quarta-feira, 22 de abril de 2015

É o cú...mulo!

Ouvir o barrica de cerveja dizer que as propostas apresentadas pelos economistas  convidados pelo PS são para enganar o povo;
Ou o oxigenado dos dentes luminosos agitar o fantasma  da troika, caso as propostas venham a ser aplicadas.  
Ou o aldrabão mor  garantir que o governo defende o rigor e a verdade e não faz propostas eleitoralistas. (Como se os portugueses não se lembrassem da campanha vergonhosa de 2011).
Dito isto,  devo esclarecer que não embandeiro em arco. Há propostas em relação à Segurança Social que gostava de ver melhor esclarecidas, porque me parecem padecer do mesmo mal das apresentadas pelo governo, pondo em causa a sua sustentabilidade. Há um contrato social que não pode ser quebrado  e as propostas parecem fazer tábua rasa desse princípio.
Também queria perceber qual o truque de magia que permitirá reduzir a metade os números do desemprego em apenas quatro anos.
Há outros números  no quadro que publiquei no post anterior que me parecem demasiado optimistas mas, como já referi, fico à espera que os especialistas em quem confio esclareçam todas as dúvidas
Agora, não me venham com o argumento de que as propostas apresentam riscos e podem ir por água abaixo, se lá por fora as coisas não correrem bem. Isso pode acontecer com qualquer governo, independentemente do partido que esteja no poder. 
Há três factores positivos inquestionáveis nas propostas:
- Tira o garrote dos trabalhadores e das famílias;
- Obriga a centrar a discussão em termos políticos, o que implica debater o modelo de desenvolvimento que ambos propõem ao pais;
- Apresenta números e não apenas um conjunto de ideias avulsas.
Cabe agora aos partidos do governo contestá-las com seriedade e com argumentos sólidos, não com chicana política.

Adenda: Estou farto de ouvir falar de programa do PS. Por favor, não lancem a confusão. O que está em discussão não é o programa de governo do PS, mas um conjunto de propostas apresentadas por um grupo de economistas a pedido do PS.O programa do governo só será apresentado em Junho.

É mesmo possível uma alternativa? Que decepção!

 O documento ontem apresentado por  António Costa está a ser analisado como se de um programa de governo se tratasse, apesar de o secretário geral do PS ter desde logo alertado que não se devia confundir o documento com o programa do governo. Esse será apresentado em Junho.
Convém à direita estabelecer a confusão. Por distracção, demérito ou aliança estratégica, a esquerda embarcou no jogo do governo. Nada a que não estejamos habituados...
Vale a pena, apesar de tudo, analisar as diversas reacções.
Surpreendentes, as  de diversos economistas engajados com o actual governo, ou apoiantes das medidas de austeridade. Reagiram positivamente admitindo que há uma verdadeira alternativa, consistente e com pés para andar.
Expectáveis as dos partidos do governo mas, mesmo assim, merece especial destaque o facto de o PSD ter reagido com um coro de críticas, apenas 10 minutos depois de o documento de 95 páginas ter sido apresentado. Isto já diz muito sobre a seriedade das críticas do PSD, mas hoje Passos Coelho deu um toque picaresco à coisa, ao pedir uma versão editável das propostas, para poder fazer contas!
O CDS mandou Cecília Meireles- que nem para secretária do estado do turismo serviu- ameaçar com o papão do regresso da troika mas, tal como o PSD, não apresentou nenhuma prova concludente sobre o irrealismo das propostas. O que aliás seria difícil, perante a evidência deste quadro:

Roubado à Câmara Corporativa

PCP e BE também não se impressionaram e alinharam ao lado do governo nas críticas às propostas. Nada de surpreendente no PCP, que na última década não tem regateado apoio ao PSD sempre que se trata de atacar o PS.  Do BE, confesso que esperava um bocadinho mais de sensatez...
Pelo que fui lendo nas redes sociais, também alguns seguristas se mostram descoroçoados. Compreende-se. A sua aposta era um entendimento com o PSD para um Bloco Central e estas propostas afastam qualquer hipótese de isso vir a acontecer. É mesmo possível uma alternativa à fusão PS/PSD? Que decepção!- admitem alguns seguristas enquanto vão roendo as unhas e equacionam votar no PSD nas legislativas do Outono.
Quem sabe se o PSD não lança uma campanha de recrutamento de novos militantes, antes das legislativas, para receber os seguristas desiludidos com as propostas do PS?


Contra o "esquecimento"

Seria popular condenar a escola, mas não alinho nessa. A prova é que a medida permitiu reduzir substancialmente  o número de esquecimentos.

Nunca é demais lembrar



Hoje assinala-se o Dia da Terra.Pareceu-me apropriado recordar o momento em que se começou a olhar para a necessidade de preservar o ambiente e como foi evoluindo a abordagem às questões ambientais desde 1961.
Nesse ano, um livro de Rachel Carson (A Primavera Silenciosa) desperta as pessoas para os problemas ambientais, ao chamar a atenção para a existência de um eco-sistema e a necessidade de o preservar, como forma de garantir um ambiente saudável.
Em causa estavam os efeitos devastadores do pesticida DDT, que Carson descreve da seguinte forma:
“Para acabar com os escaravelhos que estavam a destruir os ulmeiros, a Câmara da cidade de East Lansing (Michigan) pulverizou as árvores com DDT e no Outono as folhas caíram e foram devoradas pelos vermes. Ao regressarem, na Primavera, os tordos comeram os vermes e ao fim de uma semana quase todos os tordos da cidade tinham morrido.”
Anos mais tarde foram encontrados vestígios de DDT em baleias criadas ao largo da costa da Gronelândia situada a centenas de quilómetros das áreas agrícolas mais próximas, e concentrações de insecticida nos ursos e pinguins da Antártida, longe de qualquer área sujeita a pulverização com DDT ou qualquer outro insecticida.
Durante a década de 60, são vários os acontecimentos que vão despertar as pessoas para a necessidade de preservar o ambiente e começa a falar-se da possibilidade de ocorrência de catástrofes ecológicas. Em 1966,enquanto no País de Gales cerca de 150 pessoas ( a maioria delas crianças) morrem sepultadas num monte de resíduos de carvão que desaba sobre uma escola, um novo livro ( “Limites para o Crescimento”) vem alertar o mundo para os sinais de degradação ambiental. 
No ano seguinte, um grupo de cientistas apresenta, na Califórnia, um relatório esclarecedor:os aerossóis estão a destruir a camada de ozono e se a sua utilização permanecer ao mesmo ritmo, o número de cancros da pele crescerá exponencialmente. Só nos EUA, os cientistas prevêem mais oito mil casos anuais. Entretanto, alterações de clima e inexplicáveis acontecimentos metereológicos lançam grandes preocupações na comunidade científica.
A causa ambiental ganha novos adeptos e a ONU decide avançar para a realização de uma Conferência Mundial sobre o Ambiente, marcada para 1972 em Estocolmo.A Cimeira- que conta já com a participação do Greenpeace fundado no Canadá em 1971- decorre em plena guerra do Vietname e os EUA são acusados de estar a perpetrar uma destruição ecológica durante o conflito. O debate entre países ricos e pobres, que há-de ser uma constante quando se discutem problemas ecológicos, é iniciado com uma intervenção de Indira Gandhi que pergunta aos delegados dos diversos países:
“Como podemos nós falar, àqueles que vivem em aldeias e bairros de lata, em manter limpos o oceanos, os rios e o ar, quando as suas próprias vidas são contaminadas desde a origem?”
Maurice Strong, - o secretário geral da Conferência- compreende o que está em jogo e responde nestes termos:“ É o cúmulo do descaramento que o mundo desenvolvido manifeste surpresa quando os países em desenvolvimento identificam chaminés fumegantes de fábricas com progresso. Afinal, é isso que nós temos feito desde sempre!”.

As posições de pobres e ricos mantiveram-se inconciliáveis e no final, para além de promessas (que não serão cumpridas) de ajuda dos países ricos aos países pobres, que permitam reduzir as diferenças que os separam, a única medida palpável foi a autorização para que fosse criado um secretariado permanente para estudar os problemas do ambiente, no seio da ONU.
Em 1987, o relatório da Comissão Brundtland veio deixar claro que os entusiasmos criados em Estocolmo tinham sido refreados e nem o acordo assinado por vários países, comprometendo-se a reduzir para metade a emissão de CFC (clorofluorcarbonetos) responsáveis pela destruição da camada de ozono, dá mais confiança aos ambientalistas numa solução do problema.
Indiferentes aos problemas ambientais e gozando, por vezes, da complacência dos governos, as multinacionais vão explorando os recursos dos países do terceiro mundo, especialmente os asiáticos, e sendo responsabilizadas por desastres ecológicos que provocam número indeterminado de vítimas, como o de Seveso (Itália), Bhopal (Índia) ou Exon Valdez (Antártida). O património histórico também está ameaçado e a UNESCO alerta para os perigos que ameaçam a Acrópole. Em Chernobyl (URSS) – mofando de quem assegurava a impossibilidade de um acidente - explode um reactor nuclear que liberta para a atmosfera uma gigantesca nuvem radioactiva que atinge vários países europeus e, na Alemanha, um incêndio numa fábrica de produtos químicos polui gravemente o Reno.
Em 1990, novos acordos para a eliminação , até ao ano 2000, dos produtos mais perigosos para a camada de ozono e a redução das emissões de gases poluentes são alcançados, chegando-se à Cimeira da Terra que se realizou no Rio de Janeiro em 1992, num clima de grande optimismo. Debalde. Durante a Cimeira, as desavenças entre países pobres e ricos acentuam-se e mesmo no seio dos países da UE as fricções são bem visíveis..
O principal êxito da Cimeira foi o seu mediatismo, que trouxe a temática ambiental para a discussão pública e criou uma maior consciencialização das pessoas para o problema.
A partir daí multiplicaram-se as cimeiras sobre alterações climáticas e o ambiente- quase sempre inconclusivas e com acordos meramente circunstanciais- onde a tónica assenta na necessidade de garantir um consumo e desenvolvimento sustentável. Os resultados foram mais positivos na alteração do comportamento dos consumidores- fruto de uma crescente consciencialização- do que nos modos de produção. Empresas de países emergentes como a China, a Rússia ou a Índia, continuam a utilizar maioritariamente os combustíveis fósseis em detrimento de energias mais limpas.
Quarenta e três  anos após a Cimeira de Estocolmo, mais de  50 desde o livro de Rachel Carlson e muitas Cimeiras depois, embora conhecido o diagnóstico e as possíveis medicamentações para a cura do Planeta, os “médicos” continuam a olhar para a doente com ar grave e, com um encolher de ombros, declarar: “a doente está muito mal, mas não vamos fazer nada para a curar, porque não nos entendemos quanto à medicação a ministrar-lhe”.
No próximo Outono, em Paris, realizar-se-á mais uma cimeira sobre o clima, que está a gerar grandes expectativas. O mais provável é que se consigam alguns acordos circunstanciais pouco significativos  e, daqui a um ano, voltemos a assinalar o Dia da Terra com  muita propaganda informativa, muitas celebrações e assinaturas de programas para o crescimento verde, que apenas servirão para consumir papel. Reciclado?


Uma questão de realismo

Sempre manifestei bastante descrença quanto à possibilidade de o FC do Porto eliminar o Bayern Munique e passar às  meias finais.
Nem o resultado (3-1) alcançado no Dragão me demoveu. Apesar de  permitir sonhar, o amarelo visto por Danilo nos minutos finais do jogo de quarta-feira  refreou-me  de imediato o ânimo. Ir a Munique jogar sem os dois laterais titulares tornava a tarefa ainda mais difícil. E, como se não bastasse, Lopetegui decidiu improvisar, fazendo entrar Reyes para lateral direito..
Alguns acusaram-me de ser pessimista. Estava apenas a ser realista, como hoje se confirmou. A minha paixão azul e branca não me cega e ainda me lembro do desastre de Sevilha na época passada onde ( aí sim...) tínhamos todas as possibilidades de ter êxito, se o treinador fosse outro.
O caminho faz-se caminhando e na próxima época os jogadores terão assimilado melhor as ideias de Lopetegui,  talvez nas mesmas circunstâncias deste ano eu  esteja mais optimista.
Nunca se digere bem uma derrota e uma eliminação na mais prestigiada e difícil competição do mundo entre clubes, mas esta custou-me menos por estar à espera dela. 
Além disso, o FC do Porto continua a ser a única equipa portuguesa que conseguiuivener o Bayern sendo que, uma delas, valeu a conquista  da Taça dos Campeões Europeus.
 Para ser sincero, digo-vos que trocava bem esta eliminação por uma vitória robusta no próximo domingo na Luz. Na qual até cheguei a acreditar, antes de saber que o jogo teria lugar cinco dias depois de Munique e um resultado desastroso na Alemanha poderia ser pernicioso para as nossas aspirações.  Agora é mais difícil mas não tão impossível, como era a tarefa perante os alemães.
BIBÓ PORTO!