quinta-feira, 5 de março de 2015

Toda a desobediência será premiada?

Fazendo fé nas notícias que têm vindo a público sobre a auditoria forense, Ricardo Salgado desobedeceu 21 vezes ao supervisor, entre dezembro de 2013 e Junho de 2014. Espantoso como  um tipo pode estar tão confiante na impunidade e no mau funcionamento do regulador,  para se borrifar nas ordens  que o BP lhe dava? Será… mas mais espantoso ainda é que Carlos Costa tenha assistido impassível a esse desrespeito.  Comportou-se como aqueles progenitores que avisam  a criancinha dezenas de vezes para estar sossegada e não fazer tanto barulho, mas ao constatarem que ela não obedece desistem  e só lhe tiram o brinquedo quando já está estragado.
Esse tipo  de comportamento é prejudicial para as crianças, mas é muito mais grave quando adoptado por instituições que têm a obrigação de defender os interesses da comunidade, garantindo que as entidades que supervisionam estão a cumprir as regras do jogo.
Se Carlos Costa tivesse agido, como lhe competia,  não haveria neste momento muitas centenas de pessoas arruinadas, porque confiaram todas as suas poupanças a um Banco que o regulador sabia ser incumpridor e pouco fiável.  O governador do Banco de Portugal também  tem de ser responsabilizado por  esse desleixo.

A descoberta da pólvora

Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu,  descobriu a pólvora:  a Europa está a obrigar os cidadãos europeus a  suportar sacrifícios para salvar os bancos. 
A esquerda anda a dizer isso há pelo menos cinco anos e Schulz está no cargo há quase dois. Foi preciso o Syriza ganhar as eleições na Grécia para que a língua se soltasse ao presidente do PE ( e já agora, também a Juncker) ?
Se assim foi, não se pode dizer que a vitória do Syriza não tenha servido para nada, como os poderes instalados querem fazer crer. 
Agora é preciso é que a Comissão e o PE ajam em conformidade com as palavras de comiseração pelos cidadãos de Juncker e Schulz. 

Seja feita a sua vontade

Passos Coelho pediu que se discutisse política e se acabasse com ataques pessoais.  Ora então vamos a isso. Comecemos pela política ambiental deste governo. 
Venderam-nos a Fiscalidade Verde como exemplo da genuína preocupação com o ambiente mas, por agora, só sabemos três  coisas:

1) A Fiscalidade Verde permitiu ao governo arrecadar mais receitas fiscais, sem quaisquer contrapartidas para os cidadãos cumpridores, princípio que subjaz a qualquer  fiscalidade ambiental. 

2) É verdade que as pessoas reduziram ou eliminaram os sacos de plástico um dos objectivos do governo, o que também demonstra que os portugueses só "ganham consciência ambiental" quando lhes vão ao bolso. Mas como a legislação sobre os sacos de plástico foi feita com os pés, quem está a lucrar são as empresas de distribuição. Colocaram  à venda  sacos de plástico mais poluentes e ficam com as receitas da venda, sem qualquer benefício para o Estado, ou para o ambiente.  Confrontado com este facto, o ministro Moreira da Silva lamentou e  encolheu os ombros.

3) Os automóveis são taxados  de acordo com as emissões de CO2. Quanto mais poluem, mais pagam. O princípio é correcto, só que há sempre um MAS em cada medida ambiental. Com efeito, nos últimos três anos, foram importados 984 autocarros . Na sua esmagadora maioria  são bastante antigos,  altamente poluentes e não respeitam as regras de segurança ambiental. As empresas transportadoras estão isentas das regras aplicáveis ao sector automóvel, senhor ministro?  

Desculpem, se me enganei!

 Paulo Pereira Cristóvão (PPC) , ex-  dirigente do Sporting  e ex- agente da PJ,  foi detido por  pertencer a uma rede que assaltava casas.
E eu a pensar que o único PPC que assaltava casas, para roubar parte do salário dos residentes, era Pedro Passos Coelho!