quinta-feira, 21 de maio de 2015

Negócio de oportunidade

Se fosse em Portugal, Passos Coelho chamaria a isto empreendedorismo

Lembrete para António Costa

O PS promete acabar com os exames do 4º ano. 
Quero que António Costa saiba que fiz exame de 4ª classe com 9 anos. A prova constava de ditado, composição, desenho (à vista) e aritmética. Depois ainda fiz exame de admissão ao liceu. Era obrigatório.
Confesso que não fiquei traumatizado. Pelo contrário, fiquei muito satisfeito por saber que estava preparado para enfrentar as dificuldades do liceu.
Sei que os tempos mudaram, as crianças de hoje são mais frágeis e protegidas,  os 5º e 6º anos  estão hoje incluídos no Ensino Básico, mas não vejo que mal vem ao mundo por obrigar miúdos a fazer um exame no 4º ano.
A medida proposta pelo PS é popular, mas transmite uma ideia de facilitismo de que discordo.
Muito provavelmente estarei enganado, por isso agradeço aos muitos professores que por cá passam que me dêem argumentos para mudar de opinião.

Com as low cost me enganas


Começa hoje o Rally de Portugal. Depois de sete anos a rodar em estradas do sul e sempre apoiado financeiramente  pelo governo, regressa este ano às origens, onde conheceu desde sempre maior espectacularidade,  graças a algumas classificativas quase lendárias. 
Com o regresso ao norte, o governo decidiu suspender o apoio ao Rally. Decisão no mínimo estranha, se tivermos em consideração estes números:
Deslocam-se  todos os anos a  Portugal, para ver o Rally, 350 a 400 mil turistas;
Um em cada quatro desses turistas regressa a Portugal, ou prolonga a sua estadia para além do tempo de duração da prova;
O retorno económico é superior a 100 milhões de euros;
A despesa directa  gerada pela prova é superior a  60 milhões de euros;
Cada euro  investido pelo Turismo de Portugal gerou, nos últimos sete anos, 54,42€ de despesa directa feita pelos adeptos da modalidade;
O ACP estima que o  regresso da prova ao Norte aumente exponencialmente as receitas arrecadadas e o impacto na economia, por via do incremento do turismo.
Face a estes números, os 900 mil€   com que o Turismo de Portugal apoiava financeiramente a prova, não eram  um investimento de monta.
Estranha-se, por isso,  que o governo tenha decidido suspender o financiamento. No entanto, (a explicação é dada pelo ACP), há um motivo ponderoso para isso. Este governo tem um fascínio muito particular por aviões ( pelo menos desde o tempo em que Relvas e Coelho formavam pessoal de voo inexistente com dinheiros do Fundo Social Europeu) . Vai daí, investiu os 900 mil €  no apoio à instalação da base da Easy Jet no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Poderia pensar-se que o investimento faria sentido, tendo em consideração um aumento do turismo na região norte do país. 
Uma projecção realizada pelo ACP demonstra, no entanto, que o investimento no apoio à base da  Easy Jet  tem um retorno muito reduzido, se comparado com o gerado pelo Rally de Portugal. Se, como acima se refere,  cada euro investido no Rally tinha um retorno de 54,42€, o investimento na companhia aérea low cost gera – na melhor das hipóteses-  um retorno de 31,01€. 
Um mau negócio, portanto, mas nisto de aviões já sabemos que o governo não é bom a fazer as contas. Como se demonstrou com as verbas do FSE para formação de pessoal de voo fantasma e em breve ficará comprovado com a venda ruinosa da TAP.
( Este post foi escrito com base em informação fornecida pelo ACP)

As 50 sombras de Grey (versão tuga)