quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Depois da tempestade, venha a bonança

Terminam hoje quatro anos e meio de terror em Portugal. Termina hoje o período mais negro do Portugal democrático. Durante este tempo o governo que hoje cessou funções conseguiu transformar o país no segundo mais desigual da Europa, aumentando exponencialmente os níveis e número absoluto de pobreza, enquanto criava condições para que surgissem mais de 10  mil novos milionários por ano.
O governo que hoje termina funções caracterizou-se pela insensibilidade social, pela mentira, pelo desrespeito pela Constituição e pelas instituições em geral, por uma opção clara de atacar os mais fracos e por um desrespeito total pelo país, que vendeu ao desbarato e de forma pouco transparente, prejudicando sistematicamente os interesses do país.
Mas este governo também se caracterizou pela arrogância e pelo fomento da divisão entre os portugueses. Pôs jovens contra velhos, empregados contra desempregados, funcionários públicos contra privados e sempre olhou para as pessoas como empecilhos e para a democracia como um obstáculo.
Diria que o governo cessante, onde abundavam retornados ressabiados, se comportou como um grupo terrorista que tinha como único objectivo destruir o pais numa acção vingativa, quase de ódio aos portugueses, a quem Passos Coelho  chamou piegas e incentivou a emigrar.
É por isso, com grande alívio, que hoje os vejo partir, mas há uma coisa que lhes devo agradecer: o ódio aos portugueses foi tanto, que conseguiram unir a esquerda e devolver-nos a esperança. 
Sobre o governo que hoje tomou posse e as expectativas criadas, escreverei mais tarde. Sei que terá uma vida difícil mas, por agora, devolveu-nos a esperança. Por quanto tempo, veremos, mas a sensação de alívio por me ter visto livre de um grupo de bandidos provoca-me uma alegria quase tão desmesurada como o 25 de Abril.