terça-feira, 16 de junho de 2015

Um espectáculo deprimente


Foto Carlos Barbosa de Oliveira


Há muito que deixei de ver o Prós e Contras mas,ontem, o tema interessava-me para confirmar algumas suspeitas e decidi arriscar.
Foi um espectáculo deprimente que me permitiu confirmar que o  tuga é um animal perigoso e é aconselhável utilizar o anti repelente para evitar a sua  proximidade. O tuga que viaja para as Caraibas levando consigo o garrafão e lá chegado  arrota e peida-se na praia,  está muito incomodado com a invasão de turistas em Lisboa. 
O tuga  de camisa de alças que se passeia nos centros comerciais, no Oceanário ou no CCB, libertando cheiro a sovaco, usa  óculos escuros no topo da mona  e calça chanatas  de onde emergem unhas negras encravadas e se libertam odores a chulé,  está angustiado porque os turistas têm a ousadia de frequentar a Baixa Chiado, se esparramar nas esplanadas do Terreiro do Paço, tirar fotografias em Alfama ou se embebedar no eixo Bairro Alto Cais do Sodré. Pior ainda, é o turista preferir visitar Sintra ou Cascais, em vez de apreciar as belezas de S. Domingos de Rana, Alcabideche ou Ranholas.
O tuga está angustiado e indignado, farto de turistas pé descalço que, em vez de beberem pelo garrafão, bebem por garrafas. Turistas tão desintegrados e desinformados sobre os valores da Tugalândia, deveriam ser impedidos de passar da Portela ou, no mínimo, obrigados a percorrer circuitos pré determinados pelas autoridades de onde não se deviam afastar, sob pena de serem deportados, depois de pagarem uma pesada multa que os dissuadisse de regressar.
Durante a noite, deveriam ser criados locais apropriados para os turistas se divertirem. Longe das zonas onde o tuga habita e procria e fora dos circuitos de pousio dos sem abrigo, para não lhes perturbar o sono. 
Há, felizmente, um sinal de esperança no futuro. Assim que os países da primavera árabe regressarem à idílica paz prometida em arraiais dos G-8 e dos G-20, os turistas rumarão a essas paragens e os tugas poderão, enfim, voltar a viver tranquilamente. Claro que há um reverso da medalha que o tuga não ignora. Milhares de postos de trabalho perder-se-ão, as receitas do turismo cairão abruptamente, fecharão hotéis, hostais, esplanadas e estabelecimentos cuja existência se deve exclusivamente à invasão de turistas. Mas esse é o preço que todos temos de pagar para que o tuga volte a viver em paz e, durante as férias, possa rumar a outras paragens onde se comporta da mesma forma que o turista em Portugal.
Pessoalmente, recuperava uma ideia de Passos Coelho: incentivava o tuga a emigrar e substituía-o por turistas. Talvez assim este país saísse  desta apagada e vil tristeza.

O erro de Marcelo

Na sua homilia dominical, Marcelo afirmou que todos temos a noção de que a TAP foi praticamente dada. Discordo. Em minha opinião, a TAP não foi dada. Foi trocada. Só falta saber qual foi a moeda de troca. Tal como com os submarinos, provavelmente nunca saberemos.

Não mergulhes nessa noite escura

A Europa quer obrigar o Syriza a vergar. Alegadamente por não respeitar as regras europeias. Falso. O que o poder instalado na Europa não suporta é que  no seu seio exista um país pequeno onde o povo humilhado se revolta e entrega o seu destino nas mãos de um partido de extrema esquerda.
Se o Syriza  conseguisse impôr as suas ideias isso seria um perigo para os interesses instalados nas cúpulas de poder europeias que odeiam o povo, mas disputam o seu voto porque, na generalidade, o povo é dócil e facilmente manipulável, desde que de quando em vez possa comprar alguns brinquedos que a sociedade de consumo põe à sua disposição.
É por ter medo da esquerda e querer manter o povo obediente e submisso que a Europa obriga o Syriza a vergar. Se em causa estivessem valores democráticos ou as regras europeias, a Europa já teria reagido às declarações do fascista Viktor Orban que depois de vencer as eleições na Hungria reclama o regresso da pena de morte e a criação de campos de internamento onde os imigrantes sejam obrigados a trabalhar.
A esse insulto as instituições europeias responderam com um silêncio cúmplice. Provavelmente porque não receiam que a extrema direita num país da União lhes roube a única coisa que efectivamente lhes interessa: o poder.
As pessoas? Que se lixem... como tem sido perceptível na forma como o problema das migrações no Mediterrâneo tem sido tratado.
Em Portugal, Coelho, Portas e Marilú estão muito satisfeitos com a hipótese de o Syriza ser obrigado a vergar, porque  durante a campanha eleitoral querem utilizar a Grécia como exemplo, para meterem medo aos portugueses. O que eles escondem dos portugueses, é que as taxas de juro duplicaram em apenas três meses e a saída da Grécia do euro irá fazer disparar ainda mais os juros, estragando a história da recuperação miraculosa operada pelo governo. 
Nada que os preocupe. O tuga felizmente é analfabeto e só quer é dinheiro para telemóveis, carros de encher o olho e vacanças nas Caraíbas, para fazer inveja aos vizinhos. O resto, que se lixe.
Depois de ver o Prós e Contras de ontem sobre turismo em Lisboa, fiquei com a certeza de que o tuga não tem emenda!