segunda-feira, 23 de março de 2015

Apesar de um dos possíveis candidatos a Belém ser o chefe dos guardas prisionais

Volto à entrevista de Marine Le Pen ao “Expresso” . Para quem não leu, aqui ficam as palavras de nós a líder da FN . Apesar de considerar Durão Barroso o chefe dos guardas prisionais da União Europeia, tem boa opinião dos portugueses :
“ Os portugueses são meus amigos e eu gosto deles. Tiveram uma educação com valores tradicionais, de respeito, são trabalhadores, é gente de valor e é por isso natural que me apoiem.  São respeitadores das leis francesas e do nosso modo de vida e criticam duramente os abusadores, são mesmo mais duros e mais radicais do que eu contra os estrangeiros delinquentes, os fundamentalistas islâmicos e os que abusam do nosso generoso sistema social.” 
(sublinhado meu)
O problema é que o retrato que  Le Pen traça dos portugueses é bastante real e confirma o ditado “ Não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu”.

Reflexões à volta de um cofre



Passos Coelho indignou-se porque a oposição reagiu mal à rábula de Maria Luís Albuquerque sobre os cofres cheios. 
Não me espanta. Para além de ser bonita esta cumplicidade entre professora e aluno, é louvável que Passos reconheça que mais vale ser caloteiro do que ter os cofres vazios.
Gostaria, no entanto, de perguntar a PPC como reagiria ele se tivesse emprestado uma determinada quantia a um amigo, com a promessa de que lhe seria devolvida  três anos depois. 
Se, volvido esse prazo, Passos Coelho  fosse reclamar a devolução do dinheiro, reagiria com um aplauso concordante se o amigo lhe dissesse  Eh pá, agora não posso pagar. Tenho o cofre cheio de dinheiro, mas está guardado para alguma eventualidade. (?)
Ora foi isso que o governo fez aos portugueses, com a diferença de que não pediu dinheiro emprestado. Roubou-o, como qualquer meliante protegido pela polícia.  E fê-lo  com requintes de malvadez. 
Começou por  cativar a simpatia dos tugas, prometendo que não vinha roubar mas apenas proteger os seus cofres. Assim que se viu diante do pote, apontou-lhes a arma e disse:
- “Desamparem a loja, ponham-se a milhas. Aos  que insistirem em ficar, vou roubar o 13º mês, o subsídio de férias e uma percentagem dos salários”.
Muitos partiram. Outros submeteram-se às exigências do ladrão, que entretanto lhes prometeu que devolveria o dinheiro no prazo de três anos, depois de resolver uns problemas de liquidez.  Outros ainda foram liminarmente expulsos, ficando dependentes da solidariedade de algumas instituições. 
Ao fim de quatro anos,  Passos Coelho diz-lhes:
“ Eh pá, tenho os cofres cheios, mas preciso do dinheiro para qualquer eventualidade. Os tipos a quem  prometi que só roubaria durante três anos que se desenrasquem.”
Passos Coelho nunca perceberá que está a roubar os portugueses, enquanto assume dívidas de bancos e de empresários que mais tarde ou mais cedo terão de ser pagos pelos contribuintes. 
É normal. A maioria dos  ladrões, caloteiros e trafulhas,  nunca reconhecem a sua condição e encontram sempre razões que a justifiquem. Passos Coelho e a professora  têm as suas.
Eu também tenho sobejas razões para não acreditar nele e  reagir à pesporrência  do homem que me assaltou o cofre. Na impossibilidade de lhe dar o que merece, vou socorrer-me da única arma que tenho: a do voto. 
Lamento é que muitos portugueses prefiram dar-lhe uma segunda oportunidade, para ver se se redime. Desenganem-se. PPC não tem remissão. Há-de morrer assim. 

Em tempo: Aviso aos comentadores anónimos que vêm para aqui comparar este roubo com o caso Sócrates. Não misturem o que não se pode misturar. Ao que sei, até agora, as suspeitas  que pendem  sobre Sócrates restringem-se à sua esfera privada e não afectaram a minha vida pessoal. Pelo menos, não me apercebi que as minhas poupanças tivessem levado um rombo.
Já de Passos Coelho posso dizer que, além de não cumprir os seus deveres contributivos e fiscais, me roubou alguns milhares de euros durante estes quatro anos.

Para memória futura

Em Israel todas as sondagens vaticinavam ma vitória clara da esquerda. No dia das eleições os israelitas mudaram de opinião e deram uma vitória larga a Bibi. Determinante para a viragem, terá sido a declaração de Bibi, na antevéspera do acto eleitoral, de que nunca admitiria a criação de um estado palestiniano. Embora Israel esteja mergulhado numa grave crise económica, na hora da verdade, os israelitas terão pensado que a garantia dada por Bibi lhes daria mais segurança e estabilidade.
Em França as sondagens davam uma vitória a Marine Le Pen. Ganhou o partido de Sarkozy com uma vantagem confortável ( cerca de 10 pontos à frente da extrema direita). O PSF, como se esperava,foi o grande derrotado.
Também aqui os franceses terão pensado que entre um voto de ruptura com os partidos tradicionais e um voto de protesto contra as políticas de Hollande, seria mais seguro votar nu partido que já conhecem, do que numa força de extrema direita cujas verdadeiras intenções desconhecem, mas pode ameaçar a estabilidade em França e na Europa.
Onde as sondagens não se enganaram, foi em Espanha. Nas eleições autonómicas da Andaluzia, o PSOE venceu com o mesmo número de deputados de  2012 e o PP foi a segunda força mais votada.Não deixa de ser surpreendente, porém, que na região mais pobre de Espanha, onde o desemprego ultrapassa os 30% ( muito acima da média do país), o PSOE tenha ganho folgadamente. A aliança com o Ciudadanos, um movimento recente que juntamente com o PODEMOS ameaça alterar o panorama político espanhol, parec ser a mais viável e, o modo como decorrer a aliança entre estes dois partidos poderá ser determinante para as eleições nacionais que decorrerão no Outono. A entrada em cena do Ciudadanos pode esvaziar o balão PODEMOS e criar condições para uma coligação com um novo actor no governo espanhol.
O que se pode inferir do resultado destas três eleições, quando os comparamos com as sondagens, é que na generalidade dos países europeus os eleitores têm muito medo de mudanças radicais e optam pela estabilidade política, mesmo quando as condições económicas são adversas.A única excepção é a Grécia.
António Costa não deixará de analisar estes resultados e daí tirar as suas ilações. A actual maioria também não. Uma boa dose de demagogia, aliada a meia dúzia de medidas que façam os eleitores tugas acreditar que mais vale apostar na continuidade, do que entregar os destinos do país aos socialistas, apontados como os coveiros do país, poderão dar a este governo um mandato de mais quatro anos, 
É aterrador pensar nisso? É. Mas também parece ser uma hipótese cada vez menos inverosímil.
O PS que se cuide.

Coimbra (ainda) é uma lição

Na  próxima terça feira comemora-se o Dia do Estudante.
A maioria das associações de estudantes, fazendo tábua rasa dos cortes no ensino superior, que põem em risco o funcionamento de algumas universidades, aceitaram o convite de Passos Coelho e vão assinalar o dia com um almoço na companhia do seu carrasco. Basta a promessa de uma  selfie com o pm para muitos estudantes esquecerem as suas reivindicações.
Quem não se deixou seduzir por uma fatia de carne assada e uns copos de carrascão foi a Associação Académica de Coimbra que se recusou a ficar na fotografia para promoção eleitoral de Passos.