quarta-feira, 11 de março de 2015

Olhó robot!

Mágoas de Março (2)



Faz hoje 11 anos . Entre as 7h37m e as 7h40m, dez bombas explodiram em quatro comboios na linha suburbana que liga  Alcalá de Los Henares  ao coração de  Madrid (Atocha). O balanço final de 191 mortos, mais de 1800 feridos  e a violência do ataque reivindicado pela AlQaeda, perturbou-nos a todos e deixou-nos mais inseguros. 
Quinze pessoas foram condenadas  a penas pesadas, mas o medo de novos ataques nunca se desvaneceu na Europa. O último foi em Janeiro, em Paris, na redacção do Charlie Hebdo.  Outros se seguirão, mas não sabemos onde nem quando.
Apesar de assustada  a  Europa continua esquizofrénica , obcecada em impor o pensamento único. Não hesita, por isso, em expulsar um dos seus – por coincidência aquele onde a democracia deu os primeiros passos-  para garantir a sobrevivência do sistema financeiro. Pouco importa que estejam a ser condenadas à fome milhões de famílias europeias e alguns milhares morram, vítimas das medidas de austeridade.  Os líderes europeus  apenas se impressionam  com as mortes violentas  que provocam grande impacto e têm ressonância internacional.
Condenar à fome e à morte lenta milhares de cidadãos, com medidas de austeridade, é apenas um pormenor. Hitler também pensava assim quando incinerava judeus em Auschwitz.

Mágoas de Março (1)


Há 40 anos era eu um alferes miliciano a cumprir serviço em Tomar. No dia 11 de Março o general Spínola , apoiado pela extrema-direita, tentou um golpe militar que não resultou, mas seria o começo do fim das ilusões de Abril.
Vale a pena lembrar, por estes dias, que a tentativa de golpe de Spínola e da extrema-direita foi consequência de uma falhada manifestação da “maioria silenciosa” por ele arquitectada, em 28 de Setembro de 1974. Spínola demitiu-se do cargo de Presidente da República e passou a congeminar o golpe. Um boato posto a circular, de que o PCP e o COPCON iriam proceder à liquidação de militares e alguns civis de direita, serviu de pretexto a Spínola para avançar.
No dia 11 de Março de 1975, ao final da manhã, com o apoio dos pára-quedistas de Tancos, ataca com aviões e helicópteros o RAL 1 (em Lisboa), comandado por Dinis de Almeida, que recusa a rendição, afirmando só dever obediência ao PR, ao PM e ao comandante do COPCON, Otelo Saraiva de Carvalho. Quando o confronto parecia iminente e tudo indicava que a unidade ia ser tomada pela força, Dinis Almeida terá conseguido um entendimento e as tropas em confronto abraçam-se, proclamando vivas ao 25 de Abril.
Entretanto, desde o início da tarde, tinham começado a surgir apelos à mobilização popular. Levantaram-se barricadas nas estradas, os bancos encerraram à tarde e havia piquetes nos locais de trabalho. Algumas unidades militares, como o RI 15 onde eu me encontrava, entraram de prevenção. Põe-se mesmo a hipótese de entregar “armas ao povo”. A casa do general Spínola é assaltada em Lisboa, bem como as sedes do CDS e do PDC (Partido da Democracia Cristã, conotado com a extrema-direita).A norte, são as sedes do PCP e do MDP/CDE as atacadas.
Spínola, o mentor do golpe, fugiu para Espanha e pediu apoio a Franco para invadir Portugal.O ditador espanhol pediu o beneplácito dos Estados Unidos que foram reticentes e o alertaram para a possibilidade de um contra ataque soviético e uma desestabilização interna em Espanha. O ditador continuou a fazer diligências junto do governo americano durante meses, mas a Divina Providência encarregou-se de lhe enviar o mensageiro da Morte e Espanha iniciaria o caminho para a democracia.



Viver-se-iam posteriormente os meses do PREC, mas foi naquele dia 11 de Março de 1975 que se começou a congeminar e preparar o 25 de Novembro. Depois, os cravos começaram a murchar e poucos são os que ainda hoje os guardam viçosos, como símbolo do dia em que acreditámos que tínhamos recuperado a Liberdade.
Puro engano. Os que hoje nos governam têm a mesma perversidade mental do Estado Novo: o esforço de quem trabalha só é meritório se contribuir para tornar os ricos mais ricos.
Em três anos, Portugal regrediu 30 em todos os parâmetros sócio - económicos. Insuficiente para quem nos governa. Na impossibilidade de recuperar as colónias onde muitos dos nossos actuais governantes vicejaram,  eles só estarão satisfeitos quando Portugal regressar aos parâmetros do Estado Novo. Esse é o seu único objectivo.

A Europa connosco

Exibição categórica e vitória indiscutível frente ao Basileia de Paulo Sousa (4-0) coloca o FC do Porto entre as oito melhores equipas europeias desta época.
Perdido o campeonato, é um bom prémio de consolação para uma equipa que se está a afirmar. Se na próxima época não houver grandes mexidas, talvez haja boas surpresas.