terça-feira, 31 de março de 2015

Oração de Passos a Satanás



Satanás todo poderoso que dominas o reino dos Infernos
Obrigado por  teres feito de mim primeiro ministro.  Nunca o conseguiria se não me tivesses  ensinado uma parafernália de mentiras com que consegui enganar os tugas e levá-los a votarem em mim;

Obrigado por me teres ensinado o truque da falta de memória, para me esquivar às explicações sobre o dinheiro que ganhei na Tecnoforma e naquela associação cujo nome já nem me lembro e da qual me fizeste presidente; 

Obrigado por  me permitires continuar a passar férias na Manta Rota, sem ter de aturar os jornalistas a perguntarem-me se eu exijo factura à boa senhora que todos os anos me empresta a casa;

Obrigado por me teres ensinado o truque da humildade e da pobreza  com que consegui justificar, perante os tugas, as minhas fugas ao Fisco e à Segurança Social, que os papalvos continuam a pagar;

Obrigado por teres arranjado  emprego a todos os comentadores que me apoiam e defendem nos jornais, rádios e televisões. Sei que alguns o fazem porque querem que lhes dê qualquer coisa em troca, mas estou certo que na altura própria, me darás a justificação adequada para  não cumprir as promessas que lhes fiz;

Obrigado por me teres enviado os anjos Maduro e Lomba, mestres em manipular a comunicação social, que com o engenho de que tu os dotaste conseguem que as minhas falcatruas sejam esquecidas;

Obrigado por teres convencido o Cavaco a ser o meu maior apoiante. Foi uma jogada de Mestre teres-lhe lembrado o caso da sisa da casa da Coelha e das acções do BPN, para o obrigares a dar-me todo o apoio. Ficaste mesmo zangado quando ele se referiu à aparição da Maria para salvar Portugal  naquela noite do 13 de Maio e encostaste-o à parede. Foi muito bem feito! 

Obrigado pela ideia da lista VIP dos contribuintes, que o meu ajudante Paulo Núncio criou, para impedir os curiosos das finanças de acederem aos meus dados pessoais, que devem permanecer secretos , como ficou estabelecido no pacto que assinei contigo quando me tornei presidente do PSD;

Tens sido infinitamente Misericordioso comigo, Mafarrico Todo Poderoso,  por isso te agradeço e penitencio por ter desobedecido às tuas ordens e ter restituído 20% do que roubei aos funcionários públicos, mas estamos em ano de eleições e, se tu não me deres mais ideias para as ganhar, tenho de fazer algumas cedências.

Sei que compreendes  esta minha fraqueza e nem sequer dás importância ao programa VEM que criei para atrair os votos dos tipos que, seguindo a tua sugestão, mandei emigrar, porque sabes que  esse programa é tão mentiroso quanto eu.



Permite-me, por isso, que invoque uma vez mais a tua Misericórdia e te peça que faças com que os portugueses esqueçam as sacanices que lhes fiz durante estes quatro anos. Sabes muito bem que se o fiz foi com o intuito de Te servir. Aproximam-se as eleições- que tenho a certeza irei ganhar com a tua ajuda- e uma amnésia colectiva seria muito útil para que eles votassem em mim. Ou melhor... em Nós (ih!ih!ih!)
Avisaste-me que me irias fazer passar por provações, para veres se eu estava à altura de ser  teu embaixador aqui na Tugalândia. Podes confiar que serei fiel seguidor das tuas ordens e poderás manter a confiança na minha maldade para com os pobres, os velhos, as crianças, os doentes  e os desempregados.  Não te desiludirei  e cumprirei fielmente a missão que me confiaste, continuando a roubá-los, para entregar aos ricos e poderosos, teus fiéis aliados.
Mas por favor Satanás,  rei todo poderoso do Inferno onde espero contigo repousar  para a Vida Eterna, sê misericordioso e  não me exijas demasiado. Não abandones este teu filho sempre pronto a obedecer-te .
Pela glória da Vida Eterna no reino dos Infernos
Pedro

O abcesso palavroso

Cada vez que abre a boca, para tecer elogios à sua governação que transformou o país numa arena de famintos e vendeu ao desbarato o património do Estado, Passos Coelho faz-me recordar uma crónica de Vasco Pulido Valente, que lhe chamava "Abcesso palavroso".
Passos Coelho debita frases como se fossem slogans publicitários produzidos por um copywriter falhado. Dá pontapés sucessivos na gramática, gagueja ( tique típico dos aldrabões), enrola-se em rodriguinhos encomiásticos para enaltecer uma recuperação económica que só existe na cabeça de tresloucados ou ignorantes. Ele fala para a populaça laranja  como se fossem néscios, deixa as frases incompletas suspensas no ar à espera de aplausos que, quando surgem, são a maioria das vezes envergonhados.
Passos Coelho é falso e ridículo. As suas aparições nas  vernissages do rissol, das alheiras ou do fumeiro,  transformam-se em  comícios avidamente seguidos pelas televisões, que transmitem à exaustão um conjunto de atoardas, embrulhadas em telejornais, como se de notícias se tratassem. 
A desconstrução das falsas palavras de Passos é sistematicamente feita nos canais por cabo, a horas em que ninguém lhes liga, porque o povo prefere as telenovelas brasileiras, ao discurso de um vendedor de banha da cobra. 
Não há pachorra para ouvir o "Abcesso palavroso".