quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ora vamos lá a outro "supônhamos"

Agora que os deputados aprovaram por unanimidade novas medidas anti corrupção, pus-me a divagar e fazer um exercício:
Vamos supor que  há corrupção na justiça portuguesa 
Num país minado pela corrupção, onde a maioria dos casos prescreve e os arguidos continuam a sua vida alegremente, não se pode colocar de lado a existência de corrupção na justiça.
Se já sabemos que a justiça em Portugal é lerda, iníqua e complexa, o que impede de colocar a hipótese de também ser corrupta?
Mas, se houver corrupção, quem é que vai investigar juizes e procuradores corruptos? E quem os vai condenar? 
Corrupção na justiça portuguesa? O tema daria um bom filme. Ou uma sequela da série televisiva "La Piovra".

Sobre o estado do socialismo na Europa

Olhamos para os partidos socialistas europeus que no início deste século tinham alguma relevância  e o que vemos?
- Na Grécia o PASOK desapareceu;
- Em Espanha, as sondagens reservam ao PSOE um pouco honroso 3º ou 4º lugar nas legislativas do Outono;
- Em Itália ainda não se percebeu o que quer Renzi, que se proclama do socialismo democrático, seja lá o que isso for. Depois de uns arrufos com Merkel, no início do mandato, meteu a vioal no saco e remeteu-se ao silêncio;
- O Eurogrupo é presidido por um socialista holandês que se comporta como um canalha. Depois de ter acordado com Varoufakis a assinatura de um documento que em parte satisfazia as pretensões gregas, cedeu às pressões da Alemanha e retirou-o momentos antes do início da reunião do Eurogrupo de segunda feira ;
- Em França, o PSF é uma corja que se presta a estas cenas pouco edificantes
Com amigos destes na Europa, que futuro espera o PS português? Será que a máxima de António Costa " se pensarmos como a direita pensa acabaremos a governar como a direita governou" é para levar a sério e Costa cumprirá a promessa de romper com a política da direita? Os exemplos acima citados deixam-me com poouca esperança, mas a verdade é que a esperança é a última a morrer

Zé das Medalhas



Cavaco Silva anda numa onda de medalhar tudo quanto lhe aparece à frente, antes de se retirar para o Poço de onde - para bem do país- nunca devia ter saído.
Talvez receoso que os seus velhos amigos a contas com a justiça se esqueçam dele, assim que abandone Belém, ou porque cada medalha que sai, é receita que entra ( pensavam que as medalhinhas eram à borla, é?) Cavaco está a esgotar o stock medalhístico. 
Creio, por isso, ser justo atribuir também um título ao senhor. Zé das Medalhas parece-me apropriado. 
Gostaria no entanto de avisar os meus leitores que, no caso de algum ser chamado pelo ordenança ao serviço do medalheiro, para receber uma coleira, pense duas vezes antes de aceitar.
Contava-me o meu avô materno que nos finais da monarquia o regime desatou a condecorar toda a gente por dá cá aquela palha. Alguns republicanos terão então lançado este delicioso dixote:
“Foge, cão, que ainda te fazem barão!
Mas fujo para onde, se lá me fazem visconde?”

A insustentável leveza da pantomina

Portas andou quatro anos a anunciar a reforma de Estado. Chegou a garantir que estava feita e seria posta em prática em 2014.
Agora, tem a distinta lata, falta de vergonha e desfaçatez de anunciar que espera pelo próximo mandato para avançar com a reforma do Estado.