quinta-feira, 14 de maio de 2015

Fixe este número: 300 503 123

Se este número aparecer no visor do seu telemóvel, aconselho-o a não atender. 
Depois de ser assediado em dias sucessivos com chamadas do número 300 503 123, que ignorei, esta manhã - quiçá roído por alguma curiosidade- decidi-me a descobrir quem  me tentava contactar com tanta insistência.
Do lado de lá uma senhora perguntou se estava a falar com o senhor Carlos Oliveira. Perante a afirmativa, a senhora identificou-se:
"Estou a falar da Servilusa".
Senti um arrepio percorrer-me a espinha e tive o impulso de desligar, mas decidi enfrentar estoicamente o passo seguinte.
Depois de me informar que a conversa iria ser gravada, a senhora perguntou se eu já  alguma vez recorrera aos serviços da Servilusa.
" Para mim ainda não"- respondi para aliviar o teor da conversa
"Muito bem" - retorquiu a senhora.  E prosseguiu:
"Estou a contactá-lo para apresentar o  Plano Funeral em Vida". 
Controlei a fúria e apenas disse " É melhor a conversa ficar por aqui".
Simpaticamente, a senhora anuiu.
Nunca tinha recebido nenhuma chamada deste género e, durante todo o dia, não deixei de pensar se terá sido mera coincidência o facto de os telefonemas terem começado a surgir insistentemente, desde o dia em que soube os resultados de uns exames médicos feitos num Hospital. Que por acaso é privado.
Os negócios da morte perderam todo o pudor. Estimulados pela benevolência de um Código de Publicidade permissivo e pela promiscuidade entre os negócios da saúde e da morte.

Tarados

Ainda sou do tempo em que as medidas antitabágicas eram propostas pelo Conselho de Prevenção do Tabagismo (CPT),  composto por um  grupo de fundamentalistas e presidido por um tipo que saía das reuniões discretamente para ir fumar um cigarro. 
Não sei se o CPT ainda existe, mas o fundamentalismo permanece na mente de quem decide as medidas antitabágicas. O que eu não esperava era que o lobby  fundamentalista virasse tara. Só uma tara colectiva pode justificar que se tome a decisão de exibir nos maços de tabaco fotografias de caixões com crianças. 
Felizmente, há tipos que escapam às garras destes grupos de tarados e conseguem ter uma longa vida, porque optam por outras privações.