quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

É tudo muito relativo...

Se ele fosse trolha era um tarado e se ela  fosse  empregada doméstica, era uma puta. 
Mas se ela tiver 12 mil dólares para pagar a um prostituto, é divertimento de luxo. Ou experiência radical.

O Carnaval já acabou, senhora ministra

Para mascarar um relatório da ONU que conclui que a justiça em Portugal é lenta, cara iníqua e pouco clara, Paula Teixeira da Cruz mandou fazer um estudo ( leia-se: contratou uns amigos que serão  pagos pelo contribuinte para dizerem o que ela quer ouvir) que conclui exactamente o contrário:a a justiça é rápida e acessível a todos.
Eu compreendo que a ministra ande com necessidade de massajar o ego, mas pedir aos contribuintes portugueses  que paguem massagens à ministra, parece-me abusivo. Até porque a realidade é muito mais esclarecedora do que quaisquer estudos que a senhora ministra encomende aos seus amigos.

A senhora Procuradora também acha que pimenta no cú dos outros é refresco?




Só na segunda-feira à noite tive conhecimento do artigo que a advogada de Carlos Santos Silva escreveu no Boletim da Ordem dos Advogados. Um artigo demolidor que expõe os podres da justiça, as ilegalidades, a prepotência de juízes e procuradores que agem fora da lei mas, acima de tudo, me assusta e  amedronta.   
Tratando-se de um assunto de grande importância, susceptível de gerar acesa polémica, estranho que Marcelo Rebelo de Sousa não o tenha abordado e  fico estupefacto com o silêncio quer na comunicação social, quer nas redes sociais, sobre um tema que devia indignar e arrepiar os cabelos a qualquer cidadão minimamente consciente.
Outro caso cujo silêncio é ensurdecedor é o de Mário Machado. O líder da extrema direita tuga admitiu ao Pasquim da Manhã e respectivo canal televisivo que, na companhia de dois amigos, assaltou a casa de um tio de Sócrates, a pedido de um membro do governo actual. O objectivo seria sacar uns documentos para entregar à Procuradoria.
Este caso parece-me tão inverosímil, que  me recuso a dar-lhe crédito.  Prefiro considerá-lo como uma bravata de Mário Machado. Surpreende-me, porém, que também sobre ele se tenha abatido o silêncio e que os visados não tenham reagido, nem que fosse para dizerem que era uma estupidez sem pés nem cabeça.
Eis senão quando (tam,tarantan) me lembro que na véspera destes casos serem tornados públicos a senhora Procuradora Geral da República solicitou aos magistrados e demais agentes da justiça, para não reagirem a notícias que venham nos jornais sobre casos em segredo de justiça.
Das duas uma. Ou Joana Marques Vidal anda a ler Margarida Rebelo Pinto, ou foi informada previamente sobre o artigo de Paula Lourenço  e a entrevista de Manuel Machado, tendo imediatamente rompido o habitual silêncio para pedir que ninguém levantasse ondas. Toda a gente acatou as suas ordens. Incluindo a comunicação social. E Marcelo Rebelo de Sousa, futuro candidato a Belém. 
É óbvio que há uma conjugação de esforços para tentar fazer esquecer o caso Sócrates.  Silenciar as notícias que possam  colocar em causa a legalidade da detenção e levantem fortes suspeitas sobre a actuação do juiz e do procurador, permitirá a ambos continuarem a cometer ilegalidades.
Percebe-se a quem interessa e a quem aproveita esse esquecimento. Não se percebe é que as pessoas fiquem indiferentes a métodos que fazem lembrar a antiga PIDE ou as prisões arbitrárias do COPCON que tanto enxofraram a escumalha dos partidos que  estão hoje no poder.
Quando a loira da passa vier dizer que teme pela separação de poderes, se o PS um dia for governo, eu mostro-lhe a entrevista de Manuel Machado e peço-lhe a opinião.

Afinal há dinheiro!