quarta-feira, 18 de março de 2015

Esta tinha-me escapado..

Acabei de descobrir que durante o seu fim de semana prolongado em Paris, Cavaco não se limitou a enaltecer o governo. Ao lado de François Hollande também disse que "A Europa deve ser mais solidária".
Assim como Portugal tem sido com a Grécia, senhor presidente?

Vão trabalhar, malandros!


 O governo fartou-se de despedir funcionários públicos , alegando que havia  gente a  mais a trabalhar no Estado. Rapidamente muitos serviços  caíram num caos jamais visto.  Como sempre, os cidadãos são os mais prejudicados, vendo a sua relação com o Estado deteriorar-se. Esperas prolongadas, atrasos no cumprimento dos deveres do Estado para com os cidadãos  que, não raras vezes, têm resultado em altercações e violência física sobre funcionários de front desk indefesos.
Um dos casos de incumprimento do Estado que nos últimos meses tem sido mais badalado é o das cartas de condução. Há pessoas que esperam mais de um ano pela renovação ( eu tenho sido considerado um sortudo no meu círculo de amigos porque recebi a carta ao fim de nove meses), quando anteriormente o tempo de espera raramente atingia os três meses.
Pode argumentar-se que os condutores não são prejudicados, porque  têm uma guia de substituição. Não é verdade. Quem se quiser ausentar para o estrangeiro, conduzindo uma viatura, terá de adquirir uma carta internacional que custa até 30€. Creio que entre os 280 mil condutores que estão à espera da carta, não serei o único espoliado , por negligência do Estado...
A ressonância do que se está a passar no IMT – há dias em que as filas começam  às duas da manhã-  teve  mais impacto do que outros casos igualmente atentatórios dos direitos dos cidadãos, provocados pelos cortes cegos de pessoal na administração pública. 
Depois de o presidente do IMT vir justificar o atraso com a desculpa esfarrapada de que o atraso se deve, na maioria dos casos, à falta de qualidade das fotografias entregues pelos condutores,  o governo decidiu tomar anunciar  medidas.  Estamos em ano de eleições e é preciso acautelar uma eventual derrota.
Se em alguns casos de que tenho conhecimento, o governo decidiu contratar tarefeiros a empresas de trabalho temporário,  no caso do IMT optou por outra estratégia. Os funcionários passam a ser obrigados a trabalhar ao sábado e, durante a semana, mais do que as oito horas diárias.
 Como os funcionários não se podem recusar a prestar esse trabalho, sob pena de serem alvo de processos disciplinares que poderão culminar em sanções pesadas, pode dizer-se que estamos quase, quase, a regressar à escravatura. é só baixar um bocadinho mais as calças perante as arbitrariedades da governança.

Gato escondido com o rabo de fora



O pm foi ao parlamento garantir que não existia  nenhuma lista VIP. Obviamente que já ninguém de bom senso  acredita  numa única palavra de um escroque que, ainda por cima, é um mentiroso compulsivo. 
O assunto poderia ter caído no esquecimento ( como os casos TECNOFORMA e  o "atraso" nos pagamentos à segurança social e a fisco) mas a oposição não desistiu e  o secretário de estado dos assuntos fiscais do CDS, João Núncio,  continuou a desmentir até à exaustão, chegando a dizer que uma investigação ao assunto seria uma perda de tempo.
Afinal a lista VIP existia mesmo. Ontem, já eu o tinha confirmado aqui, mas a demissão do director geral da Autoridade Tributária anunciada hoje (e imediatamente aceite) depois de a Visão divulgar a gravação da reunião em que um funcionário  a , tirou quaisquer dúvidas.
O governo reagiu como se esperava.  Não tem nada a ver com isso, nem deu instruções para a sua elaboração. A táctica de obrigar a demissão de um director geral, para ilibar o membro do governo responsável por uma canalhice é velha e relha. Neste governo, Paula Teixeira da Cruz também a ensaiou para se desresponsabilizar pelo caos do CITIUS, embora se tenha saído mal.
Agora que está confirmada a existência da lista e se conhecem os responsáveis directos, temos o direito de saber não só quais os nomes que a integram, mas também as responsabilidades do membro do governo da tutela.
Num país normal, pelo menos Paulo Núncio já teria ordem de marcha, mas nós vivemos num país onde a impunidade é geral e os responsáveis políticos gente  sem honra nem vergonha, que vai continuar a gozar-nos. 
Com a imbecilidade presidencial a assistir, impávida, sentada na marquise enquanto bebe chá quentinho e come umas bolachinhas que uma qualquer assessora de um membro do governo lhe foi levar, como agradecimento  pela sua passividade, este governo continua a exorbitar as suas funções e a violar a Constituição da República.
Mas se um terço dos portugueses gosta de ser gozado, enganado e roubado que se pode fazer?
Em tempo: o governo vem agora dizer que não há lista nenhuma. Há é procedimentos. Pronto, está bem, então eu mudo o título deste post. Em vez de  "gato escondido com rabo de fora" passa a ser " Gato oculto com o  rabo à mostra".
Quando é que esta canalha ganha um pouco de vergonha?

Que Europa é esta?

Eu até posso compreender, embora com muita relutância, que a Europa queira vergar os gregos, para que o Centrão continue a dominar a seu belprazer o navio que nos conduzirá ao abismo. Há loucos para tudo e se a Alemanha já pariu um Hitler,  não me espanta que a Europa  seja capaz de parir muitos mais canalhas  como Schaueble e seus homólogos. 
A intolerância em relação à Grécia insere-se na estratégia de impôr o pensamento único e tem seguidores em figuras públicas que tomam a sua opinião como a única válida, principalmente quando estão em causa questões  consideradas fracturantes.
O que não consigo compreender, me repugna e revolve as tripas é que Bruxelas considere contrárias às regras da União aprovar leis que visem proteger os mais pobres e carenciados, assegurando-lhes alimentação e um teto. Isso já nem sequer é paranóia. É crime contra a Humanidade.

Pensamento único

O diferendo entre Elton John e Dolce & Gabanna revela o pior desta sociedade em que vivemos: a intolerância. 
Quem pensar que o crescimento da intolerância nada tem a ver com a tentativa de completar o ciclo da globalização com a imposição do pensamento único, é porque anda muito distraído.