sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os limites à liberdade de expressão

Todos aplaudem a liberdade de expressão, mas os aplausos cessam quando os interesses de alguns são beliscados.
Veja-se, por exemplo, o que se passou em Portugal no tempo de Sócrates quando duas dezenas de idiotas foram para a porta da AR protestar contra a falta de liberdade de expressão e em defesa de Mário Crespo e MMG.
Meses depois, alguns deles estavam no governo, outros em empresas e institutos públicos e uns quantos em gabinetes ministeriais .(Muitos deles, como se recordam eram jornalistas).
Entretanto Mário Crespo foi corrido da SIC e nem uma voz se levantou em sua defesa.
Depois da chacina no Charlie Hebdo, das manifestações em defesa da liberdade de expressão e da moda Je suis Charlie, temos assistido à mais vergonhosa onda de auto censura de que me recordo na Europa.
Finalmente, hoje,  ficamos a saber que os patrões e accionistas do "Le Monde" acusam os jornalistas que divulgaram o caso Swissleaks de delatores, por terem divulgado o resultado de uma investigação.
A compra dos meios de comunicação social por poderosos grupos económicos e a governamentalização de canais públicos de televisão está a transformar aliberdade de expressão num mito. Cada vez haverá mais jornalistas a fazer auto censura, com medo de represálias. Outros estão a optar pela política. 
Em breve, os jornalistas serão funcionários públicos ou empregados de empresas que se limitarão a cumprir ordens dos patrões.
O jornalismo precisa urgentemente de uma revolução que lhe devolva a dignidade e...a liberdade de expressão.

Ingenuidade, ou cobardia?

A nomeação de 14 chefias para a Segurança Social, saídas dos quadros partidários de PSD e CDS tem feito correr muita tinta. Não só pôs a nu a hipocrisia da transparência propalada por PPC, como veio confirmar que Pedro Mota Soares é um dos maiores canalhas deste governo, que se anda a fazer passar por sonso.
Não me vou deter nas justificações dadas por Pedro Mota Soares. Já aqui tinha escrito que há concursos onde só falta dizer  que os concorrentes devem ter os olhos de determinada cor. Estão viciados à partida, porque nem sequer respeitam as regras que o próprio Estado criou para tornar os critérios de selecção mais transparentes.  Regras que são aplicadas na nomeação dos directores gerais e que estes depois repercutem nos serviços que dirigem:  Nomeiam em regime de substituição “o seu” candidato e, na altura de abrir concurso, este parte logo com a vantagem de ter experiência no cargo.  Esta é uma perversão arreigada há muitos anos na função pública, a que o PS também recorreu em tempos. A diferença é que este governo sempre jurou que iria acabar com este regabofe e conferir dignidade aos concursos públicos. Não só não o fez, como tem incentivado a prática.
Não sei qual o peso dos curricula dos candidatos nos concursos, mas sei que em muitos casos são uma fraude e ainda há dias li no Diário da República  a nomeação de um funcionário, cujo nome era precedido do habitual Dr. Ao ler o curriculum constatei, porém, que o fulano tinha como habilitações literárias o 11º ano!
Em Dezembro de 2013, o Tribunal de Contas já tinha denunciado o falhanço do PREMAC e acusado o governo de falta de transparência. Só que ficou tudo na mesma, com a única diferença de agora ser avalizada por João Bilhim, presidente da CRESAP ( Comissão de Selecção e Recrutamento da Administração Pública).
Mais do que as justificações  para as nomeações dos directores gerais da SS, apresentadas  por um ministro com  notória falta de seriedade e estofo moral, como Pedro Mota Soares, impressionaram-me as declarações de João Bilhim, que tinha como homem sério.
Embora reconheça  que o governo usou e abusou da figura do regime de substituição, para nomear quem lhe apeteceu, Bilhim vem tentar atirar poeira para os olhos dos portugueses, dizendo que os boys de hoje não são como os de antigamente.  Só se for por pertencerem a outros partidos, porque o método é o mesmo. A única diferença é que este governo usa como respaldo uma comissão que se limita a pôr o carimbo e dar mais credibilidade à trafulhice.
As declarações de João Bilhim são simplesmente lamentáveis. Não sei é se são fruto de ingenuidade, ou de cobardia. É que se ele levantar muitas ondas, o governo arranja de imediato um lambe botas para o substituir.

Achtung, Herr Kaninchen*


Quando as televisões públicas são realmente independentes, divulgam a verdade  aos cidadãos.
Foi o que fez a televisão pública alemã, nesta pequena peça, em que mostra como o governo alemão está a enganar toda a gente , escondendo os lucros obtidos com a crise grega. 

Se Cavaco e os membros do governo não tivessem há muito interiorizado que as únicas notícias verdadeiras são as que eles vendem para a comunicação social,  teriam percebdido que  "conto de crianças" é o que eles estão a impingir aos portugueses, para justificar a traição ao país

* Kaninchen significa coelho em alemão.
 Hase, palavra muitas vezes traduzida para português como coelho, na verdade significa  lebre.

Eu já desconfiava...

… mas depois de aprofundar a leitura sobre o Swissleaks e recordar “A Torre de Basileia” confirmei: a prosperidade da Suiça não se deve aos canivetes, nem aos chocolates, nem aos relógios. Mesmo que sejam de cuco