terça-feira, 2 de junho de 2015

Bora lá, fofa!

Como habitualmente,  hoje recebi vários daqueles emails de promoção turística, que me mantêm informado sobre novidades em matéria de "comer e dormir" e me são muito úteis. Um deles porém era especial. Vinha assinado por uma tal de Sue e fazia-me uma proposta: Vamos fugir para namorar?
Bora lá miúda mas, pelo sim pelo não, manda primeiro uma foto, tá?

Preso por ter cão...

Foto da NET


O turismo foi sempre apresentado por este governo como um dos pilares do desenvolvimento económico do país.  
Há que reconhecer algum mérito na promoção feita por este governo, embora o aumento do turismo não se deva exclusivamente à sua acção. Quer as autarquias, quer a iniciativa privada, através da promoção de eventos destinados a target groups, contribuíram de forma decisiva para esse crescimento.
Quando António Costa anunciou a criação da taxa de 1€ para os turistas que visitem Lisboa ( medida já seguida em muitas cidades europeias, que em não raros casos incluem taxas hoteleiras) o governo reagiu enfurecido pela voz do ministro da economia e do ministro de coisa nenhuma Paulo Portas. As cabeças tontas da agremiação azul e amarela não perceberam o alcance da decisão camarária, acusando António Costa  de estar a destruir o turismo e a "matar a galinha dos ovos de ouro".
Moreira da Silva, ministro do ambiente, obviamente que percebeu a importância da taxa como forma de garantir a sustentabilidade da cidade, degradada pelos efeitos perniciosos de um turismo de massas que a maioria dos governantes ignora ( ou finge ignorar), porque o mais importante é encher os cofres com as receitas do turismo. No entanto, como soldado disciplinado, ou simplesmente por cobardia, Moreira da Silva calou-se. Os partidos da oposição seguiram-lhe o exemplo. A comunicação social, por ser acéfala ou estar comprometida e veiculada aos interesses do governo, enfileirou no coro das críticas a António Costa.
Ninguém estava interessado em analisar os impactos negativos de um turismo a crescer sem regras, nomeadamente sob o ponto de vista ambiental, mas também em faixas da população irremediavelmente afectada, por não poder usufruir das vantagens do turismo, ou por ser por ele prejudicada. O impacto negativo do turismo de massas é conhecido há  décadas. Seja na orla litoral, nas montanhas, no interior, ou nas áreas urbanas, o crescimento do turismo de massas tem um custo elevado para a qualidade de vida das populações. Mas disso ninguém quis saber e o bacoco ministro da economia, coadjuvado pela inutilidade Portas, apenas pensaram nos lucros e descuraram as medidas necessárias para atenuar os efeitos perversos. E nem precisavam de ler livros, ou estudar. Bastava-lhes ver uma telenovela brasileira dos anos 80 ( creio que Tieta do Agreste) para perceberem que o turismo não traz apenas riqueza. Consigo vêm também dramas sociais, degradação e pobreza.
Eis senão quando...
A população de Lisboa começa a olhar para a "invasão" dos turistas como uma praga. Como é habitual, depois dos momentos de fascínio, acordaram e viram o reverso da medalha. Daí até conseguirem ter eco nos jornais, foi um pequeno passo. Hoje, o "Público" abriu as hostilidades acolhendo nas suas páginas as queixas dos lisboetas. Em minha opinião fez bem, mas não se devia limitar a reproduzir opiniões, como faz neste artigo onde a Câmara Municipal de Lisboa é o bombo da festa, acusada de não ter preparado a cidade para a vaga de turismo.
Deveria o "Público" - até porque tem bons jornalistas nesta área-  ter aproveitado a oportunidade para esclarecer os leitores sobre a importância da taxa que António Costa criou e também explicar o reverso da medalha do boom turístico nacional. Não só nas cidades, mas também no interior cada vez mais procurado por turistas. É que se queremos turismo, não podemos ter o melhor dos dois mundos. Temos também que arcar com as consequências e as responsabilidades devem ser divididas por todos.
Assim, o artigo é apenas um libelo acusatório. Injusto, infundado e desprezível. 


As linhas gerais do programa eleitoral da coligação

Amanhã, a coligação vai apresentar o seu programa de governo. A linha orientadora- soube o CR de fonte próxima da coligação- é prosseguir o caminho que traçou em 2011.
Se durante estes quatro anos o principal objectivo foi expulsar os jovens do país, nos próximos quatro o trabalho ficará concluído com a condenação à morte dos reformados, através dos cortes de pensões.
A coligação prepara assim o caminho para um terceiro mandato que, depois de eliminados os jovens e velhos que "não se integraram no sistema", transformará Portugal num rio de mel.
O CR ouviu a opinião de dois apoiantes da coligação sobre o programa:
" O que nos atrapalha são mesmo as pessoas. Sem elas a coligação poderá governar o país durante décadas,  garantindo prosperidade aos portugueses que por cá ficarem e jurarem fidelidade ao grande líder Coelho Il Sung "- disse ao CR o motorista de Poiares Maduro, um jovem licenciado em Antropologia que encontrou emprego depois de se filiar na secção do PSD da Tapada das Mercês, mas já tem "apalavrado" um lugar de chefe de gabinete se a coligação vencer as eleições de Outubro.
"Se a coligação vencer vai ser mais fácil tornar-se actriz e ganhar o festival da canção. Finalmente viveremos num país como deve ser, onde os jovens têm pleno emprego e os velhos batem a bota mais cedo, como sempre devia ter sido. Tínhamos por cá gente a mais que só atrapalhava as reformas "- disse por sua vez um admirador de Carolina Padinha Coelho, que pediu o anonimato.
Já Celeste Cardona, Mira Amaral e Jardim Gonçalves mostraram-se consternados com os cortes das pensões. Enquanto os dois primeiros lamentaram o corte de 30% nas suas pensões, que os obrigará a sobreviver com pouco mais  de 10 mil euros, Jardim Gonçalves manifestou a sua indignação ao DE:
"É inadmissível cortarem 50% na minha parca pensão de 175 mil euros. Trabalhei uma vida inteira para ter uma reforma digna e agora não tenho dinheiro para meter gasolina no meu avião. Vou pensar seriamente no que vou fazer, mas é necessário que os portugueses se revoltem contra este governo marxista que nos está a roubar". 
O CR tentou ouvir Cavaco Silva, mas de Belém apenas recebemos uma mensagem da Casa Civil, garantindo que o PR se pronunciará sobre o assunto quando escrever as suas memórias.

O regresso do(s) clown(s)

O Movimento Cinco Estrelas, do palhaço que trocou o circo pela política, foi o segundo partido mais votado nas eleições regionais em Itália.Beppe Grillo está, pois, de novo em alta. 
O PDI,  partido de Matteo Renzi que está no governo, perdeu muitos votos mas venceu em 5 das 7 regiões italianas com maioria suficiente para formar governo.
É aqui que entram outros palhaços. Aqueles que há uma semana anunciavam a vitória do partido popular em Espanha, apesar das derrotas em redutos importantes como Madrid e Barcelona e que está em dificuldades para formar governo nas 8 regiões onde venceu, são os mesmos que hoje noticiam "uma pesada derrota de Matteo Renzi".
Vá a gente perceber onde é que esta malta tem a coerência.