quarta-feira, 1 de abril de 2015

A brincar, a brincar...

Em tempos escrevi que para cumprir o seu programa só faltava este governo vender os portugueses a interesses privados. Era uma laracha, mas hoje percebi que afinal é uma realidade.
Se a notícia não fosse de 30 de Março, pensava que era peta de 1 de Abril. Assim, fico com a certeza de que estamos entregues  nas mãos de um grupo de bandalhos mafiosos

Lisboa tem mais encanto na hora da despedida?

Já há muito que estava prevista   para Abril a saída de António Costa da câmara de Lisboa.
Ligar essa saída ao resultado desastroso do PS nas eleições da Madeira é por isso abusivo, mas compreende-se que muitos não resistam a estabelecer essa relação causa/efeito. 
António Costa também não pode fingir que não percebeu o que se passou na Madeira. O candidato do PS era um susto, a coligação MUDANÇA um erro estratégico que se traduziu numa derrota estrondosa para o PS. Foram erros a mais que têm de ser evitados nas legislativas e devem obrigar os responsáveis do PS a reflectir profundamente sobre a forma de cativar os eleitores, explicando-lhes sem tibiezas, o que quer para o país e que o caminho não se fará sem espinhos.
Tentar extrapolar a derrota do PS na Madeira para eleições nacionais é uma tentação compreensível dos partidos do governo e de alguma esquerda.
Menos compreensível é que a CDU venha falar da pesada herança deixada por António Costa em Lisboa. É lamentável  que o PCP insista em fazer do PS o seu inimigo principal. Os socialistas cometeram alguns erros à frente da autarquia e deixaram algumas promessas por cumprir, mas António Costa devolveu a Lisboa a identidade que lhe conferiu o estatuto de uma das mais belas capitais europeias. 
A recuperação de bairros históricos como a Mouraria; as novas acessibilidades ao castelo de S. Jorge;a recuperação de espaços como os mercados da Ribeira e de Campo de Ourique, a Ribeira das Naus e o Terreiro do Paço; o forte investimento em espaços verdes, pedonais e em ciclovias ou a reorganização administrativa da cidade, são  marcas que perdurarão para além da gestão de António Costa.
Destaque, ainda, para as taxas reduzidas de IRS e de IMI que permitiram a muitas famílias lisboetas  suavizar o impacto das selváticas medidas austeritárias impostas pelo governo.
Houve falhas graves? Obviamente que sim. Permito-me destacar o falhanço total de duas das suas bandeiras eleitorais: disciplinar o trânsito e acabar com o estacionamento selvagem. 
O estacionamento em segunda e terceira filas tornou-se banal e a falta de civismo crescente, graças à complacência de quem deveria ter por missão combater o estacionamento selvagem.
O trânsito só não está pior, porque a crise retirou milhares de automóveis do centro da cidade. 
Nota negativa, igualmente,  para o estado caótico do piso em muitas artérias de Lisboa. Por vezes, quando conduzo, tenho a sensação de rolar sobre um campo armadilhado onde buracos ora escondidos pela água das chuvas, ora dissimulados pela escuridão da noite, são verdadeiras ratoeiras para automóveis e um maná para oficinas e mecânicos.
São falhas que prejudicam o quotidiano dos lisboetas e que ficarão ligadas, pela negativa, à gestão de António Costa. A elas voltarei ainda durante a quadra pascal.


Ensaio geral?

A Madeira serviu de ensaio a um eventual cambalacho nas legislativas do Outono?
Uma vergonha!
Como é habitual a culpa foi do sistema informático. Um dia destes ainda alguém da corja de vigaristas vem garantir que a lista VIP das Finanças foi criada por um pirata informático.