quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Em maus lençóis



A entrevista da PGR ao "Publico" e RR não lhe correu nada bem. Ela bem tentou ilibar o MP, mas ninguém a levou a sério e Joana Vidal está em maus lençóis.
Ontem à noite, na RTP, Freitas do Amaral acusava o MP de ser responsável pelas fugas de informação no caso Sócrates e considerava a prisão de Sócrates ilegal.
Hoje, a bastonária da ordem dos Advogados anunciou que vai entregar ao Ministério Público  cinco mil cópias de notícias onde o segredo de justiça pode ter sido violado por magistrados ou polícia.
Elina Fraga  fez ainda um desafio a Joana Marques Vidal: mostre provas  que confirmem a afirmação feita na entrevista, de que  são os advogados que violam o segredo de justiça.
Até agora, a PGR remeteu-se ao silêncio. De onde aliás só saiu para dar a entrevista em que pretendeu ilibar o MP e acusar os advogados, ao jeito de quem atira poeira para os olhos da opinião pública.

O chibo, o imprevidente e o envergonhado


As declarações de António Costa durante uma reunião com empresários chineses e a celeuma  que se seguiu,  não mereceriam senão uma nota de rodapé, se não reflectissem o estado lamentável a que chegou a discussão política em Portugal. Só por essa razão decidi escrever sobre o assunto. Vamos por partes:

 As declarações de António Costa

Ao contrário do que a comunicação social noticiou, António Costa não disse que Portugal estava melhor. Disse que estava diferente, o que é uma verdade. Talvez alguns esperassem que o secretário geral do PS  tivesse aproveitado a oportunidade para denegrir Portugal e o governo perante os empresários chineses. Tivesse ele chamado a atenção dos chineses para os números do desemprego, para o aumento da dívida pública, ou para os riscos de investir em Portugal e os mesmos que agora o atacam por ter, com sentido de estado, defendido os interesses de Portugal, estariam a exibi-lo em praça pública como um traidor, que anda a denegrir o nome do país. 
António Costa não pertence a esse filme. Os traidores estão no governo, não na oposição. 
Deverá então Costa ser ilibado do que se passou no casino da Póvoa? Não. Porque foi imprevidente. Não nas palavras usadas, mas em não ter previsto que entre os presentes poderia haver gente interessada em utilizar as suas palavras que. António Costa tem experiência suficiente para saber que nestas ocasiões há sempre um chibo que só lá vai para tentar tirar proveito de algumas declarações, e jornalistas para deturpar o que foi dito, pois o que passa para a opinião pública não são os factos (o que Costa disse) mas a interpretação feita pelos mensageiros e ampliada à exaustão.  

O Chibo e o Betinho de Joane

Na sala estava um chibo. Muito provavelmente um militante do CDS que, desejoso de mostrar serviço ao partido para se promover, viu nas declarações de António Costa uma oportunidade de ouro. No final da sessão guardou as filmagens como se de um tesouro se tratasse e foi mostrá-las a um influente membro de uma concelhia ou distrital, que também terá visto naquilo um tesouro de que poderia aproveitar-se para “subir a pulso” na hierarquia partidária.
Admito que as imagens tenham chegado a Paulo Portas. Só que o líder do PP é  um político hábil e cauteloso.  Sabia que não podia ser ele a utilizar aquela informação, pois  teria um efeito boomerang.  Por isso recorreu a um capanga, para que a veiculasse. Ponderadas as várias hipóteses, decidiu que o melhor seria recorrer aos serviços do betinho de Joane.  ( É essa a explicação para que o vídeo tenha sido divulgado apenas seis dias depois da ocorrência dos factos ). Apesar de ter nascido em berço de ouro, Nuno Melo esqueceu a educação que recebeu e tornou-se um escroque da política.  Desde que percebeu que o seu lugar de delfim de Portas não lhe assegura a presidência do CDS, porque outros nomes como Cristas ou Mota Soares, aproveitando os cargos ministeriais, entraram na corrida,  Nuno Melo está disposto a tudo. Por isso engoliu o isco lançado por Portas e aproveitou o vídeo do chibo para mostrar serviço.  Dentro e fora do partido. Creio que de pouco lhe valerá.

O envergonhado

Devo confessar que também eu me irritei quando soube que Costa tinha dito que o país estava melhor do que há quatro anos. Só que depois vi o vídeo e constatei que afinal ele não tinha dito o que a imprensa escrevia. E concordei com ele. O país está realmente diferente. Isso não quer dizer que esteja melhor.  Que o país está diferente, já todos sabemos. Mais pobre, mais endividado, mais desigual, mais injusto e com uma taxa de desemprego mais elevada. Apenas numa coisa permanece igual:na ausência de esperança no futuro.
É por isso que, embora percebendo a reacção epidérmica de Alfredo Barroso, não compreendo a sua desfiliação do PS.  Será provavelmente cansaço e desesperança. Agora vergonha? Não. Vergonha tenho de ser português sob jugo alemão e ver, todos os dias, uma trupe de cobardes e traidores prestarem vassalagem ao invasor, enquanto maltratam o povo.
Era contra isso que eu gostaria de ter ouvido Barroso reagir. Mas isso é  ingenuidade minha. Uma pessoa que anuncia a desvinculação do PS, de que foi um dos fundadores, e declara o seu apoio ao BE, já não está na plenitude das suas capacidades políticas. E isso, confesso, surpreende-me, porque ainda há poucos dias concordava com ele quando se insurgia contra o possível apoio do PS a António Vitorino, como candidato a PR.  Como também estaria ao seu lado nas críticas, se o PS, vier a apoiar Maria de Belém. Ou na luta para obrigar o PS a aliar-se à esquerda, se  ganhar as eleições.
Agora, meu caro Alfredo Barroso, se conseguiu permanecer no PS sob a liderança de Seguro, confesso que não entendo a razão de se demitir por causa de uma armadilha que um betinho de Joane, com o apoio de um chibo e da comunicação social, montou ao seu partido.  Sinceramente, nunca me passou pela cabeça que, com a sua experiência política, tivesse caído na ratoeira.  E, acredite, digo-o com a independência de quem,  sendo simpatizante intermitente do PS, não é militante nem está vinculado à defesa da linha programática do partido.
Só há uma coisa que eu gostaria que me explicasse: a sua vergonha deve-se ao facto de a declaração de António Costa ter sido proferida perante uma plateia de chineses? 
E se os assistentes fossem ingleses ou americanos já tolerava? 
Faço-lhe a pergunta, porque foi isso que percebi das suas declarações acintosas contra os chineses. Sinceramente, não gostei. 

Os Vampiros


Com a devida vénia ao We Have Kaos in the Garden

Não sei se o plano apresentado pelo Syriza e aprovado pelo Eurogrupo vai resultar. Não arrisco, por isso, vaticinar quem daqui a quatro meses vai cantar vitória, embora o meu palpite vá para um empate.
Sei é que ficou demonstrado que há alternativas para a política de ódio ao povo implantada pelo nosso governo e sempre apresentada como única alternativa.
Sei que o Syiza se recusou a penalizar os pensionistas e os trabalhadores gregos (nomeadamente os funcionários públicos) cortando-lhes os rendimentos, enquanto o nosso governo fez dos funcionários públicos e pensionistas as vítimas preferenciais da sua orgia austeritária.
Estes dois pontos fazem toda a diferença e são  suficientes para distinguir Portugal da Grécia, como o nosso governo de fanáticos gosta de afirmar. Para felicidade do povo grego, o governo do Syriza não  se  sujeita à submissão dos cobardes, não é servil como os incapazes, nem se coloca ao lado dos bancos e do grande capital para atacar quem trabalha.
Mas sei, também, que no dia seguinte ao acordo a bolsa de Atenas disparou dois dígitos e os juros baixaram para um dígito, o que demonstra que  o papão dos mercados que o governo e Cavaco nos andaram a exibir, não é mais do que o retrato de um grupo de vampiros que se apascentam em S. Bento e Belém, sugando o povo.
O governo grego teve de ceder? Obviamente que sim, mas fê-lo com dignidade e em defesa do seu povo, não para promoção pessoal de alguns dos seus membros, nem para agradar aos alemães, aos mercados e aos senhores do dinheiro, porque Tsipras e Varoufakis não precisam deles para arranjar emprego quando deixarem de ser governo.

Na mouche