quarta-feira, 20 de maio de 2015

Planos para o futuro




O Ilusionista de Trapalhândia
3º episódio- Planos para o futuro

Regressaram a Ulisseia em silêncio, cogitando sobre o futuro. Naquela época ainda não havia auto-estradas e a viagem era longa. Perto de Erisurfeira Maria perguntou:
-Hannibal, filho, tu sabes no que te vais meter? Isso da política não é para ti, só nos vai trazer problemas. Tu já estiveste no governo do Sá Cordeiro (“que Deus o tenha em descanso”) e não te deste lá muito bem, porque é que vais insistir? Estás tão bem a dar aulas lá na Universidade, tens o lugarzinho no Banco e ainda fazes aqueles números de circo, para que é que te vais meter na política?
- Na política, eu, Maria? Tu não estás boa da cabeça, mulher! Eu nunca fui nem nunca serei político. Sei que estamos muito bem na vida, apesar de sermos míseros professores… mas político nunca! O meu futuro é o ilusionismo. Não gostavas de ser primeira dama?
- Primeira dama? Mas isso não é o que chamam à mulher do Presidente da República?
- É…
- Então vais ser Primeiro Ministro ou Presidente da República? Ai filho, não estás mesmo nada bem. Devias ter tomado o Ben-u -ron, como eu te recomendei. Vê lá, queres que vá eu a conduzir até Lisboa?
- Ai, Maria, não estás a perceber nada. Dá tempo ao tempo. Para já vou ser primeiro-ministro, mas daqui a uns 10 anos candidato-me a presidente da República para fazer de ti primeira dama…
- Daqui a 10 anos? Dizes que não queres ser político e já estás a pensar ser presidente da República daqui a 10 anos?
- Ó filha, para ser presidente da República não é preciso ser político. Os tugas vão cansar-se dos políticos e só quem não for político, como eu te afianço que nunca serei, e os tugas vão acreditar que não sou, é que tem hipóteses de vir a ser presidente. Confia em mim, vá lá…
- Bem, se me garantes que vou ser primeira dama, confio. Afinal, no ilusionismo tu és mesmo bom...Mas como é que estás tão certo de ganhar as eleições? Aprendeste algum número de ilusionismo novo?
- Então como é que pensas que cheguei à Palmeira da Foz anónimo e saio daquela sala candidato a primeiro-ministro?
- Hipnotizaste-os a todos, foi?
- Não foi bem isso, porque no hipnotismo ainda estou a dar os primeiros passos... mas lá chegaremos, Maria, lá chegaremos...
- Mas olha lá...Agora há para aí o partido do Janes que vai baralhar as contas todas e se ganhares não vais ter maioria absoluta, cansas-te daquilo tudo num instante. Olha que eu bem sei como tu gostas de mandar sem teres ninguém a importunar-te...Saíste-me cá um mandão!
-Estás a falar do PRD? São uns ingénuos coitaditos. Se eu não ganhar com maioria absoluta tomo umas medidas que ninguém vai gostar e os patinhos apresentam logo uma moção de censura. A oposição vai toda atrás, o presidente da República dissolve o Parlamento, há novas eleições e dessa vez ganho com maioria absoluta, podes ter a certeza.
- E dizes-me tu, com essa ronha toda que não queres ser político. Tens cá uma lata!
- Ihihih!
- Olha Hannibal, prometes que quando fores primeiro-ministro mandas fazer uma auto-estrada para o Allgarve?
- Nem penses nisso, Maria! Os tugas iam pensar que eu estava no governo para defender os interesses do Allgarve e nunca mais votavam em mim. Isso está completamente fora de questão. Mas vou fazer melhor… vou mandar construir uma auto-estrada no Algarve. Desde Lakes até à fronteira com Espanha.
- Para podermos ir comprar caramelos a Ayamonte?
- Sim. E também para meter gasolina, porque daqui a uns anos o preço do petróleo vai ser tão alto e os impostos sobre a gasolina tão elevados, que temos de ir a Espanha meter gasolina.
- Mas sendo primeiro-ministro não vais ter carro e gasolina de graça?
- Claro que vou. E tu, o meu chefe de gabinete e os assessores também.
- Então para que é que te interessa ir meter gasolina a Espanha?
- Não sou eu, Maria, são os tugas. Aqueles que vão para o Allgarve no Verão e passam o tempo todo a passear de um lado para o outro. Tendo uma auto-estrada no Allgarve deslocam-se mais depressa.
-Olha lá, Hannibal… mas se forem assim tantos portugueses para o Allgarve, lá se vai o sossego da nossa Mariani em Cryingmount.
-É verdade que corremos esse risco, mas se isso acontecer arranjamos outro terreno e construímos uma casa maiorzinha, com uma bela vista para o mar. Tenho uns amigos que tratam disso e arranjam um terreno baratucho.
- Eu tenho medo, Hannibal…
-De quê, minha fofa?
- De viver numa casa isolada. E os assaltos?
- Quem falou de uma casa isolada? Os meus amigos também onde ir para lá.
- Mas tu tens amigos, Hannibal?
- Agora não, mas quando for primeiro ministro vais ver que não me vão faltar. 
-Estou a perceber... Olha, Hannibal, vais ter de fazer campanha para ganhar as eleições, não vais?
- Claro. Pelo menos para já ainda tem de ser assim…
-Então amanhã vou telefonar à Glória de Matos
- Está bem, dá-lhe cumprimentos meus.
- Agora és tu que não estás a perceber. Vou telefonar-lhe para ver se ela te ensina a falar de uma forma que todos entendam. Ou pelo menos se indica alguém…
- Achas que vai ser preciso?
- Claro que vai, mas deixa isso comigo ... 
(continua)
Episódios anteriores: AQUI

Teresa, a enxovalhada



Teresa Leal Coelho, a ex- sócia de Vale e Azevedo que o PSD promoveu a deputada, anda há tempos a fazer tirocínio para ministra.
Os senhores deviam estar gratos à troika, porque é ela que está a pagar este debate;
Se a  proposta é inconstitucional, mude-se a Constituição;
A única nódoa no seu curriculum ( de Paulo Mota Pinto) é ter sido juiz do Tribunal Constitucional;
O Tribunal Constitucional tem de respeitar o memorando da troika;
Os Tribunais devem ser escrutinados e sancionados.

Estas são algumas das pérolas que se encontram no top ten do chorrilho de asneiras que a deputada  expele pelas cordas vocais nas suas intervenções na AR ou nos programas da SIC e com as quais ela procura bater rivais de peso como Francisca Almeida Leite na corrida a um lugar ministeriável na eventualidade de a coligação renovar o seu mandato.
As patacoadas de TLC não mereceram nunca um reparo das bancadas do PSD ou do CDS, mas hoje Fernando Negrão quebrou o tabu. Com punhos de renda, chamou mentirosa  a Teresa Leal Coelho e mandou-a  trabalhar.  

A coligação está de boa saúde

O secretário de estado dos transportes, Sérgio Monteiro, apoia este esbulho.
Já Leonardo Mathias, secretário de estado  adjunto da economia, manifestou a sua discordância.
Sendo os dois secretários de estado do mesmo ministério da economia, presumo que caiba ao soldado Lima das bejecas- chefe de ambos- desempatar.
A vida no ministério da economia corre sobre rodas e a coligação continua coesa e de boa saúde. Como aqueles casais que dormem em camas separadas, não se suportam há anos, passam as férias em locais diferentes, mas continuam unidos por amor à conta bancária aos filhos.

Cretinice Uber Alles



Os tribunais aceitaram a providência cautelar da ANTRAL, obrigando a UBER a suspender a sua actividade em Lisboa e Porto, até que haja decisão definitiva.
Não estou suficientemente habilitado para opinar sobre a matéria. Nunca utilizei os serviços da UBER, nem sei dizer se há concorrência desleal, como li em alguns jornais.
 Há, porém, uma coisa que posso garantir: a proposta da ANTRAL de fixar um preço mínimo de 20€ para "corridas" a partir do aeroporto, é de uma indecorosa cretinice. 
Pouco me importa que o táxi seja obrigado a ter ar condicionado e o taxista tenha de estar fardado. O que me interessa, quando entro num táxi, é que esteja em condições minimamente apresentáveis ( sem estofos esburacados e limpo)  o taxista não esteja bêbado, seja educado e não diga cinco palavrões em cada frase, não me roube, não me insulte por morar relativamente perto do aeroporto, nem me  ofereça serviços de prostitutas ou droga.
 Como tudo isto já me aconteceu em viagens de táxis, recomendo ao sr. Florêncio da ANTRAL que providencie a oferta de um serviço de qualidade e sem riscos para os utentes, assegurando a sanidade mental dos taxistas e  dando seguimento às reclamações apresentadas pelos utentes,  antes de fazer propostas de aumento desmesurado de preços, que rondam a especulação.

A noiva já vai grávida?

Marcelo Rebelo de Sousa compreende a pressa do governo em privatizar a TAP,  mas manifestou o seu pesar na TVI, por o governo não ter conseguido encontrar um noivo adequado para a TAP. 
O que Marcelo não explicou é que a pressa do governo resulta do facto de a noiva estar grávida e ser preciso, urgentemente, garantir que daqui a nove meses dê à luz as comissões.
No entanto, tal como aconteceu com os submarinos, ou com o deputado Nuno Magalhães, ninguém assumirá a paternidade.