terça-feira, 26 de maio de 2015

O advogado do Diabo

Marinho e Pinto diz que fará coligação até com o Diabo para salvar o seu lugar pais.
(Sendo assim, não percebo a razão de se ter indignado tanto com a tentativa de a Igreja Maná tomar de assalto o PDR. Será que os Maná ainda são piores do que o Diabo?).
Sempre tive medo desta gente que se coliga seja com quem for para salvar o país. Se lhes derem oportunidade, tornam-se ditadores num instante. Para salvar o país, obviamente. 
Se a coligação vencer as legislativas sem maioria, já tem um novo aliado. 
Votar PDR é votar neste governo. Mas isso não é novidade para ninguém, pois não?

Estados de alma

Andar de autocarro, em dia de greve  do metropolitano, desmotiva qualquer  cidadão  que acredite que neste país  é possível viver em democracia. Pior ainda se sentirá esse cidadão, se acreditar que o povo está preparado ( e interessado?) para viver em democracia.

A lição espanhola

Uma das conclusões que se pode retirar dos resultados eleitorais em Espanha, é que as pessoas já começaram a perceber que não é a democracia tradicional, plastificada e burocrática, que resolve os problemas dos países que se encontram em dificuldades. A exemplo do que aconteceu em Janeiro na Grécia, com o Syriza, as pessoas mostram que estão cansadas desta democracia de fachada.
A democracia parlamentar está viciada. É uma mentira e uma permanente batota que só favorece os interesses dos  mais poderosos. O que o PODEMOS e a maioria dos movimentos autonómicos  propõem aos eleitores é uma democracia participativa, onde as pessoas realmente contem e se sobreponham aos interesses do poder financeiro.
Sabemos- até pela experiência vivida por cá- onde é que esses movimentos de base popular podem conduzir. Como também sabemos que são incompatíveis com a ideia de globalização que nos têm vendido como mirífica e salvadora, mas que só tem trazido maior desigualdade, mais injustiça e menos solidariedade.
Há um modelo de democracia para além desta xaropada que nos impingem em doses quadrianuais, ou da sempre esperançosa democracia de raiz popular, que acaba quase sempre em desilusão. (O Syriza está mais próximo desse modelo, do que o PODEMOS. Embora os objectivos de ambos convirjam, divergem na via para lá chegar). Como há uma globalização distributiva mais justa, promotora de mais igualdade entre os povos e menos discriminadora. 
Só que nem o poder político vigente, nem o poder económico e muito menos o poder financeiro, desejam essa globalização e essa democracia que poderiam tornar este planeta um lugar mais aprazível. 
E, diga-se em abono da verdade, não me parece que uma sociedade viciada em padrões consumistas tão alienantes, esteja preparada para a aceitar...democraticamente.

Morango ou baunilha?



Das coisas que mais me irritam é um restaurante onde a oferta de gelado, para sobremesa, se reduz a baunilha  ou morango. Não gosto de nenhum e, se quiser outro sabor, tenho de pagar um extra, porque não está incluído no menu do dia.
Lembrei-me disto a propósito do projecto de programa eleitoral do PS que li mais cuidadosamente este fim de semana. 
Não vou ainda pronunciar-me, porque não é o programa definitivo, mas adianto desde já  que  há coisas com as quais concordo e outras de que discordo.
Entre as que repudio: a imposição de uma quota de mulheres nos lugares de chefia das empresas  ( demagogia)  a  redução da TSU ( coloca em risco as pensões actuais e futuras)  e a falta de clareza de algumas medidas que espero venham a ser concretizadas no programa definitivo.

Entre as que aplaudo: a obrigatoriedade de as obras públicas serem votadas favoravelmente por dois terços dos deputados, uma efectiva preocupação com a pobreza, a garantia de que a sustentabilidade da segurança social será assegurada sem cortes nas pensões já atribuídas e a diferença vincada em relação ao programa do governo. 

 O mérito da apresentação deste pré-programa já foi explicado pelo Pedro Coimbra: o PS saltou para a agenda mediática. Quanto ao conteúdo, a  primeira sensação foi um bocadinho frustrante.
Espero bem que seja bastante melhorado e melhor concretizado até Junho, caso contrário em Outubro vou ter um problema. Não gosto deste gelado de morango, nem do de baunilha proposto pela coligação e não sei se estou disposto a pagar um extra para experimentar outro sabor.  
É que, pelo que me tem sido dado ver, as alternativas são igualmente más.
A única coisa que sei é que não ficarei sem gelado e experimentar o de baunilha está fora de questão.

Globalização é...