quinta-feira, 23 de julho de 2015

Há sempre uma primeira vez...

Quem havia de dizer que um dia iria estar de acordo com Rui Rio?
Já diversas vezes  escrevi aqui o mesmo por outras palavars, mas dito por um candidato a Belém, as palavras ganham outra força..

Vá lá, tenham juizo e sigam o conselho da alcagoita

Ontem poupei-me  a ver a comunicação de Cavaco ao país  e a entrevista de Rui Rio à RTP.
Hoje, dia de regresso ao trabalho,  ouvi logo pela manhã as conversas de alguns camaradas  e aproveitei a hora do almoço para  ver em diferido a mensagem da pitonisa de Belém.
Eu já tinha avisado que Cavaco não se coibiria de fazer campanha eleitoral, mas pensava que só depois de regressar das férias na praia da Coelha se apresentaria ao serviço. Enganei-me. Antes de ir para férias o insolente de Boliqueime decidiu aconselhar o voto na maioria e, aos descontentes  com a governação dos seus amigos do governo, sugeriu que votassem no PS.  Nos outros partidos  é que, na opinião de Cavaco, não valerá a pena votar, porque só contribuem para a instabilidade do país.
O topete da alcagoita de Boliqueime é incomensurável. Como é que um PR  pode ser tão cretino, ao ponto de sugerir que votos em partidos que estejam fora do arco da governação são um desperdício, porque não contribuem para a estabilidade de que o país precisa?
Curiosamente, creio que a mensagem de Cavaco poderá  vir a ter um efeito contrário ao desejado, no caso de ter tido grande audiência. Muitos eleitores indecisos, depois de ouvirem a abencerragem, serão tentados a votar no PCP e no BE, para mostrarem que medo é coisa que não lhes assiste. 
Este país precisa de gente com coragem ( o que infelizmente parece faltar a António Costa) e não de seguidores de Merkel e Schaueble.  O líder do PS tem de mostrar que, embora não seja o Tsipras, está disposto a lutar até ao fim pela dignificação do país e pela dignidade dos portugueses. E tem de dizer, preto no branco, como o vai fazer. Se não for claro na sua estratégia, terá uma derrota humilhante nas eleições de 4 de Outubro. Cenário que, aliás, há já alguns meses se vem tornando bastante verosímil.