quinta-feira, 9 de abril de 2015

Qual é a surpresa?


Esta capa do jornal i de hoje, parece ter surpreendido muita gente.  Eu surpreendo-me é por ainda haver tanta gente surpreendida com a fantochada dos concursos para chefias ( e não só...).
Em Outubro de 2013 escrevi um post sobre o assunto, de que destaco este excerto:
Não é um problema recente e noutros locais e em tempos mais recuados me referi a ele.  Também o prof Lobo Antunes no seu livro  "Memórias de Nova Iorque e Outros Ensaios" explica as razões de uma demissão, com a falta de transparência de um concurso para  um hospital.
O que é novidade, com este governo, é a hipocrisia. Apregoa aos sete ventos a transparência dos concursos e depois tem o descaramento de nomear para cargos de chefia quem lhe apetece. Incluindo pessoas que tinham sido chumbadas em concursos, como aconteceu recentemente na Autoridade Tributária.

Da cartola de S. Bento, só saem coelhos marados



A subida do desemprego a poucos meses de eleições é uma dor de cabeça para o governo. 
Incapaz de promover políticas de emprego, Passos Coelho reuniu a malta na Gomes Teixeira e mandou o ilusionista de serviço tirar mais um coelho da cartola para baixar artificialmente o número de desempregados.
À falta de ideias para truques novos, o ilusionista da Vespa apresentou o já estafado número da formação.
É óbvio que se o governo quisesse mesmo melhorar as qualificações dos desempregados não tinha acabado com programas como o "Novas Oportunidades". 
Assim, o número de magia é facilmente desmontável:
Pega-se em 13 mil desempregados, contratam-se uns formadores, metem-se todos numas salas, mexe-se bem durante seis meses e o desemprego baixa.  
Entretanto chega o Verão e, por força da sazonalidade, o desemprego baixa mais umas décimas. 
Pouco importa que em Outubro os formandos continuem desempregados e que alguns deles tenham perdido  a oportunidade de arranjar um empregozito sazonal, mais bem pago do que os súbsídios mexerucas  da formação.
O importante é criar nos espectadores/ eleitores a ilusão de que acções de formação são postos de trabalho, para que o governo possa esgrimir a baixa do desemprego como bandeira eleitoral.
A maioria dos espectadores/ eleitores ainda não percebeu que da cartola onde o governo mete os desempregados, não saem trabalhadores qualificados, mas sim desempregados mascarados de trabalhadores e que a diminuição do desemprego é uma ilusão de óptica provocada pelo efeito do martelo. 

Homens de palavra

Ao ouvir Pires de Lima dizer que os acordos em homens de palavra são para cumprir, soltei uma gargalhada.
Mas não devia. Teria sido mais correcto esmurrar o ecrã do televisor, no momento em que ele estava a falar.