sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Cavaco: ignorante ou embusteiro?

O sr de Boliqueime vive há 10 anos em pecado permanente. Jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, mas quebrou o juramento inúmeras vezes.
Tudo começou no governo de Sócrates, quando inventou aquela história das escutas, ou quando fez uma patética comunicação ao país a propósito do Estatuto dos Açores. Foram ataques ad hominem  perpetrados pelo presidente das Alcagoitas, que violaram um princípio constitucional básico e quebraram a confiança entre órgãos de soberania, que Cavaco estava obrigado a preservar.
Foi, porém, durante o governo de Passos Coelho, que o sr Aníbal se especializou nas quebras de juramento. Para ele, o perjúrio tornou-se tão banal que nem se deu ao trabalho de fingir que duvidava da constitucionalidade de leis básicas ou do Orçamento de Estado. Com grande celeridade, aprovou tudo, submetendo-se sem vergonha à humilhação de ser desmascarado pelo TC.
Ontem, na cerimónia de tomada de posse do XXI Governo, Cavaco invocou os seus poderes constitucionais para mostrar que estava desagradado com a solução parlamentar e fazer algumas ameaças a António Costa.  Fê-lo com aquele tique trauliteiro que é seu apanágio, dando pretexto a muitos comentadores de mostrarem a sua ignorância, dizendo que Cavaco poderia demitir o governo.
Cavaco pode ser muito estúpido, mas não ao ponto de demitir António Costa, pois teria de o deixar em gestão, o que favoreceria inequivocamente PS,PCP e BE em próximas eleições.
O que Cavaco insinuou foi que se não estivesse coarctado no seu direito de dissolver a AR, por estar em final de mandato, o teria feito impedindo um governo de esquerda. E é aqui que começo a ter dúvidas. Será Cavaco ignorante, ou embusteiro? 
Na verdade, mesmo que não estivesse em final de mandato, Cavaco não poderia dissolver a AR antes de Abril, porque só decorridos seis meses sobre o dia das eleições é que tem esse poder.
A esta hora, talvez Cavaco esteja arrependido de ter feito orelhas moucas aos avisos dos que o aconselhavam a marcar as eleições para a primavera de 2015.
Se o tivesse feito, o PS poderia ter vencido as eleições, mas não teria maioria absoluta e o acordo à esquerda não teria sido possível. Agora é tarde, avôzinho!