sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mais vale um jovem bêbado, do que um contribuinte reformado

Ontem, a conferência de imprensa que habitualmente se realiza no final da reunião de conselho de ministros, foi sucessivamente adiada.
Ficou claro que havia desentendimentos no seio da coligação. No entanto, ao contrário do que suspeitei, as divergências não estiveram na redução da taxa da TSU, nas pensões, ou na reposição dos salários da função pública. Nessa matéria os ministros do apêndice da coligação cederam às exigências de Passos e Marilú sem grande resistência. O tema que levou o CDS a prolongar a reunião até meio da tarde foi bem mais prosaico: os centristas não aceitam legislação que proíba o consumo de álcool a menores de 18 anos. 
É curioso constatar que o partido de Portas- outrora partido dos contribuintes- tenha agora escolhido o álcool como bandeira... 
Adivinhem quem foi o ministro mais aguerrido no combate a esta medida. Pires de Lima, o homem das cervejas, obviamente. Quando se trata de colocar em causa os lucros da "sua" empresa, o soldado disciplinado é o primeiro a sair da formatura.

Primeiro, abotoa o casaco. Depois, baixa a cueca

Hoje, lá tive de gramar mais um debate na AR. Não é que eu não goste de debates parlamentares, mas estar sempre a ouvir o pm com a mesma  lenga lenga  já chateia. Ao fim de quatro anos, já lhe adivinho as respostas às perguntas da oposição, já conheço as estratégias combinadas nos bastidores entre o governo e os partidos da coligação, já sei quando é que as bancadas do governo vão bater palmas, ou apupar a oposição.
No entanto, há uma coisa que me continua a impacientar e que, em cada debate, tenho a esperança  de ver  mudar. 
Os deputados de todos os partidos começam as suas intervenções  com um  respeitoso " senhor primeiro ministro", excepto este energúmeno.
Esse levanta-se, abotoa o casaco e, invariavelmente, começa a sua intervenção  à moda do Estado Novo, com um "Vossa Excelência".
O respeitinho é muito bonito e é preciso passar a mão pelo pêlo ao Coelho. Ele já várias vezes disse que não precisava dos defensores dos contribuintes  para governar e, teimoso como é, um dia destes  ainda se marimba para a coligação.

Se bem me lembro...

Em 2009, ou 2010, fiz um trabalho de investigação sobre as Fundações para uma revista, que iniciei com uma frase de Rui Vilar - presidente do Centro Português das Fundações: 
" Há Fundações a mais e transparência a menos".
Era uma verdade incontornável.  Durante os três últimos anos do governo Sócrates foi criada uma Fundação em cada 12 dias - a maioria delas privadas- cujos objectivos eram, em muitos casos, pouco transparentes.
O grupo de incompetentes que assaltou o pote com o beneplácito dos tugas e a benção do homem de Boliqueime pensou, na sua saga reformadora e purificadora, que era uma ideia boa e popular  fazer um estudo sobre as Fundações e atribuir-lhes um ranking, para se definir as que mereciam continuar a receber subsídios e as que deviam ser extintas.  A tarefa foi atribuída ao gabinete de Relvas e a ideia, claro, era poupar dinheiro ao Estado e eliminar boa parte delas. 
Muitos estarão lembrados  da bagunçada que foi  esse trabalho feito por analfabetos contratados a recibo verde.  Fundações como a de Paula Rego, ou a Fundação Gulbenkian, foram extintas ou ficaram classificadas muito abaixo de uma fundação esconsa de Alberto João Jardim. 
Não sei se o estudo foi para o lixo com a saída do Relvas, mas nunca mais se ouviu falar dele. Como por milagre, as fundações também saíram de cena. A mensagem entretanto passada para a comunicação social, era de que o governo estava a poupar milhões com as fundações, se tinha acabado com o regabofe da atribuição de subsídios a  fundações. E o tuga, claro, acreditou.
Ora aqui está mais um belo exemplo da eficácia deste governo na higienização da sociedade portuguesa. Ou se preferirem, da transparência dos seus actos.

A política é como tentar ir ao cu a um gato

" A diferença entre uma Democracia e uma Ditadura é que numa Democracia votamos primeiro e recebemos ordens depois; numa Ditadura não precisamos de perder tempo a votar".
( Charles Bukowski in " A política é como tentar ir ao cu a um gato", conto inserido na colectânea "A Mulher mais bonita da cidade", ED Alfaguara, Setembro de 2014)

Lembrei-me disto depois de ouvir Paulo Rangel, na TVI, a defender que se  as medidas tomadas hoje pelo conselho de ministros forem aprovadas em Bruxelas, o próximo governo tem de as cumprir.