segunda-feira, 20 de julho de 2015

Talvez não fosse má ideia, um novo muro de Berlim...



Antes de partir de férias disse a alguns amigos que, em virtude da crise, não estava certo se ainda haveria UE quando regressasse a Lisboa.
Aparentemente ainda existe, mas só no papel. A UE acabou no fim de semana em que o paraplégico hitleriano  cavou fortes dissidências entre os 19, ao querer impôr a saída da Grécia do euro, deixando claras as divergências entre Alemanha e França.
E se o facto de a UE ter deixado de falar a uma só voz é uma boa notícia, a verdade é que as divergências no seio do Eurogrupo deixarão feridas profundas.
Nunca, desde o final da segunda guerra, terá sido tão importante uma oposição forte aos desígnios da Alemanha que lançou a Europa para duas guerras absurdas e está a tentar consumar a terceira num tabuleiro de Monopólio, sem recurso a exércitos e sem disparar um tiro.
 Eu sei que comunistas e esquerda folclórica garantem que os partidos socialistas europeus em nada divergem dos liberais e conservadores mas, apesar de parecerem iguais, Hollande não é Sarkozy e a sua relação com Merkel assenta em bases bastante diversas do homem que o precedeu no Eliseu.
Para salvar a Europa, talvez não fosse má ideia expulsar a Alemanha do euro e  reconstruir o muro de Berlim. Estirpava-se de uma vez o cancro que é esse país onde criminosos e loucos acabam sempre no poder e ninguém estranharia a construção de mais um muro... afinal a Hungria está a construir um de 175 kms e 4 metros de altura na fronteira com a Sérvia e a Bulgária também já iniciou a construção de um muro na fronteira com a Turquia e ninguém parece preocupar-se com isso.
Não há pois razão para que, numa UE de condomínios privados, haja um administrador prepotente que obriga todos os condóminos a pagar quotas, mas não paga a sua e ainda tem o desplante de colocar na sua conta bancária, uma boa fatia das quotas dos outros. 
Se isto se passasse num país decente como o nosso, o juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira já teriam decretado a prisão preventiva de Schaueble.

Eles falam, falam...

 

Exultei com a vitória do OXI e enalteci a coragem do povo grego que recusou vergar –se aos ditadores alemães, mas por pouco tempo.
 Na manhã seguinte, em Moscovo, uma russa nostálgica dos tempos da URSS a residir na Alemanha desde 1997, afiançava-me que a esmagadora vitória do NÃO tinha  sido o pior resultado possível para o Syriza.
Schaueble não perdoará o atrevimento de Tsipras ao marcar o referendo e agora vai obrigar a  Grécia a sair do euro, ou a aceitar um programa de austeridade  ainda pior do que o anterior. E isso o Syriza não pode aceitar. Até ao final da semana   Tsipras demite-se e marca novas eleições, ou passa a governar como a direita.
Vocês andam muito preocupados com o Putin e com a extrema  direita, mas o verdadeiro perigo para a Europa é a Alemanha  de Schaueble.  Ele tem um programa para anexar a Europa e conta com apoio dos países bálticos, da Hungria, da Polónia, da Finlândia e da Espanha  para o concretizar ( por deferência não mencionou Portugal, mas  era óbvio que  estava na sua lista mental de inimigos da democracia). Tsipras é o típico esquerdista  incoerente, que nunca cresceu  e não tem  bases sólidas para governar. Como acontece com muitos esquerdistas, vai acabar ao colo da direita.” ( Lembrei-me logo de Barroso, mas não disse nada)
Os dias seguintes vieram confirmar o pior cenário, mas Tsipras não se demitiu. Não voltei a falar com Júlia mas, se o tivesse  feito, ter-lhe-ia dito o que já aqui escrevi várias vezes. A guerra na Europa já começou há muito, mas não se faz com tanques. Segue a estratégia do Monopólio.
Na verdade,  duas semanas depois, a  única coisa que me surpreende é ver Tsipras agarrado ao poder como uma lapa. Depois da prova de coragem dada no dia 5 de Julho, os gregos não mereciam um comportamento tão indigno do primeiro ministro que elegeram movidos por uma onda de esperança.
Não sei se Tsipras foi ingénuo  ou inábil mas, preferir dialogar directamente com Merkel a procurar o apoio de  países como França e Itália que estavam dispostos a enfrentar a Alemanha para  ajudar a Grécia, representou a sua derrota e a humilhação do povo grego.  Tsipras  acreditou que sozinho seria capaz de vergar Merkel, mas  sobrestimou as suas capacidades que - percebemos todos agora- são muito escassas.
Schauebel   e os seus aliados comportaram-se como monstros que são e isso não é novidade, mas Tsipras comportou-se como um idiota e enganou o povo grego, o que também é indesculpável.
Uma boa lição para as extremas esquerdas europeias e um aviso aos partidos comunistas: enquanto continuarem a recusar alianças à esquerda com os socialistas, estão apenas a condenar os povos dos seus países a mais sacrifícios. Passos e Portas esperam que a esquerda tuga continue a ser estúpida, pois isso aumenta as suas possibilidades de renovarem o mandato por mais quatro anos.