segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A esquerda do croquete

De copo na mão em "vernissages" de fim de tarde, de caneta em riste nos espaços que a comunicação social generosamente lhes disponibiliza, ou de língua afiada em programas de televisão, eles ( e elas) declaram o seu amor à esquerda, o desprezo pelo actual governo que tantas malfeitorias lhes fez e desancam na esquerda que se recusa a fazer acordos com o PS.
Andam nisto há décadas, respaldados na certeza de que o BE e o PCP nunca viabilizarão um governo minoritário do PS.
Eis senão quando PCP e BE dão sinais de que podem chegar a acordo com o PS para um governo que expulse esta corja de reacionários e estes lídimos representantes da esquerda do croquete e do pastel de nata entram em pânico.
" Mas como é possível que o PCP e o BE tenham mudado tanto, ao ponto de apoiarem um governo do PS? Alguém acredita nisso? O Costa é um totó. Um governo de esquerda não duraria nem um ano e seria o fim do PS e do país"- proclamam agora.  
Presumo que alguns tremam só de pensar que podem perder alguns privilégios que esta postura de se proclamarem de esquerda, mas desfrutarem dos favores da direita, lhes concede. Se a esquerda caviar é inconsequente, a esquerda do croquete é incoerente e até repugnante. 
Eu também não acredito que haja um governo do PS com o apoio do BE e, principalmente, do PCP mas, ao contrário dos esquerdistas do croquete, lamento que ele não se possa concretizar. Seria, seguramente, um exemplo para a Europa e uma boa notícia para os portugueses. Um governo PS/PCP/BE não será, talvez, ainda possível, mas creio que os dois últimos se vão arrepender a breve prazo. Para grande alívio dos esquerdistas do croquete e de alguns socialistas para quem ser de esquerda se resume a fazer acordos com o PSD e o CDS e o arco da governação é uma inevitabilidade histórica.
Lamento que dentro do PS haja gente com responsabilidade que prefira viabilizar um novo governo da coligação e esteja a condenar  António Costa cuja postura tem sido de grande inteligência e maturidade política, demarcando claramente  o PS da direita. 
Se alguns socialistas preferem  o caminho do suicídio, remetendo o PS para a condição de partido minúsculo, sem qualquer expressão no panorama político tuga, deviam dizê-lo claramente e não ter medo de viabilizar na AR um programa apresentado pelo PAF.
 Depois, podiam fazer o favor de se inscreverem no PSD, ou formar um partido que lhe sirva de muleta mas, por favor, deixem de enganar os portugueses e não conspurquem o PS. O vosso lugar não é lá, porque o que vocês gostam mesmo é do Centrão dos interesses, onde se trocam os favores que vos permitem continuar à tona na cena política portuguesa.