quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A propósito da fruta




Portas e Cristas foram a Berlim vender fruta portuguesa. Dizem que foi um sucesso e só não foi maior, porque não tinham tomates e as Maçães estavam podres

O Banco de que não se fala e faz parecer o HSBC uma brincadeira de crianças



O Swissleaks é uma brincadeira de crianças, se a compararmos com a história de um outro banco de que não se fala, mas está associado a alguns dos piores crimes da Humanidade.
Porque o livro é quase tão desconhecido como o próprio banco, pareceu-me oportuno fazer uma resenha breve do seu conteúdo.
Em 1930, foi criado em Basileia o Banco de Pagamentos Internacionais (Bank for International Settlements - BIS) destinado a gerir as pesadas reparações de guerra da Alemanha, decretadas na Conferência de Versalhes.
A importância deste banco  foi determinante para que a Alemanha consumasse o seu domínio sobre a  economia europeia,  mas também fundamental para manter a vigilância do sistema financeiro global. 
Em "A Torre de Basileia" o escritor e  jornalista do "New York Times" Adam Lebor divulga-nos um trabalho de investigação que revela  as teias de uma instituição intocável - nem as autoridades suíças têm jurisdição sobre ela-   secreta e protegida por um Tratado Internacionalque montou uma teia de relações entre funcionários nazis e  financeiros alemães em ascensão, aproveitada por Hitler para fazer alguns dos negócios mais escabrosos do nazismo, especialmente durante a II Guerra Mundial.
Hoje, o BIS é na fachada o banco para os bancos centrais. Os governadores presentes nas reuniões habituais têm a garantia de total confidencialidade, de discrição e segurança.
 De forma detalhada. Adam Lebor desvenda a actuação de personagens como  , Hjalmar Schacht, o obreiro do milagre financeiro de Hitler, descreve a pilhagem nazi ao ouro checoslovaco, autorizada pelos banqueiros do BIS, ou negócios escuros envolvendo norte-americanos e alemães.
Ficamos também a saber como  Lisboa  serve de plataforma a  negócios caucionados com ouro nazi, depositado em Basileia. O escudo era então uma moeda forte, aceite pelos aliados, as potências do Eixo e os países sul americanos, pelo que os alemães precisavam  de um fornecimento estável de escudos portugueses para pagar  materiais bélicos. 
 Os intervenientes principais eram o Banco de Portugal, o Reichsbank, o Banco Nacional da Suíça e o BIS. O Banco de Portugal comprou barras de ouro ao Reichsbank, que foram entregues ao Banco Nacional da Suíça e cujo valor foi creditado na conta do Banco de Portugal. O Banco de Portugal creditou então a quantia requisitada  de escudos em contas alemãs em Lisboa."
O BIS tem apenas 140 clientes mas, só em 2012, obteve 1170 milhões de dólares de lucros, livres de impostos
" Uma história de intriga financeira, segredos e mentiras, boatos e verdades. LeBor, um jornalista de negócios, (também ele autor de vários thrillers), sabe como tornar uma história verídica sobre finanças tão emocionante como qualquer romance de espionagem. Um livro muito  informativo sobre o banco mais poderoso de que provavelmente nunca ouviu falar."- lê-se na Booklist.
E eu assino por baixo.

(A Torre de Basileia, de Adam Lebor. Ed Bertrand 2014)

À atenção de madame Jonet, sr. Lemos e outros apêndices

"A economia é feita para gerar bem estar e e não para pôr algumas pessoas no sufoco de não saberem o que é que lhes pode acontecer no dia de amanhã, porque se instalou o medo"
(Eugénio Fonseca, presidente da Caritas)