por acaso, muitos daqueles que o acusam de ter vendido Moçambique ( gente que abandonou Moçambique depois da independência) assistiram impávidos à tomada do poder por um grupo de bandidos que vendeu o país ao desbarato e, por vezes, com indícios de falcatrua, como no caso da TAP. Mas, para esses, não houve uma recriminação. Apenas um encolher de ombros.

Estudo revela que metade dos portugueses é lelé da cuca*

Um estudo realizado no âmbito do projecto Farol revela que 46% dos portugueses considera a situação económica e social do país  pior do que há 40 anos, ou seja, no período de extertor do Estado Novo.
Há por aí muita gente indignada com estes resultados  e até eu talvez esteja um bocadinho, pois a minha primeira reacção foi desejar metê-los numa máquina do tempo e obrigá-los a viver nesse tempo, para ver se mantinham a mesma opinião.
Muitos dos mais velhos talvez  não se importassem com a Censura, nem com a PIDE, nem com a guerra colonial, nem com a pobreza, mas gostava de saber como é que velhos e novos iam resistir a viver sem telemóvel,  sem  máquina de lavar roupa e louça, sem frigorífico nem uma parafernália de merdas inúteis que só servem para dar status,  sem viagens às Caraíbas, sem  pelo menos dois carros por agregado familiar e  sem fazer zapping sentados no sofá, porque naquele tempo só havia dois canais de televisão públicos e a televisão era a preto e branco.
Quanto às mulheres - a maioria da população portuguesa - deveriam adorar regressar ao tempo em que não podiam sair do país sem autorização do marido, aceitar que o marido lhes violasse a correspondência, ter o acesso ao mercado de trabalho limitado, ou ver os filhos partirem para a guerra em África sem saber se os voltariam a ver.
Recomendo por isso aos quase 5 milhões de portugueses que acreditam que antes do 25 de Abril é que era bom, que se metam na máquina do tempo e vão recordar ( ou experimentar pela primeira vez) como era a vida no tempo do Botas e do pai do Marcelo que quer ir viver para o palácio de Belém e era afilhado do outro Marcelo do Ca(e)tano que também dormia pouco e adorava "Conversas em Família", porque naquele tempo não havia comentadores.
Bora lá experimentar?

*AVISO: Este estudo é de 2011  e a ele fiz referência nessa altura, mas pareceu-me oportuno relembra-lo, em vésperas de eleições presidenciais. Et pour cause...

Pior a emenda...

Acabo de ouvir na RTP que  José Peseiro será o novo treinador do FC do Porto e terá assinado um contrato até Junho de 2017.
Mais valia ficar com Rui Barros até final desta época e esperar que Marco Silva se desvincule do Olimpiakos. Assim, vai ser um novo barrete.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Message Personnel *


Foi ontem que esta senhora  fez 71 anos. Mantém a classe e a beleza que fez tremelicar muitos corações ( incluindo o meu) nos anos 60. 
No video da canção que escolhi podem ver várias fotos da sua juventude mas, se quiserem ver uma galeria de fotos completíssima, onde podem confirmar que Françoise Hardy continua uma senhora, então vão até aqui

* O título do último disco de Françoise Hardy( aqui)

Lição da campanha para as presidenciais

Não tenho seguido com muita atenção a campanha para as presidenciais, mas deu para perceber que os apoiantes de Maria de Belém escolheram Sampaio da Nóvoa como  adversário directo da sua candidata.
É uma estratégia, no mínimo bizarra, que demonstra aos mais distraídos o que é o actual PS.
Ao lado de Maria de Belém estão os homens do  sistema, confortáveis com o Centrão e todas as comodidades, benefícios e prebendas que lhes confere. (Lamento que Manuel Alegre e outras destacadas figuras que muito prezo estejam desse lado, mas não me surpreende).
Ao lado de Sampaio da Nóvoa o PS renovado, que regressou às suas raízes e respeita o seu passado, vendo nos partidos da esquerda os seus aliados naturais.
Ainda bem que esta clivagem se deu durante as presidenciais, porque o rescaldo vai ser penoso mas ainda haverá tempo de sarar feridas  e separar as águas até às próximas legislativas.
Duvido que haja segunda volta mas, se houver, espero que não seja entre Marcelo e Belém pois, nesse caso, terei de me abster. Em Maria de Belém nunca votarei

domingo, 17 de janeiro de 2016

E que tal fazer rewind?

Se alguém ainda tinha dúvidas hoje ficou bem claro,  depois da exibição em Guimarães onde já não perdia há 14 anos, que o problema do FC do Porto não é apenas de treinador.
Já aqui escrevi e repito-o: o problema do FC do Porto tem de ser atacado na raiz porque, enquanto isso não acontecer, podem vir os melhores treinadores mas o regresso a um período dominador não acontecerá. Pinto da Costa ainda não tem sucessor e já não está em condições de ser o senhor todo poderoso que levou o clube a momentos de glória, certamente irrepetíveis num futuro próximo.
É verdade que o FC do Porto tem sido prejudicado pelas arbitragens ( não foi o caso de ontem em Guimarães, apesar da expulsão de Aboubakar ter sido ridícula) mas o que falta neste momento naquela equipa é amor à camisola, o portismo que levou o clube às vitórias nas últimas décadas.
O FC do Porto foi duas vezes campeão europeu sem estrelas. Agora, que tem o plantel recheado de estrelas, não ganha nada.
Casillas deu hoje mais um frango, Imbula é expulso em cada dois jogos, Tello está armado em vedeta, a maioria dos jogadores não sua a camisola e os que têm coração à Porto são pouco utilizados.
Talvez valha a pena rebobinar o filme, antes que seja tarde.

Bibó Porto (59): onde se fala de pitos




Desde Julho de 2015 que a Baixa portuense foi invadida pela febre dos pitos. Onde noutros  tempos se faziam mobílias, passaram a aviar-se pitos.  Confeccionados das mais variadas formas, os pitos  podem ser comidos inteiros, apenas as entranhas ( moelas e fígados) ou a parte que mais agradar ao freguês ( asinhas, coxinhas, peitos,uropígios, etc).

E neste novel restaurante que dá pelo nome de BaixóPito, também há lugar para as coisas doces,como o Meiovo, uma sobremesa constituída por um ovo de chocolate, panacotta de baunilha e ovos moles.
Agora só falta dizer onde fica o BaixóPito. Quem é do Porto deve ter percebido, logo no início do post, que só poderia ser na Rua da Picaria pois esta rua onde agora abriram vários restaurantes muito apreciados, como " A Badalhoca da Baixa", era noutros tempos conhecida por ali existirem muitas casas onde se fazia mobiliário " à medida".
Dizem os mais antigos que ali moravam ( o meu professor de História  e Filosofia morava lá)  que em tempos já  havia ali  umas casas onde se comiam uropígios. 
Pronto, esta semana isto não correu lá muito bem, mas na próxima será melhor.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Ainda que mal pergunte

Alguém me sabe dizer o que fez Maria de Belém de tão relevante no país, para merecer os discursos inflamados de alguns destacados militantes do PS?
Ou artigos deste calibre do pugilista de Felgueiras?
E aqueles que atacam Sampaio da Nóvoa e defendem que o PS devia apoiar Maria de Belém, porque já foi presidente dos socialistas, podem fazer o obséquio de me informar o que é que o PS ganhou com a presidência de Maria de Belém?
E, se não for muito incómodo, podiam explicar-me o que ganharia o país se Maria de Belém fosse PR?
Agradecido.

Se houvesse justiça...

Não é novidade para ninguém que o governo anterior cometeu vários crimes que lesaram o país e os portugueses de forma  gravosa.
Se é verdade que a reversão de muitas medidas não poderá nunca reparar os prejuízos causados a quem ficou desempregado, teve de emigrar, ou foi condenado à morte por falta de assistência médica, há outros crimes, de âmbito patrimonial, que não deveriam passar impunes, se houvesse justiça em Portugal. .
Recomendo que leiam o artigo, mas também a carta da comissária europeia,muito reveladora sobre o que se passou no BANIF

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A candidata

Durante algumas semanas a comunicação social andou a alimentar o  "romance" da sucessão de Paulo Portas. 
Ninguém tinha dúvidas que Nuno Melo não se candidataria, mas era preciso criar "suspense" e acalmar as hostes centristas que não vêem com bons olhos uma mulher à frente do partido.
Obviamente,o homem de Joane não estava minimamente interessado em abandonar o exílio dourado de Bruxelas, mas alimentou o filme, para não se criar a ideia, no seio dos centristas, de que não havia alternativa a Cristas. 
Nuno Melo deu uma entrevista à RTP 3 para encher chouriços, na manhã do dia seguinte comunicou ao partido e ao país que não seria candidato, para não quebrar o compromisso com os eleitores que o elegeram deputado europeu ( cof, cof, cof!) e ao início da noite, aproveitando a boleia dos telejornais, Assunção Cristas comunicou ao país que  seria a herdeira de Paulo Portas ( não disse " cumprindo assim um desejo de Paulo Portas" mas o país inteiro percebeu).
Admito que Assunção Cristas venha a ser uma excelente presidente do CDS e louvo-lhe a coragem de aceitar o desafio ingrato de suceder a Portas, mas sugiro-lhe que tenha mais cuidado com os seus discursos, porque o de ontem (lido) deixou muito a desejar. 
Não vou descer ao pormenor de dissecar o discurso da candidata, basta pegar na primeira frase para perceber que há muito a corrigir:
" É uma decisão que tomei com o meu marido e a minha família..."- assim começou Cristas. Está mal!
Em primeiro lugar, Assunção Cristas tem de aprender a conciliar os tempos dos verbos. Misturar presente com passado numa mesma frase, ainda por cima tão curta, não abona nada em favor da candidata, no concernente ao uso da língua portuguesa. 
Já a ideia de separar marido e família, tem que se lhe diga. Pode agradar a algum sector dentro do CDS, mas tenho as minhas dúvidas que colha apoios muito abrangentes. Como diria o outro, os efeitos desta distinção é uma faca de dois legumes...

É só para lembrar...

Que continuam a chegar refugiados à Europa;
Que continuam os atentados terroristas;
Que aumenta a tensão entre a Arábia Saudita e o Irão;
Que a Coreia do Norte, governada por um doido, é uma potência nuclear;
Que o crash financeiro na China poderá desencadear uma nova crise financeira à escala global;
Que o Daesh continua vivo e não será desmantelado apenas com bombas, porque muitos dos seus fanáticos militantes vivem na Europa;
Que a Europa continua mergulhada numa profunda crise;
Que a crise não se resolve com  austeridade, mas com solidariedade;
Que a solidariedade é impossível, enquanto cada país pensar apenas por si e não com um espírito europeu;
Se não houver espírito europeu, a crise instalada contribuirá para aumentar as desigualdades;
Que o aumento das desigualdades aumenta o descontentamento das populações;
Que as populações descontentes se deixam facilmente seduzir pelo canto da sereia da extrema direita;
Que a extrema direita está a crescer em todo o espaço europeu, fomentando a xenofobia;
Que a xenofobia conduz à violência;
Que a violência faz aumentar a ameaça de desintegração europeia;
Que o espaço europeu ameaça desintegrar-se se, ainda este ano, os ingleses votarem a favor da saída da UE;
Que apesar de tudo isto, os portugueses voltam a endividar-se como se não houvesse amanhã;
Que os bancos continuam a conceder crédito ao consumo sem grandes objecções, porque sabem que os contribuintes cá estão para pagar o crédito mal parado.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Perguntar não ofende...

Mais de 24 horas depois de  o BCE ter criticado a decisão sobre o Novo Banco, uma das maiores gestoras de fundos ter comparado Carlos Costa a Hugo Chavez  e um mês depois de o governo ter tomado posse e criticado o comportamento e actuação do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa ainda não se demitiu? 
É preciso não ter um pingo de vergonha nem dignidade profissional para se manter agarrado ao lugar como uma lapa.

Quo Vadis, Ana?





Há já algum tempo que me interrogava sobre as causas do desaparecimento de Ana Lourenço dos ecrãs da SIC Notícias.
Hoje, tive a resposta: a Ana despediu-se da SIC. Para onde vai não sei mas, vá para onde for, será uma mais valia. Já a SIC Notícias está cada vez mais pobre. Depois da saída de António José Teixeira, vê partir uma das suas caras mais emblemáticas, uma referência de serenidade e isenção.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Tens carradas de razão, Pedro

Em entrevista à RR, Pedro Passos Coelho disse:
 "Se a missão deste governo é desfazer o que o anterior fez, esgota-se em pouco tempo".
Estás cheio de razão, Pedro. O teu governo em quatro anos e meio não fez absolutamente nada. Apenas destruiu, roubou, vendeu ao desbarato e  distribuiu prebendas entre a canalha militante. O pouco  que fez foi sempre em prejuízo de quem trabalha  e isso reverte-se com sentido de justiça, algo que apesar de estar em desuso, a esquerda ainda não esqueceu. Pode, por isso, fazê-lo depressa.

A não perder!



Estreia hoje na RTP a mini série ( 8 episódios) Guerra e Paz, produzida pela BBC.  Os custos de produção foram astronómicos mas diz quem já viu ( estreou  no início do ano em Inglaterra) que o resultado  vale a pena. Portugal será o primeiro país europeu  a exibir a série. ( Sim, já estou a contar com o Brexit..
A estreia está marcada para as 22h37m, entre Bem vindos a Beirais e Terapia ( uma série portuguesa que estreou a semana passada e que tenho vindo a seguir com curiosidade e alguma expectativa, para ver o que sai dali. Até agora, as sessões de terapia do snipper- à terça feira- foram as que mais me prenderam à pantalha).
À guisa de carta de recomendação, informo os meus caros leitores que a adaptação do argumento de Guerra e Paz para televisão é de Andrew Davies, o argumentista de House of Cards e Orgulho e Preconceito. Convencidos?

Milagres do Cavaquistão

No tempo em que os animais falavam, perdão, governavam, perdão outra vez, o melhor é começar de novo.
Escrevia então eu, que no tempo em que a direita governava, Assunção Cristas  rezava a pedir chuva,
Maria Cavaco convencia o marido que Nossa Senhora tinha feito o milagre de enganar a troika e, para abreviar os exemplos, Calvão e Silva ia a Albufeira avisar os comerciantes que Deus às vezes se zanga.
Pensava eu que este  era um governo de um PS laico, apoiado por partidos laicos, mas afinal enganei-me. O senhor ministro da cultura foi à capital do Cavaquistão e invocou a ajuda divina para conceder o milagre pedido pelo presidente da câmara de Viseu que, por acaso, até foi secretário de estado do anterior governo e, eventualmente, deveria estar em melhores condições  para pedir a ajuda divina.
A laicidade já não é o que era e, um dia destes, ainda vamos ouvir o Jerónimo dizer "Graças a Deus"( a direita foi à vida) e a Catarina " Que Deus nos proteja"( dos mafarricos da direita).

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

E que tal um das Caldas?

Lopetegui quer receber prémios de competições que não ganhou.  Diz o ex treinador do FC do Porto que se tivesse continuado a treinar  ganharia todas as competições, por isso tem direito a receber  os prémios.
Lá lata tem o gajo...
Apetece-me dizer que o basco é incompetente como treinador, mas um ás na arte da chulice. Só não digo, porque se ele está a exigir esses prémios é porque o contrato foi mal feito e permite ao ex treinador fazer essa exigência.

Um dia a casa vem abaixo...

Já aqui critiquei a forma ignóbil e bacoca como a presidente da câmara de Colónia reagiu aos ataques  a dezenas de  mulheres em Colónia, na noite de passagem de ano.
Ontem soube-se que  as agressões e tentativas de violação  também foram desvalorizados pela polícia  e, pior ainda, ficamos a saber que a polícia sueca ocultou agressões sexuais contra mulheres, perpetradas por jovens imigrantes durante festivais de música realizados em 2014 e 2015.
Como não acredito que as polícias alemã e sueca sejam uma corja de cobardes, admito que tenham obedecido a ordens superiores ( possivelmente do membro do governo responsável). O objectivo, presumo, será proteger os imigrantes, mas se assim for é um erro terrível. É que o silêncio não só não protege os imigrantes, como põe em risco a segurança das pessoas e leva-as a considerar este tipo de comportamento de minorias, como generalizado
Ora isso é extremamente  grave, porque as pessoas vão interrogar-se: se as agressões tivessem sido praticadas por jovens suecos, alemães e europeus, a notícia  não teria sido amplamente divulgada e os responsáveis severamente punidos?
A tolerância e compreensão das autoridades europeias em relação à especificidade cultural  dos  imigrantes  não tem qualquer justificação e os resultados estão à vista: aumento da violência e desrespeito total pelas regras dos países de acolhimento, que só parecem aplicar-se aos cidadãos europeus.
Em momento algum se pode aceitar que os imigrantes tenham um tratamento mais favorável do que os europeus, pois isso, além de denotar medo e cobardia, a complacência aumenta a insegurança dos cidadãos que, sentindo-se desprotegidos, irão refugiar-se nas teses xenófobas da extrema direita.
Não basta pedir às pessoas para não terem medo. É preciso que as autoridades demonstrem que também não têm medo de aplicar a lei, independentemente de quem praticou actos de violência inqualificáveis. Caso contrário, um dia destes a casa vem abaixo...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

...e os abutres



Se no último post prestei homenagem às baleias, agora é hora de lembrar os abutres que se alimentam de desempregados, à custa dos dinheiros públicos

A baleia...


Em homenagem à baleia que este fim de semana deu à costa junto à praia da Parede. 
Entre as centenas de curiosos que foram ver o seu cadáver, alguns terão parado uns minutos para pensar nas causas do aparecimento de uma baleia por estas paragens. 

Aviso: as reticências no título deste post têm uma explicação. É que no próximo vou falar de abutres...

Não, obrigado!

Desde o início do ano, a minha caixa de correio electrónico tem sido inundada com ofertas grátis de guias, tratamentos e conselhos para emagrecer. 
Eu agradeço imenso tanta generosidade mas, considerando que perdi 16 quilos em pouco mais de dois meses, o que eu precisava era de conselhos, tratamentos e guias, grátis, que me permitissem recuperar o peso perdido sem ter de comer como um desalmado, pois a engordar 200 gramas por semana, não vou longe...

domingo, 10 de janeiro de 2016

Agora que acabaram as festas...

... já fizeram as vossas promessas e a vida tende a voltar à normalidade, parece-me o momento adequado para recordar as reflexões desta criança.
E tenham um 2016 muito feliz!

sábado, 9 de janeiro de 2016

Bibó Porto (58)


Restaurante Antiqvvm



Ainda sou do tempo em que o Solar do Vinho do Porto era ponto de passagem obrigatório quando amigos de Lisboa visitavam a Invicta. Na Primavera e Verão, o final da tarde era a melhor  hora para beber um porto enquanto víamos o por do sol.
Durante a minha vida de emigrante, um dia fui ao Porto e dei com o Solar fechado. Assim permaneceu durante muito tempo mas, felizmente, alguém teve a bela ideia de ali abrir um restaurante.
Sendo ainda recente, não posso opinar sobre a qualidade da comida , mas a localização do Antiqvvmvale pelo menos uma visita. Quanto mais não seja, para beber um porto ao final da tarde e apreciar o pôr do sol, antes de começarem as batalhas gastronómicas.
Para mais informações e ver mais fotos , sugiro uma visita aqui

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O feitiço contra o feiticeiro

Ontem, por mero acaso, vi o debate entre Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa. Não me surpreendeu o facto de Marcelo ter sido cilindrado por Sampaio da Nóvoa que colocou a nu todas as fraquezas ( não me refiro apenas às contradições) do candidato que Passos Coelho e Portas foram obrigados a engolir.
O que me surpreendeu foi  o contraste entre a postura serena de Sampaio da Nóvoa e o descontrolo total de  Marcelo. É verdade que o professor  nunca gostou de ser contrariado e já no tempo da Faculdade reagia mal quando se sentia acossado, mas pensava que a tarimba política lhe tinha dado alguma frieza, mas foi demasiado notório ao longo do Marcelo não está minimamente habituado a ser confrontado e se descontrola quando é sujeito ao contraditório. Este descontrolo é muito desaconselhável a um PR que garante ir exercer o seu mandato com base na conciliação.
Animado com o debate de ontem, hoje decidi ver o confronto de Marcelo com Maria de Belém.
Os primeiros minutos quase me levaram a mudar de canal, pois o estilo peixeirada ameaçava perdurar. Maria de Belém tentou seguir a mesma estratégia de Sampaio da Nóvoa mas, obviamente, ficou muito aquém do ex reitor.
Maria de Belém tem alguma tendência para deixar fugir o pé para o chinelo e também tem alguns pontos fracos que Marcelo soube explorar. De qualquer modo ficou claro que Marcelo não resiste a um confronto e perdeu claramente ambos os debates.
Se em Portugal os debates servissem para ganhar eleições, Marcelo teria perdido qualquer hipótese de chegar a Belém, depois da prestação nestes dois debates.
Ironia do destino, seria caso para dizer que a mesma televisão que durante décadas lhe granjeou a fama e a notoriedade suficiente para se candidatar a Belém, lhe retirou a hipótese de lá chegar em apenas 24 horas

Empresários e patrões

O que distingue um empresário de um patrão?
Os empresários aceitam as regras do jogo e procuram adaptar-se às circunstâncias. Já os patrões, protestam contra tudo o que possa por em causa uma ínfima percentagem dos seus lucros. São contra o aumento do salário mínimo, a redução do horário de trabalho ou a reposição dos feriados, porque olham para os trabalhadores colaboradores como escravos que devem estar muito agradecidos ao patrão por lhes proporcionar a oportunidade de ter um posto de trabalho, nem que seja a troco de um salário de miséria.
É só por isso que tendo gostado de ler este post, sou obrigado a discordar do António, quando chama empresários a estes  jagunços

A pior notícia da semana

Esta  primeira semana de 2016 não foi muito auspiciosa no concernente a boas notícias. Sinceramente, entre a experiência nuclear da Coreia do Norte e a tensão entre a Arábia Saudita e Irão ( com os consequentes contágios já visíveis), não sei qual escolher para pior notícia da semana no âmbito internacional .
A nível interno, a escolha é bem mais fácil. Entre a eleição de um Cavaco II, no dia 24, ou a péssima prestação do meu FC do Porto, não tenho dúvidas. É que ter Marcelo em Belém, apesar de ser mau, sempre é melhor do que manter lá Cavaco, mas ver o meu clube três anos sem ganhar nada, é algo que já não me lembro de ter acontecido e para a qual não estou preparado. E, já agora,  deixem-me acrescentar que apesar de estar farto de Lopetegui, preferia que ele ficasse até final da época e depois, então, entregar o comando da equipa a Villas Boas ou Marco Silva.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Um homem digno



A entrevista de António Guterres à RTP confirmou tudo aquilo que escrevi aqui  e ainda mais uma coisa: foi o melhor primeiro ministro dos últimos 30 anos  e mantém a coerência e dignidade de sempre. 
Ainda bem que não é candidato a PR, pois há lugares internacionais onde pode ser muito mais útil ao país. 

Chamar os bois pelos nomes


Faz hoje um ano que o Charlie Hebdo foi atacado, provocando a onda de indignação e solidariedade de que todos se recordam.
 Depois da chacina as vendas e assinaturas aumentaram, mas a última capa ( que assinala precisamente a data) não honra nem os jornalistas mortos, nem os que ficaram.
Como escrevia há dias Ferreira Fernandes, no DN, " Até o Charlie já não dá o nome aos bois". E na verdade, assim é. Utilizar a imagem de Deus  com a legenda " Um ano depois o assassino continua à solta" é uma demonstração de fraqueza. 
Os jornalistas mortos no dia 7 de Janeiro de 2015 mereciam mais e Deus também não merecia tal desfeita. 
O Vaticano fez fortes críticas à capa do Charlie Hebdo, considerando-a um ataque a todas as religiões. Considero pertinente a reacção, mas discordo dos seus termos. Na verdade, as religiões têm sido a maior causa de guerras entre os homens, embora  isso nada tenha a ver com Deus.
Hoje, em Paris, um totó qualquer sem o medo dos europeus e com a irreverência que lhes tem faltado, entrou numa esquadra com um cinto de explosivos, disposto a assinalar a data com mais um atentado. Não teve tempo, nem juízo, porque os explosivos eram falsos  e a faca não permitiria grandes estragos por isso, foi morto pela polícia. Mas conseguiu atingir o propósito: lembrar que há uma ano uns fanáticos decapitaram um jornal e lançaram o medo na Europa.
Por mim, nesta data, apenas quero recordar que há um ano não entrei na onda do " Je suis Charlie". E não estou nada arrependido, acrescente-se.