quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O regresso do Centrão?

Estiveram muito bem o PCP e o BE ao votarem contra o orçamento retificativo. Mais do que defenderem os interesses dos contribuintes foram coerentes   e isso é o que mais prezo num partido.
Já muito mal esteve o CDS. Mantendo a prática de se aliar à esquerda para fingir que nunca esteve no governo e não tem quaisquer responsabiidades na queda do BANIF, votou contra, alegando ter dúvidas quanto à solução do governo PS que, por acaso não difere da assumidamente defendida pelo PSD, seu ex parceiro de governo. Nada de espantar, num partido dirigido por um vigarista que nunca soube na vida o que é honrar a palavra.
O PSD - apesar de se ter abstido, viabilizando assim a aprovação do orçamento retificativo- foi também hipócrita e mal agradecido, pois o BANIF foi uma bela negociata para o PSD Madeira. Isto para já não falar da forma vergonhosa como o seu governo varreu o problema para debaixo do tapete.
O PS foi o único partido que votou a favor. Não consegui ainda perceber é o que terá ganho com isso. Deve ser problema meu. Habitualmente, a época natalícia tolda-me o raciocínio.
E já agora, como sou fã do Cavaco, aproveito para lembrar que o putativo PR garantiu que a admissão na CPLP do sr. Obiang, presidente nada ideológico de uma República das Bananas, iria permitir grandes investimentos daquele país no BANIF,
Lembro isto, apesar de Cavaco não ter direito a voto na AR. Lembro porque sim...

Sabe o que é pragmatismo, senhor Presidente?

As trafulhices do sistema bancário já custaram aos portugueses 12 mil milhões de euros- revelou ontem o Tribunal de Contas.
Nesse mesmo dia, aquele senhor de fato azul que gosta de falar para as câmaras com a boca cheia e tem a mania que é Presidente da República, disse que os governos ideológicos são um disparate e, mais cedo ou mais tarde, caem na realidade. Aconselha por isso os governos a serem  pragmáticos.
Um conselho deste jaez dado por Cavaco Silva tem que se lhe diga e, traduzido por miúdos, significa o seguinte:
Um tipo vai à Figueira da Foz para derrubar um governo do bloco central, alegando que só foi fazer rodagem ao carro, e chega a primeiro ministro. Leva então para o governo um grupo de trafulhas que depois de se banquetearem à mesa do orçamento, criam um banco e pagam o favor ao tipo que lhes arranjou lugar no governo, com umas acções macacas que geram lucros estratoféricos em tempo recorde. Anos mais tarde esse mesmo banco vai à falência, os trafulhas pavoneiam-se impunes e os contribuintes pagam o pato. Ou seja, as acções do Cavaco que geraram lucros desmesurados.
Entretanto o ex-pm  candidata-se a PR, garantindo que um outro banqueiro  financie a sua campanha e, uma vez chegado a Belém, para distrair os tugas das trafulhices dos amigos,começa a inventar histórias de escutas e a invectivar o povo a sair à rua para protestar contra as medidas de um governo de que o PR não gosta.
Depois de conseguir derrubar o governo e colocar lá um tipo do seu partido, apoia todas as medidas de austeridade, despreza o povo, apoia tudo quanto seja trafulhice, viola a Constituição e faz declarações e juras de amor eterno aos mercados. 
Só que um dia- azar do Cavaco- entra-lhe pelo palácio dentro um novo PM escolhido pelo povo de que ele não gosta e o homem que finge ser PR volta a avisar o povo que os governos ideológicos são uma tanga ( desde que não sejam da sua ideologia, obviamente...)  
Este é o seu pragmatismo, senhor, presidente. Permita, agora, que lhe diga qual é o meu pragmatismo:
Uma vez que o cidadão Aníbal Cavaco Silva, quando foi primeiro ministro, se rodeou de vigaristas e trafulhas, a quem deu lugares de ministros e secretários de estado, criando condições objectivas para que eles utilizassem os cargos para ganhar credibilidade;
Tendo em consideração que os cidadãos a quem conferiu tarefas governativas criaram um banco que faliu, gerando um grande  encargo para os portugueses;
Considerando que o cidadão Aníbal Cavaco Silva aceitou umas acções "oferecidas" pelo dono do BPN que geraram lucros incomuns em tempo recorde;
Considerando tudo o que atrás ficou escrito não se pode inferir que o cidadão ACS tenha sido trafulha mas, objectivamente, beneficiou de  vantagens proporcionadas por uns vigaristas que ele levou para o governo. 
E como eu sou ingénuo, mas não sou parvo, e acima de tudo sou pragmático, concluo dizendo que é uma pena a justiça em Portugal não ser igual para todos. Pelo contrário, persegue quem tem princípios (os " ideológicos") e faz vista grossa aos tipos que se sentem integrados no sistema. Face a isto, o meu pragmatismo obriga-me a só acreditar na honestidade do cidadão ACS, no dia em que a justiça cumprir o seu papel.