quarta-feira, 25 de março de 2015

Levante-se a acusada!

Eu a pensar que O Coiso  era descendente de uma alcagoita, mas afinal a culpa é da salamandra!

92%

Há umas semanas li na revista do Expresso um artigo de Ana Sofia Fonseca sobre violência doméstica. Relatos dramáticos transpostos para o papel  com a mestria  a que a Ana nos habituou. Li-os num sufoco, enquanto imaginava juizes a aplicar penas severas aos brutamontes que depois de beberem uns copos, ou terem sido roídos por ciúmes que minam a sua condição de machos, pensam que para mostrar  aos outros a sua virilidade  têm de aplicar correctivos exemplares a fêmeas que decidiram  libertar-se das suas garras, por já não suportarem as sevícias ou, simplesmente,  porque ousaram apaixonar-se por um ser humano.
No final do artigo, porém, fiquei a perceber que sou um optimista. Na verdade, 92% dos casos de violência doméstica terminam com o arguido absolvido ou condenado com pena suspensa.

Portugal no coração

Os primeiros autocarros com estudantes  finalistas já arrancaram em direcção a Espanha na sexta feira e ainda não vi reportagens sobre bebedeiras de caixão à cova, nem rixas, nem pinocadas nas discotecas e piscinas dos hotéis. Ou os jornalistas andam distraídos, ou os estudantes  estão em má forma. A única coisa que se arranjou até ao momento foi esta pinderiquice

A China quer respirar



Fotos deste post tiradas da Internet

Nos últimos anos é recorrente ouvir falar das cidades chinesas como exemplos de metrópoles cujo desenvolvimento as tornou irrespiráveis. Apesar da poluição insuportável, Pequim não é a cidade com piores condições atmosféricas na China e nem sequer se encontra entre as 10 cidades mais poluídas do mundo. Entre as cidades chinesas apenas  Linfen se encontra nessa lista ( 6º lugar), encabeçada por Nova Delhi. 
Em contrapartida, a China encabeça a lista dos 10 países mais poluidores do mundo, sendo actualmente o maior emissor de CO2, lugar ocupado pelos EUA até 2013.
O desenvolvimento económico  acelerado da RPC nas duas últimas décadas, assente na multiplicação e expansão de unidades industriais  que utilizam energias poluentes produzidas a partir do carvão e outros combustíveis fósseis, aliado ao aumento vertiginoso de veículos automóveis  e da legislação permissiva que favorece  práticas ambientais aniquilosadas, foram factores determinantes para que os índices de poluição se tornassem insustentáveis.
 Em 2014 a China comprometeu-se a desenvolver esforços gigantescos para reduzir drasticamente as suas emissões, colocando  o combate à poluição entre as 10 medidas prioritárias do governo  para 2015. 
Esse compromisso  parece estar a ser levado muito a sério pelas autoridades chinesas, preocupadas também com a crescente contestação popular , reclamando  medidas ambientais eficazes no combate à poluição.É o que infiro  das recentes declarações do pm chinês no encerramento dos trabalhos da Assembleia Nacional Popular.
Num tom pouco conciliador, Li Ke Quiang  avisou as empresas que mais têm contribuído para aumentar a poluição que pagarão um elevado preço se continuarem a eximir-se ao cumprimento  da legislação ambiental que limita o nível das emissões  produzidas. 
Na mira do pm chinês estavam as  duas principais petrolíferas estatais, responsáveis por uma grande parte das emissões de CO2.mas há muitos outros factores que contribuem para a degradação do ar.


A  poluição atmosférica é, hoje em dia, um dos maiores problemas da China. Para além do impacte na saúde pública, que se traduz em elevados custos, o governo chinês teme perdas de receitas significativas no turismo e, por arrasto, na economia.
Daí que Li Ke Quiang tenha lembrado também a necessidade  de a população alterar os seus comportamentos, contribuindo com o esforço de cada um para diminuir os níveis de poluição.
A China - segunda  economia mundial –  quer chegar no final do ano à cimeira de Paris sobre o clima e apresentar resultados significativos no combate à poluição, para ganhar  credibilidade junto dos seus parceiros que há anos acusam o governo chinês de indiferença face aos problemas ambientais. A verdade, porém, é que não deu o passo fundamental: proibir a construção de novas fábricas  que usem o carvão como fonte de energia. 
Ora, neste momento, há mais de 500 novas fábricas em construção, cuja  fonte de energia será o carvão, o que manifestamente contraria o discurso oficial de que a China quer respirar melhor. É como dizer a um fumador a quem foi detectado cancro no pulmão que pode continuar a fumar. 

Querido, assaltaram-me o cofre!