segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Professor Bambo? Não! Professor Bimbo



Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu, sem o admitir, que também foi “tocado” pelo espírito carnavalesco e sentiu a falta da tolerância de ponto. Na terça –feira de manhã  ficou a  gazetear trabalhar em casa e à tarde foi dar aulas  mas, talvez por se tratar de um dia especial, em vez de vir para Lisboa, pela A5, veio pela Marginal.  
E o que viu  o professor Marcelo nessa sua viagem à beira mar?  Praias a abarrotar de gente. Só que não era uma gente qualquer. Eram funcionários públicos que habilmente prolongaram a hora do almoço para se baldarem ao trabalho ( Malandros!)  e mitigar assim um pouco a perda da tolerância de ponto- asseverava ontem o professor na sua homilia dominical.
Ao idenfiticar as  centenas de pessoas nas praias da Linha, como  funcionários públicos, Marcelo quis dar uma de Professor Bambo, entrando na arte da adivinhação, mas comportou-se como professor Bimbo. 
Aquelas pessoas que estavam nos areais de Carcavelos não poderiam ser desempregados? funcionárioas autárquicos de empresas privadas e autarquias que não trabalharam?  Não! Marcelo garante que eram funcionários públicos. Identificou-os com a mesma perspicácia com que, servindo de guarda costas a Pedro Soares Martinez, na Faculdade de Direito, olhava para os colegas grevistas, enquanto o mestre(?) vociferava:
 “ Vocês vão arrepender-se! Eu fixo-vos a todos!” 
Marcelo  começa  a tornar-se ridículo. Para defender o governo das asneiras que semanalmente comete, diz repetidamente que o problema é a falta de estratégia de comunicação. Para o professor Bimbo, perdão, Marcelo, o problema do governo não é cometer erros, é não saber comunicar de forma correcta, de modo a  transformar os erros em medidas  fantásticas, junto da opinião pública.
Quem aprendeu a cartilha do Estado Novo, nunca esquece. Marcelo é a prova disso. No entanto, se mantém o desejo de ser candidato a Belém, também ele deve mudar rapidamente a estratégia comunicacional durante as homilias dominicais.  Começa a ser penoso ouvi-lo e, não tarda nada, ainda antes de se candidatar a Belém, já haverá muita gente a reclamar o que suplica em relação a Cavaco: alguém o ajude a terminar, com dignidade, a função de comentador.

Colegas são as putas, senhora ministra!





Judite de Sousa: A senhora ministra sente-se uma boa aluna do ministro das finanças alemão?
Maria Luís Albuquerque: Não sou boa aluna, sou colega do ministro Schaueble e dos outros ministros das finanças.

Ó senhora ministra! Quando cumpri o serviço militar aprendi, ainda durante a recruta,que nunca devíamos chamar colegas aos nossos camaradas de armas porque colegas são as putas.
Por ter descurado o aviso, apanhei um castigo e fiquei um fim de semana dentro do quartel.
Estando Vocelência ao serviço do exército alemão já devia ter aprendido a terminologia adequada e não chamar colegas aos seus camaradas de armas que lutam pela manutenção da paz austeridade na Europa. Além disso, sendo Vocelência perita na arte de abanar o rabo perante Schaueble, a resposta dada a Judite de Sousa, na TVI, é ainda mais comprometedora.
Vá lá, senhora ministra. Se não quer chamar camarada ao Schaueble, chame-lhe pelo menos guru, guia espiritual, ou o que quiser. Tudo menos colega, para que não seja mal interpretada.

Façam as vossas apostas

Está prestes a começar a cerimónia dos Óscares. Ou melhor: o longo desfile de vedetas na passadeira vermelha, porque a divulgação dos vencedores começará muito mais tarde e só deve terminar cerca das 6 da manhã.
Nos últimos dois anos não tive oportunidade de ver a maioria dos filmes, antes da decisão dos juris, mas este ano vi todos os nomeados que já estrearam em Portugal  e volto escolher os meus favoritos nas principais categorias.

Melhor filme. Boyhood e Birdman
Melhor realizador : Alejandro Iñarritu ( Birdman) e Richard Linklater (Boyhood)
Melhor actor principal: Embora todos apostem em Eddie Redmayne ( A Teoria de Tudo), eu uso aqui a minha zebra e elejo Cumberbatch ( O Jogo da Imitação). 
Melhor actriz principal: Julianne Moore ( O Meu Nome é Alice)
Melhor actor secundário: Edward Norton (Birdman)
Melhor Actriz Secundária: Patrícia Arquette ( Boyhood)
Melhor  Argumento original: Wes Anderson ( Grande Budapest Hotel)
Melhor Argumento adaptado: Graham Moore ( O Jogo da Imitação)


Há nas minhas  escolhas alguma coisa de errado? Há. Onde encaixar American Sniper, um filme que a Academia não deixará de distinguir? Uma ou outra estatueta técnica ser-lhe-á atribuída. Pessoalmente, preferia que saísse de mãos a abanar, como o grande derrotado da noite. 
Sorry, Clint, mas quem te mandou fazer um filme de pechisbeque, para impressionar americano?