quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Escuta, Zé!





Só te dedico este post, porque decidiste  vir para as páginas dos jornais defender a tua honra, na sequência das criticas que fizeram ao teu trabalho em Atenas. Concordo que algumas são exageradas, mas a verdade é que tal como o teu Benfica em Paços de Ferreira, também te puseste a jeito com as reportagens que fizeste em Atenas.
Conheço bem a Grécia e sei que é verdade o que dizes sobre os falsos paralíticos, os taxistas cegos, os médicos corruptos - meros exemplos da corrupção que mina a sociedade grega. Sei que havia muitos funcionários públicos que nem sequer iam trabalhar.  Limitavam-se a receber o vencimento. Conheci vários nessas condições. Mas tudo aquilo que conheço e critico na sociedade grega, não me confere o direito de generalizar e perentoriamente garantir que os gregos são corruptos e preguiçosos.
Terás  de reconhecer que não foste isento. Poderá ter sido azar meu, ou excesso de pontaria, mas nos apontamentos que fizeste de Atenas nunca te ouvi referir que os desempregados não têm subsídio de desemprego e que ao fim de três meses sem trabalho, as pessoas deixam de ter acesso aos serviços de saúde. Escondeste a miséria em que vive grande parte da população grega. Fizeste orelhas moucas e fechaste os olhos ao que não te interessava para a narrativa que querias impingir aos telespectadores da RTP.
Não o fizeste por incompetência. Foi  má fé ,  desonestidade intelectual ou, então, porque de tantos livros escreveres, já  confundes a tua profissão de jornalista com a de escritor ( na minha modesta opinião mauzinho, devo dizer) . O que reportaste desde Atenas, não foi a verdade. Foi a tua verdade. Aquela que impinges aos teus leitores ( com sucesso, devo reconhecer) nos teus livrecos de cordel. Prestaste um mau serviço aos portugueses mas, acima de tudo, à televisão que te paga o direito ao devaneio e, até por isso, devias respeitar.
Como cidadão, podes dizer tudo o que te apetece. Como jornalista, enviado especial de um canal de televisão ( ainda por cima público) deves limitar-te a dizer a verdade. Não “a tua” verdade.
Tu sabes bem que o Syriza não é um partido de extrema esquerda radical, mas não hesitaste em transmitir essa mensagem, estilo “ Maria vai com as outras”. No entanto, nunca te ouvi uma palavra de repúdio ao Aurora Dourada. E já agora que tens a dizer dos partidos que impuseram austeridade cega a gregos e portugueses? São moderados?
Chegaste a ser ridículo quando  expressaste o desejo de que  os gregos ainda tivessem um lampejo de bom senso de última hora e não votassem no Syriza. Isso não te dignifica nem um bocadinho. Bem pelo contrário.  Chegou a hora de te decidires se queres ser escritor ou jornalista, Zé. Não é que sejam actividades incompatíveis, tu é que as tornas incompatíveis na tua condição de Homem Duplicado. Se queres que te dê a minha opinião, penso que és melhor jornalista do que escritor, mas acredito que aufiras mais rendimentos dos livros do que do jornalismo, pelo que deveria ser fácil optares. Só que é o jornalismo que te fornece material para os livros que escreves, pelo que deixar o jornalismo seria secar a fonte em que te inspiras.
Azar teu! 
Não podes é continuar a ser cabotino e a desprestigiar o jornalismo.

Presumo que já estejas a preparar um novo livro para o Natal, que tenha como pano de fundo a Grécia. Podes começar a escrever o guião quando regressares a Lisboa num dos próximos voos. Mas vê lá se deixas de sonhar com sopa de peixe feita com leite de mamas ( que sonhos tens, Zé!) e consegues descrever uma relação sexual sem caires no ridículo. Já agora, se me permites um conselho, não te esqueças de trazer uma caixinha de bombons da free shop do aeroporto para a Cristina Esteves. É que a forma arrebatada como ela te defendeu, perante as críticas de José Manuel Pureza, merece uma recompensa.  

E se não for incompetência, mas sim vingança programada?

O DN de ontem noticiava que o juiz Carlos Alexandre escreveu, no despacho que determina a prisão preventiva de Sócrates," a medida aplicada , a pecar, não é por excesso".
Sinceramente, não acredito que isso seja verdade porque, a confirmar-se , quer dizer que Carlos Alexandre enlouqueceu ou, na melhor das hipóteses, é um canalha.
De qualquer modo, lamento o silêncio em volta desta suspeição. Porque não é só um juiz que está em causa. É a justiça no seu todo. Quando um juiz considera que a prisão de alguém baseada em suposições é uma medida demasiado branda, não estamos a regressar ao fascismo. Estamos perante o livre arbítrio nas decisões judiciais. Lamentável, por isso, que Carlos Alexandre não tenha reagido imediatamente e negado a veracidade da notícia. Deixar que a opinião pública formule a convicção de que um super juiz enlouqueceu, ou age por vingança, é demasiado grave para que ele se remeta ao silêncio.
Aqui chegado, não resisto a ser um pouco mais maquiavélico. E se o escândalo da colocação dos professores, o colapso do Citius, o descrédito da justiça no seu todo, as fugas de informação e o caos na Saúde não forem erros resultantes da incompetência dos ministros, mas algo programado que visa desacreditar o sistema democrático e empurrar o país para uma deriva totalitária?
A hipótese pode parecer maquiavélico mas analisando a actuação do PR neste segundo mandato ( é bom nunca esquecer que ele  declarou, por escrito, sentir-se bem no regime do Estado Novo) e o espírito de vingança sempre presente em Passos Coelho, nas medidas que toma para empobrecer e humilhar os portugueses, não me parece totalmente descabido acreditar  na sua veracidade. Como lembra a defesa de Sócrates no recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa : " (Vivemos) Tempos perigosos em que um juiz se permite julgar insuficiente a prisão de um presumido inocente".

40 graus à sombra



Ainda faltam algumas semanas  para o dia de S. Valentim, mas a noite de 14 de Fevereiro promete ser tórrida, se as expectativas se confirmarem.