terça-feira, 3 de março de 2015

SMS para o ministro Crato

Já que Vocelência anda tão preocupado com os exames de avaliação dos professores, para saber se eles têm capacidade para ensinar, venho humildemente sugerir-lhe que proponha um exame aos candidatos a primeiro ministro, para que todos possamos saber se eles conhecem as leis que regem o pais. 
Muito agradecido

Um Ano Muito Nojento

Em 1981, considerado o ano mais violento da história de Nova Iorque, um imigrante luta contra as máfias industriais e políticas para manter o seu negócio de combustíveis, num ambiente sujo e marcado pela violência, transversal a todos os sectores da sociedade nova iorquina.  De forma muito resumida, é este o guião do filme “Um Ano Muito Violento” ,  por estes dias em exibição nas salas de cinema.
Em 2015, em Portugal, estamos a viver  um ano eleitoral que ameaça descambar numa luta de interesses pessoais, onde o que menos parece interessar é o futuro do país.
As jornadas parlamentares do PSD, que terminaram ao início da tarde, foram a confirmação de que este poderá ser o ano mais nojento da  história lusa, desde o 25 de Abril.
Tudo começou com as intervenções de Marco António Costa e Luís Montenegro, que utilizaram as declarações de António Costa numa reunião com chineses, como arma  de arremesso.
Mas o pior estava guardado para o final, quando foi chamado ao palco Pedro Passos Coelho. Recorrendo ao estafado argumento de que é uma pessoa séria, acima de qualquer suspeita, depressa passou de culpado a vítima. Só que introduziu uma nuance: como qualquer ser humano, às vezes tem lapsos de memória ( Sorte dele, azar do país, os seus lapsos estão sempre relacionados com falhas nos seus deveres contributivos para a sociedade).
Depois passou ao ataque.   Usando a estratégia dos cobardes,  incapaz de “chamar os bois pelos nomes”, fez um ataque a José Sócrates e ao  PS e garantiu que nunca utilizou, nem utilizará, o poder para enriquecer. As promessas de Passos Coelho são ainda menos valiosas do que as poias das vacas açorianas que encantaram Cavaco. O pm que nos caiu em (des) graça também já tinha prometido não cortar salários, nem pensões, nem mexer no subsídio de férias dos portugueses e, chegado ao governo, esqueceu-se do que prometera. Também já tinha jurado ser um homem que pertence a uma raça que paga o que deve mas, depois do caso Tecnoforma e da fuga ao pagamento das contribuições à Segurança Social, ficamos todos esclarecidos.
Passos Coelho recorreu, uma vez mais, ao argumento em que se especializou- a vitimização- para tentar demonstrar que está a ser vítima de uma cabala e de atroz perseguição política.
Mas o PM dos tugas não consegue fazer um discurso sem dizer uma mentira. Por isso, afirmou que não tem nenhuma dívida ao fisco. Não sei se é verdade, mas é mentira que não tenha dívidas à Segurança  Social.  Como já aqui tinha escrito no sábado e o Público hoje confirmou, Passos Coelho não pagou a totalidade da dívida, mas apenas a correspondente  ao período entre 2002 e 2004. 
A única coisa positiva da sua intervenção é ter resistido a invocar a dívida autárquica  de António Costa. E não o fez por duas razões: sabe que  essa notícia foi desmentida logo que a notícia veio a público  e já tinha mandado uma das gordas do regime publicitar a notícia falsa, para intoxicar a opinião pública.
Quanto ao resto, Passos foi igual a si próprio e mostrou-nos que, além de todos estes pecadilhos, também é  um cobarde.
Avizinha-se um ano muito nojento onde, em vez de se discutir política e uma alternativa para o país, se vai recorrer ao ataque pessoal, à injúria e à difamação. Nessa matéria a dupla Passos/ Portas é imbatível, como os tempos de “O Independente” bem demonstraram. Preparemo-nos, então, para o pior.

Não me interpretem mal...

Pinto Monteiro almoçou com Sócrates dias antes de o ex-pm ter sido preso e toda a comunicação social  alvitrou que estiveram a falar do caso em que Sócrates estava a ser investigado. Quando Pinto Monteiro garantiu que apenas se tinham encontrado por causa do livro de Sócrates,a  galhofa foi geral.
Dias depois de Ricardo Salgado ter sido ouvido e obrigado a pagar uma caução para se manter em liberdade, o juiz Carlos Alexandre almoçou com um jornalista e alguém fez uma denúncia anónima, dizendo que o juiz tinha passado ao jornalista algumas revelações sobre Ricardo Salgado e o caso BES.   A comunicação social só noticiou o assunto seis meses depois, quando o caso foi arquivado, porque o juiz jurou em tribunal que só tinha estado a falar de acupunctura.
Pessoalmente acredito em  Carlos Alexandre e em Pinto Monteiro. A comunicação social é que parece ser mais selectiva. Quer na escolha do “timing” das notícias, quer nos juízos de valor que as acompanham.

Organizem-se, porra!

Este governo tem uma especial apetência e habilidade para a mentira, mas não sabe trabalhar em equipa. Veja-se o que aconteceu em relação à Grécia. O governo fez queixinhas à CE e pediu o apoio da Espanha. Quando foi descoberto o governo negou, mas Espanha veio confirmar que tinha assinado a carta, embora a iniciativa tenha sido de Portugal.
A CE também confirmou ter recebido aquilo que Passos nega ter sido enviado. 
O nosso governo é bom a mentir, mas só quando age sozinho. Em equipa, é uma desgraça completa.