segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Nada de confusões...

Depois de conhecidos os resultados das eleições na Venezuela, muitos órgãos de comunicação social "decretaram" o fim do "chavismo".
Lamento mais esta prova de ignorância da comunicação social tuga. Na verdade, o "chavismo" não terminou ontem, mas sim no dia em que Chavez morreu.  Foi ele que operou uma revolução social na Venezuela que tirou milhões de venezuelanos da miséria mas, infelizmente, não soube escolher um sucessor à altura e o "chavismo" morreu com ele. 
Nicolas Maduro nunca teve a simpatia nem a popularidade de Chavez porque nunca teve  carisma, nem conseguiu criar a necessária empatia com o povo. Reconhecendo isso, enveredou por um caminho antidemocrático que por vezes roçava a demência e tinha tiques ditatoriais.
Também não foi ontem, nas urnas, que a revolução bolivariana foi derrotada.  Foi quando o preço do petróleo caiu abruptamente e provocou o colapso da débil economia venezuelana e fez disparar a inflação para números inimagináveis.
Dizem ainda alguns órgãos de comunicação social que a democracia voltou ontem à Venezuela. Sobre isso não me pronuncio. Prefiro esperar para ver mas, num país com fome,  cuja economia está dependente do preço do petróleo, não me parece que a vitória da oposição seja garantia suficiente para o regresso da democracia. Maduro continuará presidente e já todos percebemos que é suficientemente louco para não respeitar as regras da democracia.

O ovo da serpente

A FN de Marine Le Pen ganhou a primeira volta das eleições regionais em França e pode ser a grande vencedora da segunda volta, no próximo domingo, se Republicanos e Socialistas- os partidos do sistema- não conjugarem esforços para derrotar a FN. 
Noticia o Le Monde que Sarkozy já manifestou a indisponibilidade de os Republicanos desistirem em favor do PSF, mas ainda não é conhecida a posição do partido de Hollande, o grande derrotado destas eleições. 
 Com pouco mais de 20% dos votos, o PSF foi castigado pelos eleitores franceses pela sua política errática, não conseguindo melhor do que o terceiro lugar. 
Uma vitória da FN em mais de duas regiões no próximo domingo, será apenas mais um aviso para a Europa. 
Preocupados apenas com os mercados e com o politicamente correcto, os lideres europeus têm contribuído de forma eficaz para a ascensão da extrema  direita que vai emergindo em vários países. Continuar a defender que na hora da verdade os eleitores acabam por votar nos partidos do sistema, para impedir a vitória da FN é uma enorme cegueira.
Marine Le Pen - apoiada financeiramente por um banco russo e aclamada por Putin- poderá ser apenas o primeiro caso de sucesso da extrema direita europeia e se a vitória do próximo domingo se estender a mais do que 5 das 13 regiões francesas, então há razão para começar a acreditar que em 2017 o Eliseu poderá vir a ser ocupado por Marine Le Pen com o efeito de contágio que poderá alastrar a outros países europeus.
Por outro lado, uma vitória de Le Pen dará mais força a Putin e alterará inevitavelmente a relação entre a Europa e a Rússia. 
Diga-se, em abono da verdade, que a vitória da FN vinha sendo anunciada há anos, não constituindo por isso uma surpresa. Surpreendente, é a indiferença dos líderes europeus face a uma ameaça que nem sequer foi velada, pois Marine Le Pen nunca escondeu ao que vinha  ...

Em tempo: talvez seja precipitado afirmar que os acontecimentos de Paris foram determinantes para a vitória de Le Pen. Na verdade, na capital francesa a FN teve uma votação inferior a 10%.As causas da vitória da extrema-direita a nível nacional radicam em causas muito mais profundas, que tentarei analisar num dos próximos dias.