segunda-feira, 30 de março de 2015

Tudo bem, quando acaba bem

Acabou mais uma telenovela comissão de inquérito da AR.
Como acontece em todas as telenovelas comissões de inquérito, as pessoas andam empolgadas com o enredo durante meses e o último episódio deixa-as frustradas e a pensar " mas porque é que eu andei a perder tanto tempo com esta porcaria? Nunca mais aprendo."
Sejamos justos. Há algumas diferenças entre as telenovelas e as comissões de inquérito da AR. Nas telenovelas os maus são quase sempre castigados mas, nas comissões de inquérito como a do BES, os maus confessam os  crimes, remetem-se ao silêncio, gozam com os inquiridores e no final nunca lhes acontece nada.
Os inquiridores não conseguem entender-se sobre os culpados, elaboram um relatório mal amanhado e a justiça finge que não ouviu nem viu nada, porque "acha" que os deputados andaram a brincar às casinhas e aquilo é coisa de putos.
Foi assim que aconteceu nas anteriores comissões de inquérito ( se alguém se lembrar de um tipo que tenha ido a uma comissão de inquérito e depois tenha sido julgado e condenado na justiça avisem-me)  não vejo razão para que seja diferente na do BES. O actor principal  nunca pode ser o mau da fita e os senhores juízes sabem disso muito bem. Deixam-no continuar a fazer tropelias, a gozar o dinheiro que entretanto colocou a bom recato e a arraia miúda que ficou sem o guito que se amanhe. É bem feito, porque a arraia miúda queria enriquecer com papel falso e isso só os grandes actores podem fazer impunemente.
As pessoas - e já agora os jornalistas- não aprendem e continuam a acompanhar com grande entusiasmo os episódios destas telenovelas comissões de inquérito e, quando tudo acaba, reagem como o público das telenovelas. Quando é que aprendem?
No entanto, é preciso dizê-lo com frontalidade, assim como em cada telenovela nasce uma nova estrela, na comissão de inquérito ao BES também refulgiu um nome: Mariana Mortágua. Bem secundada, diga-se em abono da verdade, pelo presidente Fernando Negrão que representou o seu papel com  dignidade.
Nessa matéria pode dizer-se que a AR está a fazer progressos e, não tarda nada, as comissões de inquérito passam a ser exibidas em horário nobre e em canal aberto. Sempre fica mais barato e tem a vantagem de não ser ficção.