terça-feira, 7 de abril de 2015

E que tal o Gato das Botas?



As legislativas são lá para Outubro e as presidenciais apenas em Janeiro de 2016. Mandaria o bom senso que  cada eleição se discutisse no tempo apropriado. Tudo parecia correr nesse sentido, até o PS morder o isco e  cair na armadilha de discutir candidatos a Belém, porque a comunicação social assim o quis.
A nega de Guterres - candidato consensual entre os socialistas e alguma direita- deixou o PS em polvorosa.
 António Costa bem se esforça por pôr ordem na casa, mas não há cão nem gato socialista que resista a opinar sobre putativos candidatos à sucessão do emplastro. Enquanto alguns aprimoram os ataques a Sampaio da Nóvoa ( Henrique Neto é carta fora do baralho no Rato) barões, baronetes e arlequins vão lançando nomes a ver se pega.  Maria de Belém e Jaime Gama ( candidatos tão mobilizadores e empolgantes como uma tromba de água num dia de Verão) apesar de provocarem longos bocejos, continuam a ser badalados com insistência. O nome de Carlos César  é sugerido - ainda que apenas em surdina- como um candidato surpresa. 
Ontem, porém, quando  ouvi Eurico Brilhante Dias defender  na SIC -N o nome de Luís Amado como um excelente candidato do PS, senti um arrepio. É o cúmulo do desaforo propor para Belém o nome de tão sinistra personagem. O que virá a seguir? O Gato das Botas?
O PS ainda nada fez para garantir uma vitória nas legislativas, mas já está empenhado em oferecer à direita mais 10 anos em Belém, com esta discussão a destempo sobre as presidenciais. Tenham juízo e calem-se! Ainda não perceberam que estão a servir de pasto à comunicação social e a prestar um inestimável serviço a Marcelo?


Será esta rosa flor que se cheire?






Os ataques aos funcionários públicos vêm de longe. 
Embora poucos se recordem, começaram  timidamente quando Manuela Ferreira Leite ( hoje uma defensora da dignidade da função pública) era ministra das finanças; intensificaram-se com os cortes de salários de Sócrates e atingiram o pico com a cambada actualmente no poder, que os identificou como alvo preferencial da sua política de austeridade.  
Para além da redução de salários e do corte do subsídio de férias e de Natal ( travados pelo Tribunal Constitucional) a troika Coelho, Portas, Gaspar/ Marilú aumentou brutalmente os descontos para a ADSE, congelou definitivamente as progressões nas carreiras, diminuiu férias, aumentou horário de trabalho, partidarizou a administração pública desde os lugares de topo às chefias intermédias e fez passar insistentemente para a opinião pública, a mensagem de que a administração pública é um bando de incompetentes, viciosos e gastadores que consome os recursos do Estado.
Muitos funcionários públicos terão acreditado que o PS de António Costa poderia inverter o ciclo e restituir a dignidade aos funcionários públicos. Bem podem desenganar-se! 
A pretexto da transparência, o PS apresentou uma proposta em que defende a divulgação pública dos salários de todos os funcionários públicos.
O projecto -  elaborado por José Magalhães -  indicia que também os socialistas olham para o aparelho do Estado como um grupo de bandidos corruptos que deve ser despido em praça pública, para que a populaça os aponte a dedo como privilegiados do sistema e responsáveis pelo estado a que esta merda de país chegou. Quiçá, como fonte da corrupção que grassa no país.
Já aqui escrevi- e não mudei de opinião-  que muitos funcionários públicos são merecedores desta caça às bruxas, porque vivem num sistema de castas onde ninguém quer perder privilégios ( que existem, como  demonstra de modo exuberante o sistema remuneratório diferenciado, que  favorece desigualdades gritantes, graças a subsídios e complementos por vezes inexplicáveis) e nunca souberam unir-se na defesa de interesses comuns. 
Não deixa de ser preocupante, porém, constatar que numa altura em que se discute o direito ao sigilo fiscal e à protecção de dados, o PS  apresente uma proposta que visa expor nominal e publicamente os rendimentos dos funcionários públicos. Proposta de alcance pouco claro, já que as tabelas salariais são públicas e estão ao alcance de qualquer cidadão. Individualizar essa exposição,tornado-a nominal desde o lugar de topo até à base,  só contribui para prosseguir a política de demonização e suspeição do funcionalismo público iniciada pelo actual governo. Sem acusar ninguém, mas levantando suspeitas, o PS olha para a administração pública com os mesmos olhos da coligação PSD/CDS. 



Será esta rosa, flor que se cheire?
Não chega acenar com políticas sociais para ganhar eleições. É preciso fazer diferente e ser assertivo nas políticas económicas e laborais. Ser claro na política fiscal e distributiva e sobre o papel do Estado. Sei que o PS apresentará o seu programa no dia 6 de Junho mas... se é para fazer mais do mesmo - ou pior- então um voto no PS nas legislativas do outono é absolutamente inútil. Não me restrinjo, obviamente, à posição do PS em relação ao funcionalismo público. Só utilizei como exemplo, porque o partido da rosa optou por dar a cara nesta matéria. E fez bem, para que nenhum funcionário público vote enganado.


Lições da Primavera

Cada vez que os EUA e os seus parceiros europeus querem "vender" as suas belas democracias, abrem caminho a fanáticos ou a ditaduras ainda mais violentas do que aquelas que quiseram depor. Nunca mais aprendem?