quinta-feira, 26 de março de 2015

Os Ignorantes

Depois do grande sucesso das séries Borgen e Os Influentes, exibidas na RTP 2, o canal público decidiu abrir os cordões à bolsa e produzir uma série que reflicta a realidade política portuguesa. O título já está escolhido: Os Ignorantes.
Quanto ao  enredo, ilustrará essencialmente a ignorância dos ministros portugueses em relação ao que se passa nos ministérios que tutelam e na falta de memória quanto aos seus deveres de cidadania.

Qual é o cheiro das eleições, afinal?




Desde que Cavaco disse que já cheira a eleições, tenho andado de nariz no ar para ver se descubro a que cheiram mas, até aqui, nada.
É verdade que há um cheiro a bosta no ar, proveniente de S. Bento e Belém, mas não me parece que seja esse o cheiro típico das eleições.
Há dias, o Ferreira Fernandes deu-me uma ajuda com esta crónica.
Lembra ele (e bem, como sempre...) que  na Grã Bretanha, há mais de 50 anos que em vésperas de eleições a atmosfera começa a ser impregnada por um forte cheiro a cozinhados, proveniente das cozinhas onde os candidatos se fazem fotografar.  Não é que sejam exímios cozinheiros, mas sabem fingir lindamente e a analogia entre política e cozinhados sempre me pareceu irrefutável.
A partir da crónica do FF, dei por mim a conjecturar sobre os cheiros específicos de diversos países durante as campanhas eleitorais. Na Argentina haverá certamente um cheiro a churrasco, com assados de tira a animar comícios e no Brasil a feijoada será rainha.
Já em França, o cheiro será mais adocicado, " à cause des petits gateaux", na Suíça o ar está impregnado de um misto de queijo e chocolate, na Bélgica o cheiro a mexilhões com batatas fritas invade os lares, na Holanda bosta de vaca misturada com queijo, na Alemanha o cheiro das salsichas ou do Eisenbahn e nos países nórdicos não cheira a nada, porque a comida é sensaborona e nem cheiro provoca.
E como será em Portugal? FF garante que cheira a fritos  mas eu, por mais que apurasse as narinas,  não recebi o menor indício desse odor gordoroso. Não sei se a culpa é da sinusite e rinite que me afectam mais fortemente na Primavera, mas cheiro a  fritos nem o das farturas que costuma empestar os ares nas romarias estivais . Até que..EUREKA!  Quim Barreiros deu-me a dica. O cheiro eleitoral em Portugal é a peixe. Nomeadamente a bacalhau
" Mariazinha deixa-me ir à cuzinha, deixa-me ir à cuzinha para cheirar teu bacalhau" - diz o seu sucesso popular.
Não é na cozinha, porém, que os nossos políticos gostam de ser filmados e fotografados durante a campanha eleitoral. Preferem andar pelas ruas a distribuir bacalhaus, ou ir aos mercados e às lotas distribuir beijinhos às peixeiras.  Decididamente, os nossos políticos não são carnívoros.
 Apesar de a ementa dos jantares  durante a campanha ser sempre "carne assada", ouso perguntar:
Alguém já os viu a fazer campanha eleitoral num matadouro? 

Hoje há circo



Não há por aí uma universidadezinha recôndita, num país jeitoso e bem distante, que me queira dar um doutoramento honoris causa?  Parece que há alguns a bom preço e, como credenciais, posso apresentar  o apoio à CPLP e às UCCLA

Mas que grande confusão vai naquela cabeça!

Não gosto da forma acintosa - por vezes até achincalhante - como alguns responsáveis do PS e comentadores afectos ao partido da rosa se referem à candidatura de Henrique Neto.
É certo que a entrevista que deu ao  DN   e o apoio de Henrique Medina Carreira  ( mandatário de Cavaco Silva à Presidência da República)retiram todas as dúvidas sobre os propósitos da sua candidatura. A entrevista que hoje deu a Maria Flor Pedroso, na Antena 1, deixou-me completamente descoroçoado - até um pouco assustado-por mostrar um homem com alguns tiques de quem se julga predestinado ( "sou dos poucos em Portugal com condições e ideias para exercer o cargo de PR") e por ter ideias muito vagas  e por vezes contraditórias sobre a função presidencial.  
Quanto à privatização da TAP diz estar desgostoso, mas admitiu que se o pm o convencesse, não se oporia.
Também foi claro no apoio às decisões de Cavaco em relação a este governo e admitiu não votar no PS nas próximas legislativas, apesar de continuar a ser militante.
 Henrique Neto não merece o meu respeito político. Merece, porém, o meu respeito pelo seu passado e pela obra que construiu ao longo da vida.
Apesar da aliança improvável entre dois Henriques, não me parece que seja uma candidatura (H)enriquecedora e nunca  votaria em Henrique Neto, mas ele merece o meu respeito. 
O nervoso miudinho que se apoderou das hostes socialistas é o reconhecimento de que a candidatura do homem da Ibermoldes faz mossa no partido e na sua base de apoio, mas as declarações de responsáveis e comentadores da área do PS, só contribuem para a agravar.