quarta-feira, 17 de junho de 2015

Então estão preparados?

Até ao final da semana a Europa vai decidir o futuro da Grécia. Preparemo-nos para o pior dos cenários e para começar a apanhar os estilhaços resultantes de uma declaração de banca rota de Atenas  e posterior saída do Euro.
É de temer o pior, quando o governo diz estar preparado para tudo e Cavaco afirma estar optimista.
A última vez que Cavaco esteve tão optimista foi quando o BES faliu e centenas de famílias perderam as poupanças de uma vida.

Dar milho aos pombos

Mais clarinho, não podia ser. Na mouche

Aí está a grande vitória da globalização

Venderam—nos a globalização  como a diminuição das desigualdades. O único obstáculo, segundo alguns, era a falta de democracia em alguns países. O Ocidente decidiu, por isso, que seria uma boa ideia exportar a democracia para o Extremo Oriente e Norte de África. Lançou-se em cruzadas propagando a boa nova da democracia, exultou com a Primavera Árabe, armou terroristas para derrubarem ditadores e o resultado está à vista. 
Às ditaduras derrubadas seguiram-se outras ainda mais sanguinárias e totalitárias e as pessoas que viviam sob esses regimes e em países circundantes, passaram a viver pior do que nas ditaduras anteriores à Primavera Árabe. As desigualdades  são cada vez mais gritantes, asn pessoas passaram a ser perseguidas por questões religiosas  e gerou-se uma onda de migrações nunca vista desde  há séculos.
Tanto bastou para que a aldeia global por onde nos prometiam que haveriam de correr rios de mel, se encouraçasse e cada um começasse a por trancas na porta, com medo da invasão dos bárbaros.
Refugiados sírios são travados na fronteira da Turquia com canhões de água;
Na fronteira francesa, a policia repele mais de duas centenas de imigrantes  magrebinos provenientes de Itália;
No Mediterrâneo morrem milhares de migrantes todos os meses, mas nem a morte os dissuade da ideia de virem para a Europa, tal é o terror e a fome; 
No sudeste asiático migrantes do Bangladesh andam  há meses a ser corridos de país para país, pois ninguém os quer dentro das suas fronteiras;
A UE admite usar a força para impedir a entrada de imigrantes ilegais;
Volta a falar-se com insistência na suspensão  dos acordos de Schenguen.
Os governantes europeus  fingem-se preocupados com o problema, mas varrem-no para debaixo do tapete, ou dizem aos países do sul para se desenrascarem, porque o problema não é deles. E na realidade  têm razão. A única globalização que lhes interessava está cumprida: com a diluição dos mercados financeiros, torna-se cada vez mais difícil detectar o rasto do dinheiro. A lavagem de dinheiro e a corrupção tornaram-se tão impunes como os glutões do Presto que a pretexto de paparem as nódoas, passaram durante muitos anos impunes aos seus efeitos tóxicos.
Estamos muito piores do que antes da globalização. Para mim não é novidade. Em Seattle, Durban, Joanesburgo, Nova Iorque, Londres ou Paris, milhares de pessoas saíram à rua para alertar contra “o outro lado” da globalização. Foram corridos à bastonada e acusados de extremismo pela comunicação social. Alguns, chamaram-lhes terroristas urbanos. 
Hoje, são os governos a recorrer a técnicas terroristas. Para garantirem a sua eternização no poder, alteram leis eleitorais que concedem maiorias artificiais a partidos que vençam as eleições por uma margem mínima e amedrontam os eleitores com o caos, no caso de não serem eleitos.

Pimenta na língua ( contra os mexericos)

Quando Sara Sampaio, mulher adulta, é notícia de telejornal das 20 por, eventualmente, ter dormido com um tipo qualquer, é sinal de que estamos a bater no fundo.
Se alguns jornalistas se preocupassem com quem dormem as filhas deles, talvez não estivessem tão ávidos de colocar pimenta nas notícias à hora do jantar, metendo-se na vida de quem não lhes diz respeito...