terça-feira, 10 de março de 2015

Yo no creo en brujas, pero...

Foi hoje sorteado o juiz que vai julgar  o pedido de Habeas Corpus interposto pelos advogados de José Sócrates.
O feliz contemplado é o juiz Santos Cabral que, por mera coincidência, foi afastado da PJ por divergência com Alberto  Costa, ministro da Justiça do governo Sócrates.
Não será caso para dizer que Sócrates tem azar ao jogo, mas que o prémio saiu à casa, não há dúvidas.
É que, por muito que me tentem convencer do contrário, eu não acredito na isenção da justiça quando estão em causa questões pessoais entre julgador e julgado. 
E acredito mesmo que  esta noite, ao jantar, o procurador Rosário Teixeira tenha aberto uma garrafa de vinho especial.

O "pintelho" de Boliqueime

Anda toda a gente muito entretida a discutir  o prefácio dos Roteiros, em que Cavaco Silva mostra a sua faceta de alfaiate (não do Panamá, mas de Boliqueime). 
Por uma vez, sem exemplo,  vou recorrer a Eduardo Catroga para exprimir o meu desacordo com o alvoroço gerado em torno do perfil presidencial  traçado por Cavaco. Discutir qualquer coisa escrita ou dita pelo inquilino de Belém não interessa absolutamente nada. Isso são “pintelhos”. 
O descrédito de  Cavaco no país é tal, que a importância das suas palavras é equiparável ao discurso desconchavado de um idoso em fase demencial, perante a fotografia  uma  boazona nas páginas da Playboy. O idoso dirá aberta e convictamente “comia-te toda”, mas toda a gente sabe que o homem  já nem  com Viagra lá vai, por isso espantar-se-á ao ouvir as gargalhadas de escárnio e/ou complacência dos que o rodeiam.
Devo reconhecer que o assessor que lhe debitou o discurso foi hábil. Era preciso criar uma boa polémica, para que o país se distraísse e esquecesse as dívidas contributivas  de Passos Coelho, a política assassina deste governo e o estado comatoso em que se encontra o país, a caminho de um novo resgate  que, na opinião de alguns economistas, poderá chegar mais cedo do que se espera.
Não nos deixemos enganar. Centremo-nos na discussão do que é importante para o futuro do país e deixemos Cavaco entregue aos seus delírios. Sem nos rirmos, mas com a complacência que devemos ter por quem já não enxerga as suas limitações.

Com o rabinho a dar a dar..




Ontem o Eurogrupo advertiu Portugal  ( pela terceira vez este ano) que as metas do défice para 2015 não deverão ser atingidas, o que coloca em risco o cumprimento do Pacto de Estabilidade e obriga o governo a aplicar mais medidas de austeridade.
Maria Luis Albuquerque começou por garantir  que Portugal cumprirá a meta dos 3%, mas logo de seguida ajoelhou, deu ao rabinho e prometeu que se forem necessárias mais medidas o governo não hesitará em aplicá-las.
Preparemo-nos para uma reedição da campanha eleitoral de 2011. O PSD a prometer que não haverá mais austeridade mas, se ganhar as eleições,  sentir-se-á legitimado  para  pegar nas algemas e impor mais cortes salariais, reduções nas pensões  e mais sacrifícios aos portugueses.
Os 35% de portugueses que estão dispostos a dar mais uma oportunidade a este governo deveriam pensar nisso antes de passarem novo cheque em branco aos partidos que destruíram a classe média e venderam o país.
Quanto aos 38%  que vêem no PS uma alternativa, é chegada a altura de perguntarem a António Costa o que pensa ele fazer se for chamado a dirigir um país escavacado pela política cega de austeridade que nos foi imposta  pela troika  e servilmente acatada  pelo governo. 
A vitória do Syriza e o fim do Bloco Central em Espanha, que obrigará a uma mudança substancial na política de austeridade, seria uma boa oportunidade para os portugueses reflectirem um bocadinho sobre o que pretendem para o futuro, mas temo que isso já não os preocupe muito.  Uma boa parte continua a pensar “que se lixem as eleições, eu hei-de desenrascar-me"

Boas e más notícias

Começo pela boa. Faltam 366 dias ( para nosso azar, 2016 é bissexto) para nos vermos livres do emplastro de Belém.
Agora a má. Cavaco Silva não vai resistir à tentação de intervir na campanha eleitoral , para ajudar o PSD. 
Aliás, essa intervenção já é visível nos mais recentes episódios da vida política nacional.
Quando Cavaco sai em defesa de Passos, sempre que ele mete o pé na argola e o PSD sai em defesa de Cavaco sempre que ele abre a boca para dizer disparates, percebe-se que a coligação PR/PSD é uma realidade.